Análise – Samurai Shodown

O meu primeiro contacto com Samurai Shodown foi há muitos anos atrás. Estava eu ainda na escola e por ocasionalmente ia com um grupo de amigos ao café mais próximo gastar umas moedas numa arcada que tinha uma versão do jogo dos anos 90. Os anos passaram e o lugar reconquistado pelos jogos de luta deu a oportunidade ideal para a saga voltar.

Numa era onde a maioria dos jogos de luta levam os seus grandes combates para os patamares dos combos infinitos e juggles de longa duração, existem jogos como Samurai Shodown que troca isto por combates onde o erro e a aposta certa conseguem ser mais valiosos que um combo inteiro.

À primeira vista, estamos perante mais um jogo de luta simples em 2D, mas este é o estilo de jogo que se mostra tão exigente ou complicado quanto investirem nele. Não porque Samurai Shodown obrigue a perceber de combos ou mecânicas complexas, mas porque existe aqui um sistema de jogo que tira proveito da pressão gerada sobre os jogadores. Cada golpe, defesa ou erro pode custar o jogo e a barra de vida pode desaparecer num ápice para quem não sabe jogar com calma.

Curiosamente Samurai Shodown tem dois estilos de profundidade, quando o jogam com os conhecimentos básicos de um jogo de luta, acaba por ser uma troca de ataques desenfreados e ver quem consegue vencer primeiro, quando se dedicam mais ao jogo, depressa vão perceber que se trata de um jogo do gato e do rato, onde o que importa é aproveitar o momento certo e o erro para ganhar a vantagem. Não é de todo raro haver grandes viragens num combate e com tudo o que pode acontecer durante os mesmos, existe sempre um nervoso no estômago.

Samurai Shodown usa um sistema ao estilo papel/pedra/tesoura, onde os ataques rápidos ganham aos fortes, mas um ataque forte bem colocado pode valer mais do que quatro ou cinco médios. Existem formas de anular ataques, responder aos adversários com bloqueios rápidos e usar a barra de “especial” para realizar ataques mais fortes, ganhar poder e até mesmo realizar um especial que retira uma boa parte da vida do adversário. Nada disto é complexo de aprender, mas requer que o jogador aprenda a utilizar cada uma destas ferramentas.

Cada personagem incluída no elenco deste jogo é bastante diferente das restantes e algumas delas até usam mêcanicas próprias que aumentam ainda mais a variedade. Existem escolhas mais que certas para qualquer tipo de jogador como Gejuro e Haohmaru e outras que são mais tecnicistas como Shiki ou Nakoruru. Existe uma boa quantidade de personagens que vai agradar à maioria e até as recém chegadas são bastante boas e versáteis.

Samurai Shodown inclui os modos típicos de um jogo de luta a que estamos habituados, mas não vai mais além para estar ao nível dos seus rivais. Não existe aqui uma lista extensa de modos alternativos e existe a ausência de um modo história como deve ser. Aquilo que podemos encontrar é apenas um modo arcade com pequenos momentos de história dedicados à personagem que estamos a usar. Existe também um modo online, o qual me deu alguns problemas de ligações com Lag enquanto o experimentei.

Como podem ver pelas imagens presentes nesta análise, Samurai Shodown usa um estilo artístico bastante bonito e forte, criando grandes contrastes de cores, especialmente quando estão a encaixar um especial ou a utilizar a barra de rage. As animações também estão bastante boas e no global, só pedia um pouco mais de detalhe em alguns cenários que por vezes parecem bastante artificiais. Tanto a banda sonora como as vozes em japonês são igualmente boas. Só tenho pena que os loadings sejam mais compridos do que deviam ser.

Samurai Shodown é uma boa aposta dentro do género de luta para quem não quer saltar para títulos que exigem que aprendam grandes combinações e onde as barras de vida são retiradas por alguém que não vos deixou tocar no chão nos últimos 30 segundos. Se querem algo mais técnico, visceral e directo ao assunto, então este é o jogo para vocês.

Positivo:

  • Boa selecção de personagens
  • Combate empolgante
  • Fácil de aprender
  • Bom aspecto visual

Negativo:

  • Falta um modo história
  • Cenários podiam ter mais vida
  • Personagens bloqueadas por DLC logo a início

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebook

Share

You may also like...