Análise – Rei Artur: A Lenda da Espada

  • Realização: Guy Ritchie
  • Elenco: Charlie HunnamJude LawAstrid Bergès-Frisbey, Djimon Hounsou, Aidan Gillen, Eric Bana
  • Género: Ação, Aventura, Drama, Fantasia
  • Duração: 2h 6min

Quando vi o primeiro trailer de Rei Artur: A Lenda da Espada, eu não fiquei com boa impressão do filme. Uma mistura estranha entre fantasia medieval, técnicas de edição irregulares, cenas filmadas em GoPro, e música com o que parecia ser o som de ataques de asma. Também não tinha um conhecimento aprofundado da filmografia do realizador Guy Ritchie, daí colocar Rei Artur de lado a julgar que iria ser mais um filme medíocre de ação.

Após alguns meses, certas circunstâncias levaram-me a assistir à antestreia de Rei Artur: A Lenda da Espada. Para minha surpresa, o filme não estava muito mal feito e acabou por ser mais decente do que estava à espera. Continua a ser um típico filme de ação que veríamos ao domingo à tarde na televisão, mas não deixa de ter os seus méritos.

Baseada nas lendas do rei Artur, seguimos Artur (Charlie Hunnam) que vive nas ruas de Londonium – actual Londres – desde pequeno. Apesar dos perigos constantes, ele aprendeu a sobreviver e a lidar com quase todo o tipo de situações. Contudo, ocorrem imprevistos que levam Artur a retirar a espada mágica Excalibur que estava cravada numa rocha, algo que só o legítimo herdeiro do trono de Inglaterra seria capaz de fazer. Isto faz com que seja o alvo principal de Vortigern (Jude Law), tio de Artur que usurpou o direito à coroa após a morte do pai de Artur.

A história não é propriamente original – um homem que descobre o seu verdadeiro passado e acaba por aceitar o seu destino para derrotar o rei malvado. Ainda assim, a primeira metade do filme conseguiu prender o meu interesse. Charlie Hunnam tem uma boa prestação e é engraçado ver como Artur não estava propriamente a ter uma vida má antes de obter a espada, tirando apenas os pesadelos relacionados com o seu passado. É mesmo a meio da segunda metade do filme que a história não desenrola da melhor maneira, e somos atirados para o último ato de forma um pouco brusca.

Jude Law cumpre um papel competente de vilão, demonstrando ser um escumalha em grande parte do tempo. Há momentos no filme onde ele sacrifica membros da sua família e é só aqui onde o vemos mais vulnerável. Contudo, a sua família assume um papel secundário e não surge muitas vezes, portanto não há um impacto tão forte quando ocorrem estes momentos que demonstraram o lado mais humano do vilão.

Existem várias personagens secundárias, umas com uma participação mais marcante na história do que outras. Gostei de ver Eric Bana como pai de Artur, Djimon Hounsou também aparece várias vezes para ajudar Artur, e continuo a desconfiar das personagens interpretadas pelo Aidan Gillen porque vejo sempre o Littlefinger do Game of Thrones quando olho para ele. Os restantes atores não me são tão conhecidos, destaco talvez Michael McElhatton, que surge apenas para uma cenas ou duas do filme.

Os elementos de fantasia não são uma presença constante, mas tornam o mundo do filme mais interessante, a começar logo pelo início do filme com elefantes gigantes que quase parecia uma cena do Senhor dos Anéis. Existe uma história entre os humanos e magos, e até temos uma aprendiz de Merlin, interpretada por Astrid Bergès-Frisbey, enviada para apoiar Artur. Apesar de ser uma das aliadas mais úteis, a personagem dela é um pouco monótona e aborrecida.

Claro que a espada Excalibur é o elemento de fantasia mais importante de Rei Artur: A Lenda da Espada. Só vemos o verdadeiro poder da espada algumas vezes, já que Artur demonstra alguma resistência em usá-la. É mais na parte final do filme que vemos o quão poderosa é, e estes momentos de ação são demonstrados de forma única, com a câmara a girar às voltas quase sem cortes.

Há outras partes do filme onde o estilo único do realizador Guy Ritchie está mais à vista, com a montagem dos diálogos e da edição feita de uma forma dinâmica que fazem lembrar os filmes de Edgar Wright, aliás ele próprio deve-se ter inspirado neste realizador. Estas sequências podem não ser do agrado de todos, mas não desgostei completamente. E aquela música que mencionei no início com os ataques de asma? Até ganhei uma certa apreciação por ela.

No geral, Rei Artur: A Lenda da Espada é uma tentativa aceitável de pegar numa história clássica e aplicá-la a um filme de ação moderno. Uma vez que as minhas expetativas não eram muito altas, as falhas do filme não foram o suficiente para estragar a experiência. Se não tiverem outros filmes para ver no cinema, Rei Artur não é uma péssima opção.

 

 

Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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