Análise – Psycho-Pass: Mandatory Happiness

  • Plataformas: PlayStation Vita, PlayStation 4
  • Versão de análise: PlayStation 4

Se tivesse que começar por algum lado, então teria que ser pela minha opinião de a franchise Psycho-Pass não ter estado no seu ponto mais alto desde o fim da primeira temporada. O que não quer dizer que a primeira não tenha tido os seus pontos fracos, teve, mas conseguiu entregar a história que pretendia ao longo dos 22 episódios que tinha. A segunda temporada conseguiu ser melhor nuns pontos, mas pior noutros, e nem sequer vamos falar do filme.

Por esta altura, já está mais que confirmado pelo autor que Psycho-Pass é uma franchise, e não uma coisa onde podemos esperar ver o fim um dia destes. E a mais nova entrada nesta franchise é a visual novel Psycho-Pass: Mandatory Happiness, que infelizmente não aproveitou ao máximo o potencial que Psycho-Pass tem para oferecer.

A história do jogo toma lugar durante a primeira temporada (os 8 primeiros episódios), e ficamos ao encargo de uma entre duas personagens, uma inspectora que perdeu a memória, Nadeshiko Kugatachi, e um enforcer que acabou de entrar na equipa, Takuma Tsurugi. Ambos fazem parte da 1ª divisão, a mesma equipa de Akane e Kogami, e tem como objectivo durante o jogo de tratar de alguns casos que envolvem o antagonista da história, Alpha.

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Caso sejam novos no universo de Psycho-Pass, fiquem a saber que existe um sistema chamado Sybil que governa a actual sociedade Japonesa. Este sistema baseia-se numa avaliação do HUE, o estado mental de uma pessoa, criando assim um valor numa escala de 0 a 300+ o qual é chamado de Crime Coefficient.

O HUE de uma pessoa vai mudando de cor de acordo com o nível do Crime Coefficient, sendo que um HUE nublado terá uma cor mais escura, e representará uma pessoa que pode ser um potencial criminoso, havendo tratamentos e prevenções para evitar o mesmo. Sendo que se uma pessoa passar dos 300 fica sujeita a ser eliminada pelas forças policiais.

Neste mundo então existe uma certa força policial que utiliza inspectores, pessoas que treinaram para serem policias, e os enforcers, que são pessoas que tiveram o seu HUE demasiado afectado, e que decidiram servir (ou foram nomeados) como carne para canhão nas forças policiais, estando debaixo de algumas regras, tal como nunca sair do edifício sem um inspector e coisas do género.

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No início necessitam de escolher entre a inspectora Nadeshiko, ou o enforcer Tsurugi, os casos que enfrentam são os mesmos, apenas algumas falas e a história da personagem é que muda. No caso de Nadeshiko é a sua amnésia e o facto de ser uma pessoa sem personalidade nem emoções, já Tsurugi está à procura de uma amiga de infância que desapareceu há algum tempo.

Falando sobre a história, esta não esteve ao nível do que Psycho-Pass pode oferecer, todos os casos foram sobre raptos com uma ajuda externa de um hacker. Com os mesmos a decorrer de forma igual independentemente da personagem, excepto quando se toma alguma decisão que vem afectar a história, que basicamente podem alterar o facto de se a vítima e o infractor acabam vivos ou mortos, bem como o final da história.

Basicamente, tanto os casos como a história envolvendo os dois protagonistas deixa muito a desejar. Psycho-Pass: Mandatory Happiness podia ter pegado no cast do anime e fazer com que o mesmo seja mais importante no jogo, e até construir casos mais interessantes e brincar um pouco com o facto de sermos um detective. Mas nada disso acontece, acabando por ser uma pequena experiência com cerca de 6H para cada personagem.

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Mesmo que a história fosse pequena, o vilão poderia salvar a mesma, mas mais uma vez o jogo deixa a desejar. O vilão foi mal aproveitado e teve pouco impacto como tal durante o percurso da história, servindo apenas como um meio para os eventos acontecerem.

Tal como é típico numa visual novel, o jogo possui várias escolhas que poderão alterar o facto em como os casos se seguem, coisa que se vem a reflectir no final que podem obter, uma vez que existe cerca de seis para cada personagem.

E caso o jogador seja novo no universo, ou algum fã que já não se recorde bem de alguns elementos do jogo, várias palavras vão sendo adicionadas ao menu “Tips” que podem consultar para saber o que significam, por isso todas as palavras ou elementos que constroem o mundo de Psycho-Pass não vão parecer estranhos a ninguém.

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Se estiverem um pouco cansados da história, no menu principal existe um minijogo onde precisam de combinar cartas com o mesmo número para formar um número maior, existe um modo livre e um modo por níveis, sendo que cada vez que movem as cartas dentro da área disponível, novas aparecem, e recebem game over quando o campo estiver cheio. Ao fazer esse minijogo recebem pontos, que podem gastar em clipes de vozes ou imagens de arte, que podem consultar no menu principal, em conjunto com outras imagens de arte que vão desbloqueando ao longo do jogo.

Em termos técnicos a banda sonora é reminescente do anime, com algumas músicas semelhantes, e umas novas que são boas por si, a arte não acaba por ser coisa de destaque, nem o design das novas personagens. Em termos de performance, sendo isto uma visual novel então não é preciso pedir muito, sendo que não houve problemas durante as minhas horas de jogo.

Num todo, Psycho-Pass: Mandatory Happiness acaba por ser mais um episódio dentro desta franchise, que no fim não acaba por adicionar algo novo à mesma. A história podia ter puxado muito mais pelo universo no qual se baseia, mas acaba por não o fazer, sendo um pouco desapontante para os fãs que esperam por algo com grande impacto tal como o anime. Já para os fãs que estão a pedir por mais momentos dentro do universo, o jogo faz o seu trabalho, sendo até amigável para os novatos.

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Positivo:

  • Várias escolhas e duas personagens com vários endings
  • Banda sonora
  • Minijogo que entretém bastante

Negativo:

  • Vilão não tem grande impacto
  • Podia usar melhor o universo da série
  • Casos acabam por ter todos a mesma base

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