Análise – Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens

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Star Wars transcende a Sétima Arte. Somos nós enquanto cidadãos do mundo na era moderna, entidades criativas e pessoas que contemplam as estrelas misturando fantasia com curiosidade. É quase impossível compreender o que nos leva a amar de forma visceral um produto de ficção, mas o que outrora foi uma franchise com tecnologia inovadora, adensou numa história eficaz e carismática. Até as renegadas prequelas, martirizadas ao longo do tempo, contribuem para o efeito de bola de neve que culmina com o fenómeno – O Despertar da Força.

Quando a Disney anunciou que tinha comprado os direitos à Lucasfilm, um sabor agridoce apoderou-se dos fãs. Se por um lado existe o desejo de regressar ao universo Star Wars, por outro, a ideia de uma mega empresa como a Disney deitar as garras afiadas na franchise, e, eventualmente, profanar um universo com valor sentimental no imaginário da cultura moderna a troco de dinheiro, poderia implicar o golpe final na franchise.

Num primeiro momento, a Disney escolheu Michael Arndt (responsável por Toy Story 3) para dar forma a uma nova aventura, enquanto alguns realizadores surgiam como possíveis candidatos ao cargo, nomeadamente: Brad Bird e Matthew Vaughn. O primeiro sinal de que a Disney estava a levar a missão muito a sério surgiu com a contratação da produtora executiva Kathleen Kennedy, uma das melhores em Hollywood, responsável por filmes como Jurassic Park e Regresso ao Futuro (o currículo estende-se ainda mais). Kennedy não foi de modas e escolheu J.J. Abrams para realizar o projecto. O autor de Lost e do reboot de Star Trek (o demo real para a garantir a nova saga Star Wars) dava garantias inequívocas de competência e após um período em que  “armou-se em difícil”, a paixão por Star Wars falou mais alto.

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O Despertar da Força narra a história de Rey (interpretada pela talentosa Daisy Ridley), uma jovem solitária que sobrevive recolhendo sucata num planeta deserto. Interpelada por BB-8 e por Finn (interpretado por John Boyega), Rey parte para uma aventura que irá desvendar os propósitos da First Order (o novo Império) e os avanços da Resistência rebelde.

O elenco conta com os regressos de Harrison Ford, Mark HamillCarrie Fisher,  Anthony Daniels e  Peter Mayhew. Os novos personagens são assumidos por Adam Driver (recusou um papel em Batman v Superman para interpretar Kylo Ren), Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson e Gwendoline Christie. Há a salientar que os novos actores conseguem estabelecer uma excelente química em cena com os veteranos, existindo uma harmonia e dinamismo orgânico em cada performance, dispensando grandes diálogos que explicam emoções e reacções.

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A realização de J.J. Abrams vai ao encontro do que podemos ver em Missão Impossível 3 e nos novos filmes Star Trek, ou seja: ultra dinâmico; com gosto pelos travellingslens flares (em boa dose); e enquadramentos em 20º. Abrams consegue integrar muito bem as cenas nas sequências, e as sequências nos actos, o que permite ao espectador navegar na história à velocidade da luz e ignorar o relógio (já vamos ver se isso é bom ou mau).

Do ponto de vista técnico, o filme está perfeitinho. A escolha do conhecedor Lawrence Kasdan para o cargo de guionista foi acertada, e a história em si está concentrada e imaculada (talvez com mais visionamentos possuamos identificar alguns erros). O Despertar da Força recupera o que estava bem na trilogia original, aprende com as prequelas, e adiciona novos elementos que são mais-valias (jornada de Finn, relacionamento entre personagens conhecidas e motivações do vilão principal). A banda sonora é John Williams, ou seja, o melhor que existe. A produção com bonecos caracterizados e cenários reais são uma aposta vencedora, já efeitos especiais, surgem quando são necessários e fazem justiça ao título do filme (são guerras nas estrelas).

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Quando foi disponibilizado o segundo trailer de O Despertar da Força: aquilo é que foi chorar baba e ranho. A música de Jonh WilliamsHan Solo, a Millenium Falcon… tudo isto conduz ao egoísmo e desejo desmesurado de repetir uma experiência transcendente, ou seja, repetir a sensação de encanto proporcionada pelo filme original. E com isto perdi toda a moral para apontar o dedo às groupies histéricas de Twilight.

O Despertar da Força é melhor do que qualquer uma das prequelas, quiçá, à luz de uma perspectiva técnica e liberta de emoções, pode ser entendido enquanto melhor do que qualquer um dos filmes da trilogia original. Mas temos de enquadrar cada filme no respectivo momento cronológico, histórico e filmo gráfico. A trilogia original é altamente inovadora e o facto de ter sido a primeira vaga faz com que seja intocável. Depois, vieram as sequelas/prequelas, embora sejam Star Wars, demonstraram que a saga é muito mais do que uma manobra de marketing e que os fãs a sério são exigentes e apreciam informação condensada em mitos e filosofia (exemplo da Força) que estimulam a imaginação. Por isso: gostei, gostei muito, quero mais e quero outra vez. O Despertar da Força é muito bom, ao qual é somado o valor sentimental. Em matemática, + com + dá ++ e inflaciona a nota final.

Positivo

  • Banda sonora
  • Reencontro com antigos personagenspn-recomendado-ana
  • Novo elenco
  • História
  • Suspense e pay-off

 

Negativo

  • Adam Driver não demonstrou, sem qualquer sombra de dúvida, que tem unhas para o papel
  • O destino de Kylo Ren na restante trilogia é previsível
  • J.J. Abrams exagerou na acção (entretêm mas os momentos dramáticos exigiam maior respiração)

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