Análise – Star Trek Beyond

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Realizador: Justin Lin
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Idris Elba, Sofia Boutella
Género: Acção, Aventura, Ficção Científica
Duração: 2h 2min

Se forem como eu que nunca vi as séries e os filmes mais antigos de Star Trek, o reboot de 2009 realizado por J.J. Abrams serviu como um óptimo ponto de partida para conhecer esta franquia que já tem uma vida longa e próspera. No entanto, em vez de recomeçar completamente do zero, o filme preservou tudo o que foi feito anteriormente ao criar uma nova timeline, permitindo seguir o seu próprio caminho e introduzir Star Trek a uma nova audiência. Seja qual for a opinião dos fãs de longa data, esta foi a melhor forma de fazer um reboot. Depois da sequela Star Trek Into Darkness em 2013, chega agora o 3ª filme Star Trek Beyond (Star Trek: Além do Universo), desta vez realizado por Justin Lin.

USS Enterprise já concluiu 3 anos da sua missão de 5 anos a explorar o espaço longínquo em busca de “novos mundos, novas formas de vida e novas civilizações”. O Capitão James T. Kirk (Chris Pine) começa a questionar o propósito da missão e decidi fazer uma pequena pausa numa estação espacial maciça da Starfleet. Pouco depois de chegarem, a tripulação da Enterprise é enviada numa missão de salvamento para Altamid, um planeta dentro de uma nebulosa inexplorada. Ao aproximarem-se do planeta, são atacados por um enxame enorme de naves pequenas controladas por Krall (Idris Elba), o vilão do filme e uma personagem original no universo Star Trek. Forçados a abandonar a nave, os sobreviventes ficam presos no planeta desconhecido e procuram uma forma de salvar a tripulação capturada por Krall, ao mesmo tempo que tentam descobrir quais são os planos deste novo inimigo.

Grande parte do elenco de Star Trek e Star Trek Into Darkness regressa para interpretar as suas personagens respetivas, notando apenas a ausência de Alice Eve que interpretou Carol Marcus no 2º filme e que não chega a ser mencionada. Enquanto que os filmes anteriores focavam-se bastante na relação entre Kirk e Spock, Star Trek Beyond distribui mais a sua atenção aos restantes membros-chave da Enterprise onde cada um tem os seus momentos para brilhar. Dou destaque ao Comadante Spock (Zachary Quinto) e ao Dr. Leonard “Bones” McCoy (Karl Urban) que passam boa parte do filme juntos e é criada uma dinâmica divertida entre os dois.

Montgomery Scott (Simon Pegg) é acompanhado pela alienígena badass Jaylah (Sofia Boutella), uma nova personagem que se assemelha um pouco a Rey de Star Wars: The Force Awakens, só que mais branca. Nyota Uhura (Zoe Saldana) e Hikaru Sulu (John Cho) estão bem representados novamente, enquanto Kirk é assistido por Pavel Chekov onde o ator Anton Yelchin dá ares da sua graça no papel pela última vez, uma vez que morreu num incidente a uma mês da estreia do filme. Para além de Yelchin, Leonard Nimoy também é homenageado em Star Trek Beyond, não só pela sua contribuição para Star Trek desde a série original, como também por ser uma personagem relevante na história dos filmes anteriores. Eu assisti ao filme acompanhado por uma fã de Star Trek e ela ficou emocionada, portanto eu diria que a homenagem foi feita com o respeito e o carinho merecido.

Quanto ao vilão do filme, existia alguma suspeita da minha parte que Krall seria mais um alien mal-humorado que quer destruir a Federação por uma razão qualquer. Apesar dessa suspeita estar algo correta, o filme apresenta alguns plot twists que tornam a personagem um pouco mais interessante do que esperava. Dá uma pequena impressão que Idris Elba está com dificuldades em respirar com aquela caracterização na cara, mas até isso é um pouco explicado pelo o que é revelado. Em comparação aos vilões dos dois filmes anteriores, fica acima de Nero e abaixo de Khan.

O primeiro trailer de Star Trek Beyond deixou algumas pessoas preocupadas de que o filme iria estar demasiado focado nas sequências de ação – afinal de contas, estamos a falar de um filme com o mesmo realizador dos filmes mais recentes de Velocidade Furiosa. Os trailers seguintes dissuadiram um pouco essa impressão inicial e, felizmente, o resultado final está ao nível do que já vimos nos filmes dirigidos por J.J. Abrams, apenas com toque extra de Justin Lin. Para complementar a ação, temos um guião da autoria de Simon Pegg e Doug Jung que injeta os diálogos com humor adequado e referências escondidas para os fãs mais atentos.

No departamento visual, continua a estar tudo bem feito, desde as batalhas no espaço até aos seres alienígenas. Desta vez, vemos um pouco mais das criaturas espaciais neste filme e têm tempo para respirar em vez de surgirem bruscamente. O único momento em que os efeitos especiais falharam foi num momento onde Kirk é teletransportado a conduzir uma mota e nota-se demasiado que foi feito em green screen. Um pequeno defeito num filme com uma boa apresentação sempre acompanhada com a banda sonora soberba de Michael Giacchino, e ainda algumas “músicas clássicas”.

Se gostaram dos filmes dirigidos por J.J. Abrams, Star Trek Beyond será quase de certeza do vosso agrado. É uma aventura com uma boa mistura de personagens cativantes e momentos de ação intensos que vos deixará bastante agradados. Pessoalmente, é capaz de ser o meu favorito entre os três filmes e é uma excelente forma de comemorar o 50º aniversário de Star Trek. Já existem planos para um 4º filme, até lá vamos ter a nova série Star Trek: Discovery em 2017, por isso ainda há muito Star Trek a caminho.

Positivo

  • Ao nível dos filmes de J.J. Abrams
  • Bom equilíbrio entre ação e desenvolvimento de personagens
  • Novas adições ao universo Star Trek

Negativo

  • Talvez dispensam demasiado tempo no mesmo planeta
  • Sensação de déjà vu durante a destruição da USS Enterprise
  • Green screen manhoso numa sequência com a mota

 

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Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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