Análise – Rain

O tempo de chuva não costuma estar associado a um estado de espírito muito positivo. Quando chove o tempo está cinzento e não há sol, o que acaba por entristecer a maioria das pessoas.

Dessa forma a chegada à PS3 de Rain consegue ser uma experiência bastante mista, pois estamos a falar de uma aventura que tem lugar num mundo hostil fustigado pela chuva, mas que ao mesmo tempo fala de união, confiança e esperança.

Apesar de não ser um jogo propriamente Indie como Journey e The Unfinished Swan (atenção a estes dois nomes que vão ser referidos umas quantas vezes), Rain aborda uma visão artística a nível visual o que o aproxima das experiências mais independentes de luxo, por isso havia muito a provar para Rain e, provavelmente, esse acaba por ser o seu maior inimigo.

Rain é um jogo bastante simples de plataformas e puzzles básicos que precisam de ser resolvidos com uma ou as duas personagens em simultâneo. Não existe forma de controlar a rapariga e todos os seus movimentos são comandados pelo computador.

O mundo de jogo transforma as duas crianças em seres invisíveis numa dimensão habitada por outras criaturas também invisíveis e um caçador conhecido como Unknown que os persegue. É aqui que a presença da chuva ganha destaque e comprova a sua existência, pois as personagens só ganham forma e podem ser vistas quando a chuva lhes toca no corpo ou caminham por poças de água.

A questão da invisibilidade está relacionada com vários puzzles, sendo que as zonas cobertas da chuva tornam a personagem invisível e certas poças cheias de lama revelam a presença das personagens que precisam de se lavar para retirar esta sujidade que os denuncia.

A principio, Rain faz lembrar imenso o clássico ICO da PS2 (e lançado recentemente em HD na PS3), pela forma como precisam de proteger a rapariga. Curiosamente a partir do momento em que esta se junta nós, esta passa a ser uma ajuda preciosa e em alguns momentos é ela que salva o dia.

Infelizmente a história parece arrastar a determinada altura, tentando justificar mais uns minutos de jogo de uma aventura que pode ser terminada em pouco menos de duas horas. Existe mais para ver e coleccionar quando jogam pela segunda vez, mas o incentivo para o voltar a fazer não foi de todo o maior, pelo menos por agora.

Seguindo a veia artística dos jogos Indie, Rain é uma mistura entre cenários tenebrosamente belos que se mostram pouco polidos e algo maçudos quando a chuva pára ou quando a câmara se aproxima. Um bom destaque vai para as pinturas em aguarela que surgem no início e final do jogo que ajudam a transmitir o tema de uma história para adormecer.

Tenho a dizer que gostei imenso da música, embora esta seja repetida em demasia por não oferecer uma grande variedade. As personagens não falam por isso não existem vozes, mas os barulhos tenebrosos dos inimigos e o som constante da chuva lembram que esta história consegue ser bastante opressiva em vários momentos.

Rain é uma experiência que me agradou bastante, mas tal como disse no início da análise, perde bastante quando comparado com os grandes colossos do género lançados no ano passado. Journey é claramente mais majestoso e com mais variedade para oferecer, enquanto The Unfinished Swan é uma experiência artística que não dispensa uma jogabilidade experimental bem desenhada.

Em Rain acabam por estar a jogar uma aventura interessante mas que podia oferecer muito mais, com mais puzzles, cenários e um visual bem menos confuso.

Se tivesse sido lançado em 2011 ou no início de 2012, Rain teria marcado o seu espaço na PSN, mas após Journey e The Unfinished Swan, até os bons jogos acabam por ficar na sombra.

Positivo:

  • Ambiente opressivo e desconfortável
  • Boa utilização da chuva
  • Ligação entre as duas personagens
  • Desenhos em aguarela
  • Boa banda sonora

Negativo:

  • Pouco valor de repetição
  • Modelos básicos escondidos pela chuva
  • Cenários com objectivos confusos
  • Podiam ter sido criados mais puzzles com as duas personagens

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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