Análise – Ryse: Son of Rome

ryse_son_of_rome_pn ana 45Quando foi lançado, Ryse Son of Rome incomodou muitos com os seus QTE onde não seria necessário qualquer acção do jogador para ser bem-sucedido, eu estava incluído nesse grupo mas lá decidi dar uma hipótese a Ryse no PC.

O jogo espantou-me graficamente, está muito bem conseguido. O facto de decorrer em ambientes “fechados” permite um maior detalhe que ainda não é possível em jogos de mundo aberto. Esse é o primeiro impacto, o segundo vem com a jogabilidade, a primeira vez que controlamos Marius é numa batalha e a maneira como o tutorial decorre é bastante agradável, não parece forçado e guarda as artimanhas para o fim.

Ryse Son of Rome PN-ANA (25)Por último vem a história, e aqui se dividem as águas. Para mim a história está excelente, não propriamente por ser uma grande história mas pela forma como é contada e pela maneira como as personagens são trabalhadas. É verdade que muitas personagens que aparecem são verdadeiros estereótipos com acções que se conseguem prever a milhas, mas para o curto espaço em que estão presentes servem o propósito de mostrar o seu carácter e marcar o jogador.

É também a história que nos leva aos mais variados locais, e aqui confesso que o meu conhecimento sobre Roma Antiga e as suas lendas e mitos me favoreceu. Um jogador que não conheça este mundo vai sentir-se perdido e provavelmente a história passar-lhe-á ao lado. A narrativa invoca a realidade com mitologia e ainda a superstição da época, o problema reside no facto de isto não ser transmitido devidamente ao jogador. Compreendo que este não seja um documentário histórico mas um jogador que pense no druída de Asterix quando vir os “druidas” ficará no mínimo espantado.

Ryse Son of Rome PN-ANA (21)A história de Ryse Son of Rome é uma de vingança, mais propriamente a vingança de Marius contra o Imperador Nero, um dos mais infames da história. Assim é através de flashbacks que decorrem num espaço de 10 anos que vamos de Roma até Britânia, desde cidades de pedra a selvas e pântanos. Existe bastante diversidade nos ambientes, no entanto os inimigos são outra história.

Existem cerca de 6 ou 7 tipos de inimigos básicos e apesar de se vestirem a rigor de acordo com o cenário, têm sempre um padrão de ataque muito semelhante. Por exemplo um bárbaro com uma espada elabora os mesmos ataques que um legionário sem escudo. Aqui o segredo está em aprender os padrões de ataque, e assim o jogo ficaria extremamente fácil, no entanto Ryse troca-nos as voltas. Raramente lutamos contra apenas um inimigo ao mesmo tempo, normalmente são grupos com mais de 3 inimigos, e é por este número que as lutas se tornam desafiantes.

Ryse Son of Rome PN-ANA (13)A dificuldade do jogo não é exagerada, sendo o modo difícil relativamente acessível para quem esteja habituado ao género, já o modo mais difícil que é desbloqueado após concluir a campanha poderá ser digno de um grande, grande desafio.

O combate em Ryse Son of Rome é um combate algo pesado que faz com que cada golpe se sinta, o que quero dizer com isto é que cortar o ar pode ser recompensado com uma bela martelada na tola. Como vários inimigos se conseguem defender e ripostar de diferentes formas cabe-nos a nós elaborar uma estratégia vencedora.

Ryse Son of Rome PN-ANA (11)Agora chegámos ao momento que tem sido criticado desde o início, as execuções. Muitos jogadores queixam-se que o facto de as execuções ocorrerem mesmo que não pressionem nenhum botão é algo negativo, eu discordo. O combate consegue ser por si só desafio suficiente, as execuções são activadas com o pressionar de um botão numa dada altura, após esse momento desencadeia-se uma sequência de movimentos e o inimigo brilha de uma dada cor. Cada cor corresponde a um botão e se o pressionarem corretamente irão ganhar uma certa quantidade de pontos.

Mas a utilidade destas execuções vai mais além, utilizando os botões direcionais podem escolher 1 de 4 bónus após uma execução. Podem aumentar o dano causado aos inimigos, regenerar alguma vida, aumentar a experiência ganha para evoluir várias habilidades de Marius, e regenerar a barra de Focus. O Focus funciona como uma barra de magia se tiverem Focus suficiente poderão activar uma habilidade que abranda os inimigos facilitando a luta contra muitos oponentes em simultâneo.

