Análise – République

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Existe sempre algo especial e interessante que me atrai para filmes, séries e jogos que brincam com o tema das sociedades futuristas totalitárias, onde a conspiração é rainha e existe bem mais para além do que é visível.

Seguindo nessa direcção, République é mais uma visão distópica de um sociedade totalitária onde as pessoas e informação é altamente controlada e todos aqueles que passam a linha, acabam por ser presos ou retirados da sociedade.

Hope, a personagem principal, é uma dessas pessoas. Acusada de ler um manifesto que não devia, esta é feita prisioneira e alvo de um certo número de pessoas influêntes. A início, não sabemos quem é Hope e qual o motivo de tanto interesse na sua pessoa, mas isso é algo que é revelado à medida que vão avançado na história.

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Uma das grandes vantagens de République é a forma como constrói o seu mundo, carregando-o de informação que podemos investigar, que aumenta a interactividade e ajuda a explorar melhor todo este mundo. Pelo caminho, vamos ter ajuda de um Guia misterioso, de um Hacker que nos vende coisas e de nós próprio.

É verdade, em République o jogador é o derradeiro aliado de Hope. Munidos do Omni-Tool, uma ferramenta de hacking, vamos invadir as câmaras de vigilância para ver melhor a próxima esquina, abrir portas, interagir com elementos do cenário, entre outras coisas. A início, o Omni não permite fazer grande coisa, o que é chato, pois Hope é mesmo uma presa fácil. Com a ajuda do Hacker, já vamos poder evoluir o Omni por níveis e criar distracções no cenário.

Se nas versões originais mobile de République davam apenas informações a Hope para se mexer, nesta versão de PS4 a coisa muda de figura, pois agora devem controlar Hope com o analógico. A movimentação da rapariga de forma silênciosa e os posicionamentos de câmara, trazem imediatamente à memória os primeiros Resident Evil e Metal Gear Solid. Isto é bom e mau, pois a visibilidade de cada câmara nem sempre é a melhor e quando muda automáticamente, cria alguma confusão, pois tive momentos em que Hope se mexia na direcção da câmara, para depois aparecer numa visão aérea, o que me atirou para a frente de um guarda.

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Felizmente, République não é muito devastador quando são apanhados, os guardas fotocópia (acreditem são quase todos iguais), apenas acompanham Hope até à cela mais próxima e daí em diante, só é preciso sair e tentar novamente. É uma espécie de sistema com tentativa erro interessante, mas que consegue ficar muito aborrecido com várias tentativas em sucessão, muitas vezes, por culpa das mudanças de visibilidade.

République está dividido em episódios, com cinco no total. A história acaba por ter altos e baixos e em certas situações, é necessário escolher o que fazer. Não é um jogo ao estilo da Telltale Games, mas a mensagem passa bem, especialmente tendo em conta o mundo de jogo em que se insere. As personagens em si, são interessantes, mas há chances perdidas (especialmente no que toca a interagir com os guardas e patrulhas).

Embora tenha origem no mundo dos Smartphones, a passagem de République para a nova geração não ficou de todo má. É verdade que os cenários e personagens não são assim tão detalhados e é pena que a maior parte dos elementos sejam vistos pela imagem distorcida de uma câmara. As vozes são boas e ajudam a construir o ambiente do mundo. Só não fiquei um grande fã das referências a outros jogos e afins, como surgem em demasia, acabam por estar fora de contexto.

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République é um jogo diferente e interessante e uma boa demonstração de que boas ideias podem começar em pequenos dispositivos. No entanto, o facto de ser algo repetitivo, de ter mecânicas algo desajeitadas e de nos cortar a narrativa tantas vezes, acabam por o tornar numa opção para um público mais reduzido. Se gostam de puzzles com acção furtiva e histórias carregadas de conspiração, então vão passar um bom tempo com République.

Positivo:

  • Tema
  • Ambiente
  • Controlo interessante
  • Bom trabalho vocal

Negativo:

  • Referências em exagero
  • Não existe grande interacção com os guardas
  • Mudanças de câmara
  • Alguns loadings longos entre salas

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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