Análise – Por Treze Razões

Esta série eleva a emoção acima do método, apesar de desde o primeiro momento sabermos como termina, a emoção e os apertos de coração nunca esmorecem. Ao longo dos treze episódios a narrativa é irremediavelmente arrastada, vamos assistir a uma história que apesar de fictícia se sente realista, aliás, assustadoramente realista. Talvez o melhor ponto de partida seja falar sobre o facto de esta série ser uma adaptação de um livro originalmente lançado em 2007. Por Treze Razões é a história de Hannah Baker, uma rapariga que frequenta o secundário e que, tal como no título, comete suicídio Por Treze Razões.

Para fornecer uma ligação mais forte ao espectador entre o presente da série, que decorre algumas semanas após o suicídio e o passado contado por Hannah que decorre durante o seu último ano de vida. Estamos então a ser constantemente bombardeados com transições entre o presente cinzento e o passado ligeiramente sépia. Afinal de contas são estes os tons que prevalecem em cada período. Assim enquanto seguimos Clay Jensen e a sua odisseia para ouvir as treze gravações, vamos tendo um vislumbre sobre todas as personagens que compõem as cassetes.

Hannah gravou então 13 razões em 7 cassetes que devem ser passadas entre todos os intervenientes da história, um após o outro ouvem a história de Hannah e passam-na ao próximo. Caso não ouçam as cassetes nunca saberão a quem passar as cassetes e existem cópias destas que serão reveladas ao público geral. Para tal entra em acção uma personagem que está encarregue de fazer com que a vontade de Hannah seja cumprida.

A narrativa leva-nos então a assistir à forma como Clay vai alterando a forma de ver o mundo graças às gravações. A início é fácil de entrar no ritmo da série, um episódio equivale a uma gravação e existem trocas constantes entre os dois tempos. Vemos como as várias personagens interagem em diferentes situações e a mudança de perspectiva das mesmas. Mas nem todos os temas e momentos requerem episódios de uma hora, assim existem aqui momentos que se arrastam. Tal como referi no início, o arrastar não compromete a intensidade da série mas certamente atrapalha o espectador que sabe perfeitamente que aquilo que está a ver em dados períodos é o “encher de chouriços”.

Conforme a narrativa se aproxima da sua conclusão, começam a entrar em cena alguns elementos duvidosos. Os momentos finais da temporada estão repletos de nós e fazem por não deixar pontas soltas, os fios que são deixados soltos estão na sua maioria alinhados e apesar de não terem a sua conclusão em cena mostram o suficiente para sabermos como tudo ficará, ou quase… Apesar de tudo não posso dizer que me tenha sentido completamente satisfeito com o final, depois de tanta luta deixarem um dos maiores pontos em aberto não foi de todo a melhor decisão, mas a preparação para uma sequela desnecessária parece impossível nos dias que correm.

Um ponto que achei interessante é a testa de Clay. Sabem como uma ferida vai sarando ao longo do tempo? A testa de Clay sofre um golpe no início da série e através da ferida podem perfeitamente ler o estado de espírito desta personagem. Existem momentos em que parece que esta vai sarar mas algo acontece e volta a abrir, tal como a mente de Clay. Os acontecimentos relatados pela voz de Hannah mexem imenso com Clay que rapidamente mostra ter uma enorme paixão por Hannah e a confrontação com as palavras dela têm um impacto muito mais profundo com ele do que com os restante elementos que recebem as cassetes. No fundo Clay apercebe-se finalmente do que perdeu e de como terá que viver sabendo o que poderia ter acontecido de forma diferente caso tivesse lutado com um maior fulgor.

Não é possível dizer que qualquer um irá gostar desta série, diria que esta é direccionada a um público jovem, uma vez que retrata em demasia os anos passados no secundário aplicados à realidade Norte Americana. Por outras palavras, apesar de concordar que a mensagem é facilmente interpretada por todos, nem todos terão a resistência de passar por 13 horas de drama adolescente para a receber. Este é um dos raros casos em que provavelmente concordaria que esta história daria um melhor filme do que uma série, pelo menos uma tão longa.

As personagens são belíssima-mente interpretadas, todos os jovens têm o reverso da medalha. Todos eles são o jovem da escola e o jovem de casa, no fundo todos eles demonstram várias facetas e o porquê das mesmas, até tive algumas surpresas com certas revelações que acabaram por mudar a minha opinião acerca de certas personagens. Na sua grande maioria todos os momentos que são representados estão bem cuidados e em particular o momento que todos sabemos que virá está fenomenal. Não quero entrar em muitos detalhes mas foi uma surpresa bastante agradável, ver que é um momento cru que concilia o caos inicial com a paz terrorífica que sucede o momento.

A constante mistura das cenas do passado com o presente e a repetição de alguns momentos faz com que a nossa percepção da situação vá mudando, se a nossa primeira reação é de cepticismo tudo vai sendo clarificado até ao momento em que somos nós a chegar à verdade do que vimos anteriormente.

Por Treze Razões é certamente uma surpresa, um drama direccionado a um público mais jovem que coloca em análise alguns problemas e consequências da nossa sociedade. Se por um lado estamos a falar de suicídio também temos que falar de tudo aquilo que está envolto no mesmo; o que leva alguém a tirar a própria vida? Esta questão é o centro da série e sinto-me satisfeito com a resposta. Apesar do tema real e sombrio não nos podemos esquecer que esta é uma obra de ficção que certamente irá colocar os espectadores num estado de alerta para este problema da nossa sociedade e deixará os mesmos a pensar no assunto e em cenários “e se”. Assim sendo e tendo em conta a mensagem e a qualidade da série, esta é sem sombra de dúvidas uma história a conhecer.

Positivo

  • Mensagem
  • Personagens bem trabalhadas
  • Aspecto geral da série
  • Abordagem dos vários temas
  • O significado da ferida na testa de Clay
  • O drama adolescente está muito bem representado…

Negativo

  • … mas em quantidades exageradas
  • Alguns momentos arrastam-se sem razão

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Raizor

    eu comecei a ver agora e estou a gostar

  • Raizor

    acho que tambem se dirige aos pais da malta desta idade