Análise – Sea of Thieves

A Rare é um estúdio com alguma história e que começou a ser bastante marcante nas décadas de 80 e 90 com jogos como Battletoads, Donkey Kong Country, Killer Instinct, Goldeneye 007 e a lista não se ficaria por aqui de certeza. Uma grande mudança aconteceu nos últimos anos com a aquisição da Microsoft que fez com que o estúdio atravessasse por uma fase de menor destaque.

A grande oportunidade do estúdio em fazer um título mais ambicioso surgiu agora com a Xbox One e a criação de um jogo de piratas de nome Sea of Thieves. O jogo foi revelado na E3 de 2015 e chega agora às lojas. Destaque para a possibilidade termos acesso ao jogo via Xbox Early Access que custa cerca 9€ caso não queiram pagar os 69€, algo que é de dar os parabéns à Microsoft.

Sea of Thieves é um jogo de exploração com mundo aberto e inúmeras ilhas onde a vida de pirata ganha destaque. Dito isto, vamos viver a parte mais fantasiosa de ser um pirata, como é o caso de pegar em mapas, escavar tesouros e passar para a parte mais verídica, pilhar os barcos de outros atacando-os e matando os tripulantes. A navegação e o sentido de exploração são pontos que ganham grande destaque neste jogo e que vão invocar o explorador e aventureiro que existe dentro de nós.

Manusear o nosso barco e explorar o mapa do jogo é algo mágico e recomendo que seja feito com mais amigos. Não nos são dadas quase nenhumas instruções sobre como manusear um barco, mas isso é excelente porque instintivamente iremos descobrir todas as suas manhas graças à facilidade como nos são expostas. Descobrimos também que o trabalho em equipa em fundamental, logo um jogador irá controlar o leme, outro as velas, outro o mapa e aqui começa a nossa aventura. Palmas para a Rare pela maneira como criou esta mecânica.

Neste jogo temos algumas facções para fazer missões incluindo uma inteiramente nova que está reservada se atingirmos os níveis mais altos no jogo. Estas facções irão dar-nos missões como enjaular animais para podermos vender, ir à caça de tesouros enterrados, derrotar esqueletos de grandes capitães que faleceram e assim sucessivamente. O problema maior do jogo começa a assentar-se aqui, a faceta repetitiva das missões começa a tomar conta do jogo.

Apesar de subirmos níveis, o tipo de missão continua a ser igual, continuamos à mesma a enjaular animais, apanhar tesouros escondidos, matar esqueletos e assim sucessivamente. A fórmula começa a tornar-se entediante bem depressa, e dada à natureza um pouco lenta do jogo, começamos a ficar aborrecidos facilmente. Um dos pontos mais altos são as raids a fortalezas de esqueletos. Estas raids são anunciadas com uma nuvem em formato de caveira no céu que atrai todos os jogadores a essa zona e quem conseguir derrotar o boss que lá se encontra é recompensado com muitos tesouros.

Mesmo assim no mundo de Sea of Thieves teremos outros segredos por descobrir, como é o caso de barcos naufragados que foram ao fundo com tesouros, garrafas que trazem mapas de tesouros que não nos são vendidos, por vezes podemos encontrar baús que ficaram à beira mar.

Tal como afirmei em cima, uma das grandes vitórias deste jogo é a interacção que temos com os outros jogadores. A comunicação via microfone com a nossa party é fulcral, havendo opções de comunicação não verbal no jogo, sendo fundamental a constante comunicação do que está a acontecer seja em simples navegação como em combate naval. Já no que toca aos outros jogadores que estão pelo mundo a relação poderá ser um pouco mais paranóica.

Ao contrário do que se faz passar pelos trailers do jogo, existe muita pouca empatia entre jogadores no mundo de Sea of Thieves, sendo que ao virmos um barco significa praticamente sempre que irá haver batalha naval. Apesar de ser interessante combater contra outros inimigos e vê-los a ir ao fundo, existem certas situações que se tornam frustrantes para quem quer fazer simples missões e está a ser constantemente atacado. Felizmente um dos lados acaba por se cansar facilmente mas até lá já foram perdidos alguns largos minutos nisto.

O combate em si deixa um sabor um pouco agridoce. Apesar de ser interessante disparar os nossos canhões para o barco inimigo e compensar a trajectória da bala – ou até do nosso corpo caso queiramos invadir um barco inimigo – o combate um para um é um bocado desengonçado e até injusto para jogadores Xbox One contra os de PC. As pistolas são fáceis de usar, mas a espada é difícil de manusear.

Graficamente Sea of Thieves é um jogo muito bem trabalhado e com um apresentação impressionante. Apesar de ter uma apresentação bastante cartoonesca, a representação da vida marítima continua impressionante. A água é um dos pontos mais interessantes seja com mar calmo ou bravo, mas mesmo as ilhas, rochedos e tudo o que podemos ver no horizonte está bem feito. Todos os barulhos que iremos ver até às músicas do jogo estão todas também bem trabalhadas.

Sea of Thieves tem um potencial enorme com uma base muito sólida, mas neste momento essa mesma base está a segurar muita pouca coisa e isso é um desperdício enorme. Toda a mecânica do jogo desde o manusear do barco e a interacção entre jogadores é uma experiência muito boa e que nos agarra bem depressa, mas a aventura que temos à nossa frente é muito insuficiente para nos agarrar por muito mais do que alguns dias.

Se estão à espera de um jogo com conteúdo para vos manter agarrados durante algum tempo, então estão a olhar para o jogo errado. Sea of Thieves torna-se frustrante por ter muito boas ideias que estão excelentemente executadas mas deixa muito a desejar no que toca ao conteúdo.

Positivo:

  • Grafismo impressionante
  • Interacção entre jogadores
  • Mecânica de manuseamento do barco
  • Combates entre barcos

Negativo:

  • Missões muito repetitivas…
  • …e poucas facções
  • Cansa depressa devido a um certo vazio do mundo
  • Aborrecido quando jogado sem amigos