Análise – Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin

Informação Global:

  • Episódios: 26
  • Ano: 2010
  • Produtores: Madhouse Studios, FUNimation Entertainment
  • Géneros: Drama, Horror, Seinen
  • Idades: +17
  • Linguagem: Japonesa

Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin, desta vez trago uma análise não a um Anime recente mas sim a um já com 2 anos de existência. Não ficando atrás por isso, Rainbow tem Koujina Hiroshi como director mais recentemente reconhecido pelo seu trabalho em Hunter x Hunter (2011). Este é um Anime de 26 episódios desenvolvido pelos estúdios Madhouse e conta-nos a história de sete adolescentes que em 1955 e uma década depois da Segunda Guerra Mundial foram obrigados a viver juntos numa cela de uma escola de correcção situada em Shio. Confinados a um quarto onde sofrimento e humilhação é o pão nosso de cada dia, o grupo de jovens destina-se à espera de um raio de esperança no meio da escuridão neste mundo cruel. Rainbow mostra-nos o dia a dia e como enfrentam as dificuldades juntos.

A história e os motivos das personagens conseguem por vezes ser previsíveis o que é bastante comum num Anime em que nos é logo apresentado quem são os bons e os maus. Mas mesmo com cenas que nos dão a entender o que vai acontecer a seguir, Rainbow tem cenas de acção de suster a respiração, imensos momentos emotivos, acontecimentos inesperados, memoráveis actos de amizade, drama e um pouco de horror que no final de contas nos leva a admitir a história é bastante épica, extremamente real e que acaba por ser o ponto mais alto de Rainbow. Um bom exemplo de que o Japão também consegue fazer coisas sérias, frias e cruas com conteúdos explícitos, Rainbow supera as barreiras do Anime comum e torna-se um filme bastante real onde explora os limites físicos e psicológicos do ser humano.

Cada coisa a seu tempo, Rainbow mostra controle dos eventos pois não deixa nada por resolver. Temos um desenlace justo, nada como certos Animes que nos obrigam a recorrer à Manga para matarmos a curiosidade de certas questões que ficaram em aberto. A história não se limita a contar o quotidiano na escola de correcção e tal como aconteceu em One Piece ou até mesmo em Naruto, existe um timelapse que nos mostra as personagens uns anos depois. Rainbow tem por vezes cenas demasiado dramatizadas mas é algo que varia de pessoa para pessoa. Também notei que a segunda parte do Anime parece comprimida, como se quisessem contar muito num curto espaço de tempo e outra coisa que me incomodou foi o facto de haver uma personagem que nunca tem direito a um episódio inteiramente dedicado a ele enquanto que os outros têm, o que é um pouco injusto.

Quanto às personagens, como já referi, a história é centrada em sete personagens principais onde todas têm o seu devido tempo de antena e a sua evolução tanto individual como em grupo. Infelizmente há um deles que não tem tanta atenção como devia o que deixa algum secretismo quanto à sua presença. Minakami Mario é um dos sete protagonistas de Rainbow e talvez um dos mais importantes de toda a história onde foi condenado a dois anos na escola de correcção. Mario é um rapaz com dezassete anos que foi detido por ter causado sérias lesões a um professor que tentava violar uma estudante sua colega. Mario tem um espírito lutador, é leal a quem lhe mostra confiança e odeia ser menosprezado.

Rokurouta Sakuragi, um rapaz de dezoito anos e tratado como “An-chan” pelos seus colegas de cela, é o mais velho dos sete rapazes, é forte e tem uma óptima técnica de boxe que o faz prevalecer sobre todos os outros. A razão porque Sakuragi foi detido é desconhecida mas existem rumores de que ele próprio matou os seus pais. Mais tarde é considerado um rapaz digno de ser seguido e parece que Sakuragi é a chave para a libertação geral. Infelizmente não me é possível falar de todos individualmente mas Rainbow tem uma boa variedade de personagens algumas mais fáceis de gostar do que outras. Cada um tem a sua personalidade distinta e diferente mas juntos vão ultrapassar os seus problemas independentemente da dor e sofrimento que se segue.

O desenho e a animação de Rainbow não são dos melhores que andam aí mas decerto que não fica muito atrás. O facto de se tratar de um Anime mais realista, tanto as luzes como as cores e o desenho retratam o mundo tal e qual como conhecemos mas numa versão ainda mais escura. Cinzas, castanhos e pretos estão sempre presentes tal como o seu desenho carregado e não muito bonito. Na maior parte das cenas, temos conteúdos explícitos tanto sexuais como de violência física e até mesmo psicológica, algo que é raro acontecer e ser retratado em Anime. Resumidamente, Rainbow tem uma animação e desenho ao seu nível e transparece com facilidade a mensagem que o Anime quer transmitir.

Quanto à música, sendo um Anime que nos conta uma história antiga, sons fortes e guitarradas mais Rock dos anos 50 ajudam a criar o ambiente certo para Rainbow. Algumas cenas mais fortes ou quando os protagonistas ficam mais sérios, uma música de fundo mais distinta vem ao de cima para dar mais ênfase à cena. A escolha do tema “We’re not alone” dos Coldrain como opening foi sem dúvida épica e muito dentro do estilo do Anime, já o ending “A far-off distance” dos Galneryus é um Rock mais clamo, melódico e sentimental que não deixa de ser fiel ao estilo dos anos 50. Quanto às vozes, destaco Paku Romi (Edward Elric de Fullmetal) como Maeda Noboru e Koyama Rikiya (Kiritsugu de Fate/Zero) como Sakuragi Rokurouta que, já com alguma fama construída nas suas carreiras, conseguiram uma vez mais demonstrar o seu potencial.

Em conclusão, Rainbow é um Anime com uma história inspiradora. O final é justo e bom mas deixa um pouco a desejar visto que não engloba toda a história da Manga mas acho que não seja razão suficiente para pôr este Anime de lado. Quanto aos pontos negativos, existe algum exagero a nível emocional em certas cenas, alguns motivos e sequências previsíveis, uma personagem posta um pouco de lado e temos a segunda parte do Anime que é um bocado apressada e comprimida.

Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin pode não ter a animação mais comum e o desenho mais bonito dos dias de hoje mas é uma bomba de emoções que não pára nem vacila por um segundo, mesmo após alguns meses de envelhecimento no meu coração. Se querem ver algo crescido e adulto com cenas explicitas de nudez e violência mas ao mesmo tempo emocional, Rainbow é a escolha certa para vocês, porque para além de ser muito bom, é sem dúvida um Anime a recomendar.

Positivo:

  • História épica e inspiradora
  • Conteúdos explicitos
  • Controle de eventos
  • Desenlace justo
  • Timelapse
  • Evolução das personagens
  • Variedade de personagens
  • Desenho e animação transparecem o tema do Anime
  • Escolha musical dentro do estilo
  • Papeis detacaveis nos actores de voz

Negativo:

  • História e motivos previsiveis
  • Cenas demasiado dramatizadas
  • Segunda parte comprimida
  • Uma personagem posta de lado
  • Desenho “feio”