Análise – Sniper Elite 4

Este é um daqueles jogos que leva à letra o seu nome, normalmente quando pensamos num Sniper, pensamos apenas nos momentos em que se prime o gatilho, no entanto esquecemos-nos de toda a correria, preparação e empenho necessários para levar a cabo estas missões de forma a sair vivos destes ambientes hostis.

Sniper Elite 4 tem lugar durante 1943 numa altura da 2ª Guerra Mundial em que a Alemanha já tinha tomado conta de Itália e os aliados andavam a tentar recuperar esta terra soalheira. Nós somos Karl Fairburne um Sniper americano que está encarregue de concluir missões chave para esta operação gigantesca.

Quando iniciamos uma missão existe uma pequena área onde podemos interagir com objectos ou personagens de modo a desbloquear missões secundárias na área da missão principal. Para concluir cada missão apenas precisam de concluir o objectivo principal que pode ser matar uma personagem, explodir com um ponto estratégico entre outros. Certas missões ficam facilitadas quando se conclui objectivos secundários o que só ajuda a convidar o  jogador a explorar os gigantescos mapas. Para terem uma ideia os mapas de cada missão podem chegar a ter alguns quilómetros de ponta a ponta e ainda temos que acrescentar aqui a verticalidade de cada região. Desde campos, a pequenas cidades passando por estações de comboio e até de portos navais, existe bastante variedade entre os vários mapas.

Esta abertura faz com que seja possível não só tomar vários caminhos mas várias abordagens para concluir o nosso objectivo em Sniper Elite 4. Logo no primeiro mapa o objectivo principal está numa vivenda perto de um penhasco e só é acessível por um lado. O restante mapa está repleto por casas rurais, acampamentos Nazi, patrulhas; sejam eles carros armados ou grupos de soldados, e tudo isto está disposto de forma a que exista uma certa progressão.

Na minha perspectiva aquilo que fazia mais sentido era matar o alvo à distância e o local que escolhi era o topo de uma colina que estava convenientemente ocupado por um acampamento Nazi. Lá meti mãos ao trabalho e meia-hora depois era um acampamento fantasma e eu o único sobrevivente, a partir daí foi um jogo de espera a tentar perceber onde andava o meu alvo. Dito assim até parece fácil mas agora deixem que descreva um dos encantos deste jogo, o som. O som é muito importante em Sniper Elite 4, uma vez que se dispararem muitas vezes do mesmo local serão detectados através da triangulação pelos inimigos. Ao primeiro tiro os inimigos ficam desconfiados pois sabem mais ou menos de onde veio o tiro, se aí permanecerem a disparar os inimigos vão reduzindo o raio de busca e rapidamente nos avistam. Se tiverem o azar de serem detectados por um grupo com um soldado com rádio ou com um apito vão desejar nunca ter premido o gatilho. Ainda assim o jogo proporciona alguns momentos mais barulhentos para que possamos disparar sem ser detectados, por exemplo quando passa um avião por cima de nós.

Ainda dentro das mecânicas de jogo, como seria de esperar num jogo cujo ponto central é a sniper existe aqui algum trabalho e mecânicas a salientar. Para começar podemos suster a respiração durante algum tempo de modo a estabilizar a mira, no entanto quanto mais sustemos a respiração maior será o batimento cardíaco que aumenta quer pelo suster  da respiração quer pelo cansaço, e se este estiver demasiado forte não poderemos utilizar esta habilidade. Inerente a isto está também uma segunda mira que se sobrepõem e mostra exactamente onde a bala vai acertar, por outras palavras torna-se quase inútil ajustar a mira para a distância quando temos uma habilidade destas.

Esta mecânica transforma por completo Sniper Elite 4 num jogo de stealth e tenta sempre dar-nos a entender que de quanto mais longe dispararem mais vantagens têm, quer seja pelo barulho que fazemos quer pela facilidade em mudar de local. Mas e então o que acontece quando somos detectados? Temos que nos defender só com uma Sniper? Não, temos também caçadeiras, metralhadores e pistolas. É relativamente fácil sairmos destas situações mais apertadas mas tudo se deve  à nossa paciência, não tenham ilusões quer seja à distância ou corpo a corpo existem imensos momentos que requerem paciência pela facto de termos que esperar imenso pela oportunidade perfeita.

 

Em Sniper Elite 4 vão encontrar um arsenal um pouco ambíguo na forma como as armas funcionam. Como seria de esperar o funcionamento das Sniper está bastante bem conseguido, desde o suster da respiração ao ajustamento das distâncias tudo parece bem equilibrado. Já quando mudamos para outras armas estas variam um pouco e até pode ser falta de jeito da minha parte mas sinto em todas as armas uma imprecisão algo exagerada, não é nada que realmente faça mossa mas parece que não existe uma arma que realmente funcione para situações mais apertadas de forma totalmente eficaz, todas elas parecem ter algo negativo a arrasta-las. Ainda assim e apesar de achar que não era preciso exagerar tanto no estremecer das metrelhadoras, a parte boa é que tudo isto pode ser evitado se fizermos o nosso papel como sniper.

A campanha é onde está o sumo do jogo e certamente a parte mais apelativa. Os mapas das missões são variados e inserem sempre elementos interessantes e todos eles criam situações únicas em certos momentos. Mas Sniper Elite 4 também tem uma boa dose de modos online. desde co-op, um modo de horda e ainda uma mão cheia de combates multi-jogador que variam desde o cada um por si até ao clássico team-deathmatch. Dentro do multiplayer o que mais joguei foi o modo horda uma vez que requer a cooperação de todos e não implica sermos detectados depois de muita cautela por um erro de outro jogador.

Os modos que colocam jogador contra jogador são um pouco mais ambíguos uma vez que tanto pode ser um jogo de paciência como um jogo impossível dependendo dos jogadores. Esta é a minha maneira de dizer que não é divertido “brincar aos snipers” uma vez que levar com um tiro vindo sabe-se lá de onde pela 30ª vez torna-se algo cansativo. Ainda assim é uma questão de gosto mas é o que mais acontece durante estes combates.

Sniper Elite 4 conta ainda com um sistema de progressão por experiência que nos vai atribuindo novas habilidades que realmente nos vão facilitando a vida em alguns aspectos. Algo que também vamos ganhando é a possibilidade de ir comprando novo armamento e levá-lo directamente para as missões sem a necessidade de encontrar a nossa sniper favorita nas mãos de um inimigo para a poder utilizar.

O jogo tem um aspecto bastante bom e tem uma boa fluidez, as personagens que aparecem durante a história estão bem construídas na sua maioria se tivermos em conta o seu papel na mesma e as próprias vozes e sotaques ajudam a complementar o ambiente bastante bem.

Pessoalmente adorei Sniper Elite 4 pois todas as mecânicas se complementam para uma experiência bastante recompensadora, a campanha está recheada de bons momentos e os modos online só ajudam a complementar esta experiência. Como um todo vale bem a pena para todos os que gostem deste género de jogo.

Positivo

  • Boas mecânicas de Sniper
  • Ambiente bem conseguido
  • Desafiante e recompensador
  • Missões variadas
  • Várias formas de abordar situações
  • Mecânicas sonoras funcionam bastante bem

Negativo

  • Modos online competitivos sem grande apelo
  • Armas secundárias podiam estar melhor

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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