Análise – Secret of Mana

A Square-Enix parece estar empenhada em trazer de volta alguns dos seus jogos clássicos para os tempos mais actuais. Se alguns sofrem remodelações colossais, como é o caso de Final Fantasy VII, outros surgem quase iguais, mas com roupagens que não agradam a todos.

Secret of Mana é um dos clássicos incontornáveis da companhia e um exemplo de um JRPG que ficou para a história e ainda hoje é visto como uma das grandes referências dentro do gênero. Ao que podia parecer, não existiam grandes riscos em converter Secret of Mana para a nova era, mas algumas decisões menos felizes fazem dele um remake que deixa a desejar.

Apesar de nunca ter terminado Secret of Mana, tive oportunidade de começar a campanha original e ainda jogar durante algumas horas, o que me deram o tutorial perfeito para o que seria este jogo. No remake, Secret of Mana segue de forma bastante próxima o que foi feito no original, por isso a conversão é “quase” directa.

A história envolve o clássico fim do mundo onde os monstros começam a atacar e desta vez a culpa é atribuída à nossa personagem que é imediatamente exilada da aldeia que o acolheu. Isto faz com que seja necessário avançar pelo mundo e descobrir o que se está a passar. Pelo caminho, o herói vai fazer amizade com outras personagens e descobrir o que se passa afinal.

Infelizmente, este remake não tem o charme visual do original e como tal, a maioria das personagens que rodeiam o elenco principal são algo estranhas, usando expressões faciais fixas ou movimentos bastante estranhos. A história também é contada à velocidade do original, o que cria momentos de diálogo ou demasiado longos ou curtos para situações em que a tecnologia actual conseguia obter melhores resultados.

Sendo um RPG de acção, Secret of Mana usa combates e exploração em tempo real, mesmo que misture alguns elementos de outros RPG, como é o caso da barra de energia que funciona quase como que um “Active Time Battle” de Final Fantasy, com a diferença de que aqui, cada ataque dado sem a barra cheia, confere menos dano. Existem várias armas ao dispor e algumas delas representam formas de resolver puzzles e seguir em frente. À medida que a história avança, outros vão fazer parte da equipa e lutar a vosso lado.

Um dos problemas de Secret of Mana é que ao ser exactamente igual ao que era há alguns anos atrás, acaba por mostrar que afinal não é assim um jogo tão bom como a memória leva a crer. Existem muitos problemas com a inteligência artificial, alguns dos menus e forma como progridem não são muito intuitivos e não existe muita explicação para algumas das ferramentas do jogo e combate.

O Remake ajuda à festa com alguns pequenos problemas. O facto das personagens não abrirem a boca para falar e terem animações robóticas é estranho. Além do mais, ainda sofre com alguns problemas de fluidez e bugs, como personagens que ficavam presas ao cenário ou música e vozes que não sabem manter os níveis de som aceitáveis.

Falando nisso, a banda sonora é bastante boa, sendo uma boa homenagem à original, mas tenho a dizer que o trabalho vocal não é nada de especial, cumprindo os mínimos necessários e tendo laivos de trabalho bastante amador.

Felizmente, Secret of Mana ainda consegue ser um jogo bastante bom e divertido no que toca ao seus elementos base. O Remake, por ser tão fiel ao original, tem tanto o bom, como o mau e alguns dos piores elementos saem ainda mais destacados. Não deixa de ser uma boa forma de jogar o clássico e a ideal para quem nunca o fez, mas a pureza do produto original ainda consegue ter mais charme do que este Remake.

Positivo:

  • Muito próximo do original
  • Combate divertido
  • Boas personagens principais
  • Banda sonora actual e clássica
  • Podem jogar com amigos na mesma plataforma

Negativo:

  • Inconsistências visuais
  • Bugs e glitches estranhos
  • Inteligência artifical ainda deixa a desejar
  • Vozes bastante fracas

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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