Análise – Root Letter

  • Plataformas: PlayStation Vita, PlayStation 4, PC, Mobile
  • Versão de Análise: PlayStation Vita
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Hoje em dia quando se fala de visual novels no Ocidente o mais provável é os jogadores se estarem a referir à versão Inglesa de uma visual novel que já tem alguns anos, ou então de uma sequela ou de um novo projecto de uma companhia já conhecida pelo seu trabalho no género. E quando as produtoras querem apresentar novas séries a este público, acaba por ser um pouco complicado, porque na maioria das vezes não são produzidas por uma produtora Japonesa, que sabe o que faz, mas por grupos que vivem no Ocidente e tentam imitar o produto Japonês.

De uma forma irónica, esse produto Ocidental acaba por ter mais popularidade que o produto Japonês, muito devido aos media que acabam por fazer mais publicidade a estas “cópias” em vez dos “originais”. No entanto os fãs podem sempre contar com algumas produtoras e distribuidoras para terem o que querem, quer seja uma visual novel bastante popular, um eroge ou uma aposta nova no mercado, e é aí que entra Root Letter (estilizado como √Letter), uma “adventure visual novel” que é a primeira entrada da Kadokawa Games numa nova série de mistérios.

O conceito por detrás desta ideia é bastante simples, a Kadokawa Games criou um conjunto de actores fictícios que vão interpretar vários papéis nos mais diversos settings. Ou seja, neste primeiro jogo vamos encontrar esses actores fictícios a interpretarem os seus papéis na história que vai decorrer e se a companhia lançar mais jogos, iremos voltar a ver esses mesmos actores (fictícios) a interpretarem outras personagens em novas histórias. É uma ideia bastante engraçada pois permite ao “espectador” familiarizar-se com estes “actores” e ver quais os papéis que estes vão interpretar ao longo da sua carreira (fictícia).

A história de Root Letter foca-se no protagonista que está à procura de uma pessoa. Essa pessoa é Aya Fumino, a sua amiga por correspondência de há 15 anos atrás, sendo que a certa altura ambos deixaram de comunicar, até que recentemente o protagonista encontra uma carta de Aya que nunca havia visto. Nessa carta é feita uma confissão, Aya assassinou alguém, e devido a isso o protagonista decide visitar a aldeia onde Aya viveu há 15 anos atrás e procurá-la, apenas para descobrir que a pessoa conhecida como Aya Fumino morreu ainda antes de ter começado a trocar cartas com o protagonista.

O jogo fica então dividido em duas secções, a parte de história onde basicamente irão encontrar paredes de texto (o típico de uma visual novel), e a parte de jogabilidade que tem uma semelhança ao que é utilizado na série Ace Attorney. Não existe muito a fazer na parte de história para além de falar com as personagens, o jogador pode escolher os locais a visitar e até observar esses mesmos locais mas de nada serve pois não existem pistas a recolher fora das conversas. O único objectivo destas secções é encontrar certas personagens e falar com as mesmas sem existir grande interação com o jogo em si.

Já as secções à la Ace Attorney são as que contêm a parte de jogabilidade que irão encontrar em Root Letter. O jogador tem uma “barra” de vida representada por cartas e tem de criar pressão sobre a pessoa a ser questionada para obter respostas sobre o que afinal aconteceu há 15 anos atrás. As opções que encontram para realizar esta tarefa são a de apresentar itens e a de questionar a personagem sobre algo. Felizmente caso estejam perdidos podem selecionar a opção de “pensar” para terem uma ajuda sobre o que devem apresentar a essa pessoa, a opção de pensar também funciona fora das fases de investigação, encaminhando-vos para o próximo local a visitar.

A “jogabilidade” acaba por ser mais simples do que é apresentado em Ace Attorney, simples demais ao ponto de talvez não ser necessário estar presente. O conceito de visual novel cinética não é estranho e talvez funcionasse melhor para o tipo de história que Root Letter quer apresentar, pois da forma que é apresentado agora o jogo necessita de algo mais para dar a sensação de que o jogador está a ter alguma importância ao desvendar os vários segredos escondidos nesta cidade. Existem também finais alternativos que o jogador pode obter e que convidam a repetir a jornada desta história com alguns extras. Esta vai contar com alguns eventos novos que não estão relacionados com a história principal que vos vem convidar a explorar a cidade. É um boa ideia pois oferece algo novo para quem está a repetir a história, mas os eventos são tão desligados da história que é necessário estar a bater em todas as portas para os poder encontrar.

De certa forma Root Letter funciona como um guia turístico para a cidade de Matsue que é onde o jogo toma lugar. Tanto pela maneira como está escrito como pelas vezes em que convida o jogador a visitar os vários locais presentes no jogo, existindo até um panfleto que é possível selecionar em qualquer local para obter um pouco mais de informação sobre esse lugar em específico. Alguns dos pontos de interesse como o castelo de Matsue e até alguns dos templos marcam presença no cenário do jogo.

Por sua vez a história segue a mesma fórmula durante a maioria do seu percurso. Após os primeiros capítulos de introdução, os seguintes vão focando-se em cada um dos amigos que Aya tinha há 15 anos atrás, com o protagonista a abordar um de cada vez. Acaba por não ser tanto uma história de mistério mas uma de perseguir e convencer um par de pessoas a contar a verdade sobre o passado. A história tem os seus momentos altos e baixos mas no geral acaba por ser interessante, bem como os seus vários finais alternativos.

Algumas das personagens que vamos encontrando são interessantes, enquanto que outras podiam ter recebido um melhor trabalho na sua apresentação e/ou desenvolvimento. Por outro lado, todas as personagens (excluindo o protagonista) contam com diálogo de voz em todas as suas falas que está bem realizado. Quanto aos outros aspectos técnicos, a banda sonora repete-se em demasia; o design das personagens está bom e a apresentação dos cenários tem um bom aspecto. O jogo não conta com grandes problemas técnicos para além de uns raros erros de Inglês.

No geral Root Letter é uma aposta positiva para um novo projecto que é para seguir em frente. Como mistério não oferece muito para deduzir, sendo mais a história sobre o protagonista a descobrir a verdade e não o jogador, mas a história que conta tem os seus momentos interessantes e as várias conclusões a que podem chegar vão deixar o jogador interessado. Apenas peca pelas secções de jogabilidade que não têm grande presença para chegarem a ser consideradas uma parte essencial do jogo acabando por ser quase mais do mesmo.

Positivo:

  • Funciona como um bom guia turístico
  • História tem os seus momentos de interesse
  • Segunda jornada pelo jogo oferece alguns eventos secundários…

Negativo:

  • …que requerem que o jogador ande a explorar todos os cantos
  • Secções de jogabilidade podiam ter algo mais
  • Como mistério a história não convida o jogador a desvendar o que aconteceu