Ryse Son of Rome PN-ANA (35)Durante a aventura somos confrontados com vária situações para além das hordas de inimigos, vamos ter que tomar decisões que irão afetar a maneira como uma batalha se desenrola, assim como secções onde comandamos um grupo de Legionários. Estas secções quebram a rotina e são uma adição que ajuda na imersão do jogador, esta imersão é sentida também devido aos planos escolhidos.

A câmara deste jogo tenta sempre captar o momento de um ângulo que faz a acção parecer ainda mais épica, ao estilo de God of War, no entanto são livres de mexer a câmara na maioria das secções.

Ryse Son of Rome PN-ANA (18)Ryse Son of Rome é um jogo que apela bastante pela história, durante grande parte do jogo senti-me obrigado a proteger os legionários sob o meu comando e esse sentimento esteve sempre presente tendo contribuído em grande parte para o modo como a história me foi transmitida.

Outra atração da campanha são os Boss que se apresentam com inimigos e situações bem trabalhadas, para sair vitoriosos destes confrontos será necessária alguma perícia… por vezes. Alguns requerem um tipo de ataque para poderem ser atacados outros exigem apenas paciência.

Ryse Son of Rome PN-ANA (31)No entanto desenganem-se se acham que Ryse Son of Rome fica por aqui. Ainda falta falar do multiplayer e aqui Ryse Son of Rome transformou-se num vício. Nesta vertente do jogo somos um gladiador que entra no coliseu, sozinho ou acompanhado. O primeiro momento em que a luz da arena nos toca é arrebatador, o plano da câmara com a música e os gritos da multidão criam um momento único.

O nosso gladiador pode envergar várias armaduras, desde fatos pré-feitos até uma grande panóplia de peças de armadura, escudos e espadas. Quanto mais lutarem, maior será o vosso Rank e irão também poder comprar boosters de rank mais elevado com melhor equipamento. O equipamento traz consigo vários bónus e caber-vos-à a seleção do vosso equipamento de acordo com o vosso tipo de jogo.

Ryse Son of Rome PN-ANA (34)Podem entrar na arena sozinhos e lutar contra hordas de inimigos ou com um outro gladiador e enfrentar desafios ainda maiores. Existem muitas arenas diferentes que mudam consoante a aventura. É verdade, na arena nós somos os protagonistas de uma história e cabe-nos a nós leva-la até ao fim. É sempre engraçado ouvir a história e os aplausos da multidão.

As histórias levam-nos a locais que estão presentes na campanha mas também a outros que não fazem parte dela pelo que existe uma boa variedade. Existe ainda um outro modo em que apenas recuperamos vida ao executar inimigos enquanto a mesma se encontra a diminuir constantemente, quanto tempo conseguirão sobreviver? Depende de vocês e do vosso parceiro.

Ryse Son of Rome PN-ANA (4)

O facto do multiplayer ser uma vertente co-op é bastante bom dando aso a entre-ajuda e competição em simultâneo, sendo preciso apoiar-nos mas ainda assim esfregar na cara do nosso colega de equipa os pontos que fizemos. No entanto falta um modo PvP, afinal ser gladiador não era só encenar histórias.

No que toca às opções da versão PC, existe aqui algum cuidado havendo várias opções de resolução, anti-aliasing partículas e mais. No entanto fica o aviso que este é um jogo algo pesado para o PC mediano se optarem por colocar a maioria das opções gráficas no máximo. Não posso falar da performance da versão Xbox One, por isso se essa for a vossa plataforma de eleição não tenham em conta os aspetos gráficos desta análise.

Ryse Son of Rome PN-ANA (1)

No fim fica a memória de um grande momento, uma boa história, e uma grande vontade de continuar a evoluir o meu gladiador no online do jogo. Ryse Son of Rome é uma experiência bastante boa, mas apenas para aqueles que gostem do género e da época em que este se encontra.

[Todas as imagens foram capturadas durante as nossas sessões de jogo.]

Positivo

  • História
  • Combate
  • Multiplayer
  • Apresentação

Negativo

  • Combate repetitivo para quem não seja fã do género
  • Algumas personagens apresentam-se como estereótipos sem profundidade
  • Falta de um modo PvP online

pn-muitobom-ana

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

More Posts

Share

You may also like...