Análise – Resident Evil 2

Depois do sucesso que foi o anterior Resident Evil, a Capcom achou que podia voltar a enveredar novamente nesta mesma ideia e até de uma maneira ainda mais simples. Enquanto que o último jogo foi mais um reimaginar do primeiro jogo, Resident Evil 2 baseia-se num remake directo do clássico que foi lançado há mais de vinte anos atrás, podendo aproveitar o setting do jogo e algumas ideias do projecto anterior.

Dito isto, eis que surge Resident Evil 2, um remake do jogo lançado originalmente em 1998 e que conta a história de Leon Kennedy e Claire Redfield enquanto vagueiam pela cidade de Racoon City a tentar descobrir o que aconteceu para esta cidade se tornar num cenário perfeito de catástrofe. Com o desenrolar da história vamos descobrir também o envolvimento da Umbrella Corp. no meio de todo este cenário de morte e destruição bem como novas personagens e figuras aterrorizantes.

O jogo começa com os nossos dois protagonistas a serem separados por um acidente de viação enquanto tentam fugir, e sendo assim o jogo dá-nos a oportunidade de ver o mesmo jogo através de perspectivas diferentes. Grande parte das zonas serão iguais para ambos, mas certos pontos da história irão mudar, o que dá sempre uma boa oportunidade para voltar e descobrir coisas novas e ter experiências novas.

Ao contrário do que acontecia com o jogo original, vamos ter agora uma visão na terceira pessoa, algo que muda bastante da experiência original. A abordagem que temos agora para com os inimigos será bastante diferente e os zombies e monstros irão agir de uma maneira menos inteligente. Agora podemos recuar mais no cenário sem depender dos ângulos de câmera fixos e assim poder disparar de longe sem perder a noção de onde estão os inimigos.

Desta maneira temos também uma visão muito mais ampla dos cenários que iremos explorar o que oferece uma experiência mais imersiva e é possível ver em maior detalhes pontos como a estação de polícia de Racoon City.  Sendo assim, vamos explorar os vários cenários que nos são dados e existem elementos o do jogo original que foram mantidos intactos e que são a exploração e puzzles. O jogo obriga ao jogador a vasculhar cada quarto ao pormenor à procura de pistas, munições ou ervas e grande parte desses items iremos guardar para ou usar mais tarde ou então investigar para descobrir algum tipo de segredo dentro deles.

Esse factor de exploração e fazer backtracking para usar uma chave que abre fechaduras específicas não é enfadonho e até deixa o jogador com algum entusiasmo, pois iremos descobrir um quarto ou uma zona que antes estava inacessível no nosso muito útil mapa, mapa este que explica ao pormenor as zonas que já exploramos ou ainda nos faltam explorar bem como aponta certos items que encontramos mas que por alguma razão não conseguimos apanhar.

Os puzzles não são excessivamente crípticos neste jogo, e mesmo os enigmas mais complexos fazem-se acompanhar de algum tipo de guia ou ajuda que tenhamos encontrado para não ficarmos muito tempo a queimar os nossos neurónios. Existem também certos aspectos como cadeados com código que não conseguimos desbloquear até mais à frente no jogo mas mesmo assim são sempre aspectos bem vindos do jogo.

É interessante ver que apesar deste remake absorver estes elementos clássicos do jogo antigo, não comete alguns erros que poderão causar algum transtorno ao jogador, como por exemplo a possibilidade de misturar automaticamente items iguais sempre que temos a nossa mala cheia.

Os monstros estão todos bem trabalhados e cumprem bem o seu papel, desde os zombies que podem encontrar-se em separados ou atacar em manadas até ao muito conhecido Tyrant que ficará a atormentar a personagem só com a sua presença e afirmando a sua aproximação com os passos altamente assustadores. Os zombies que não sejam mortos como deve ser poderão levantar-se e fazer a vida negra ao jogador numa próxima passagem pela área questão.

Graficamente o jogo aumentou ainda mais o nível de violência e permite ter muito mais detalhe nas cenas de terror que pretende mostrar. Situações como cabeças desfeitas, corpos partidos ao meio com as entranhas de fora ou até criaturas mais grotescas como os Lickers estão agora muito mais detalhados e oferecem um terror ainda maior.

Os jogos de luz também são importantes, apesar de haver algum exagero no que toca à escuridão em certas partes o que dá um excelente clima de tensão e obriga o jogador a ver cada canta do jogo com muito cuidado. Senti que os sustos no jogo estão inteligentemente bem posicionados e não se tornam demasiado evidentes ou em grandes quantidades. São várias as situações em que o jogador se irá sentir preso num canto ou beco e isso obriga a reacções rápidas por parte do mesmo.

No departamento sonoro o jogo continua muito interessante. Apesar de ter jogado grande parte deste Resident Evil com a banda sonora clássica – é possível escolher essa opção – todas as restantes novas músicas estão muito bem trabalhadas. Os actores também fazem um bom trabalho neste jogo e as linhas de diálogo, sejam elas reacções às várias situações do jogo como também simples conversas, estão todas muito bem.

Este remake é um projecto muito bom por parte da Capcom. A companhia conseguiu criar um balanço excelente entre tudo o que era bom no jogo original e tornou-o mais moderno sem perder duma certa forma a sua identidade. É um jogo fácil de jogar, com um ambiente tenso muito bem conseguido e uma história que nos fará agarrar até ao fim.

Resident Evil 2 foi uma surpresa enorme e mais um passo na direcção correcta por parte da Capcom. Criaram um projecto com pés e cabeça e estão a dar aos fãs da série uma razão para sorrir após todos estes anos. Este é sem dúvida um jogo para todos e um dos melhores títulos do ano que chegou já em Janeiro!

Positivo:

  • Recriação muito bem feita do jogo
  • Melhoria de certos aspectos arcaicos do jogo
  • Jogabilidade na terceira pessoas beneficia a experiência
  • Necessidade de gerir as nossas munições

Negativo:

  • Longevidade no geral

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