Análise – Pokémon Ultra Sun/Moon

Desde Pokémon Black/White 2 que não tínhamos acesso a uma versão melhorada de uma geração, e se há algo pelo qual anseio em todas estas versões melhoradas, é o conteúdo “post-game”. A aventura começa de forma similar e ao contrário de Black/white 2, esta não é uma sequela a Sun e Moon, apenas uma versão alternativa da mesma aventura. Assim, aquilo que podem esperar da história do jogo é em grande parte, igual. As diferenças que vão encontrar vão ser pequenas, apenas um par de personagens novas e algumas surpresas que estão guardadas para a parte final da história, diria que só a partir do fim da 3ª ilha é que as coisas começam realmente a ficar interessantes.

Para quem já jogou Sun e Moon as principais diferenças nas primeiras horas de jogo vão estar nos Pokémon que podem apanhar ao longo da aventura, existindo novos tipos de Pokémon a viver em Alola. Os grandes desafios do jogo por vezes também sofrem alterações e é um jogo também ele ligeiramente mais difícil do que os originais. Podem ler aqui a nossa análise a Pokémon Sun/Moon para ficarem a par das características da 7ª geração, uma vez que daqui em diante me vou centrar naquilo que há de novo e que foi retocado nestas novas versões.

Vamos então ao que ficou pior. O nosso Pokédex possuído por um Rotom está extremamente chato. Em Sun e Moon ele interagia connosco mas sem nunca se tornar enfadonho, agora foram introduzidas habilidades para este e em simultâneo deram-lha uma maior personalidade, o que o torna num companheiro de viagem extremamente falador, mas sem nada de interessante para dizer, logo torna-se chato. A cada 5 minutos o Rotom fica com um ar triste, implorando para lhe tocar-mos, e depois disso fica todo contente, esconde o mapa durante uns segundos, diz umas coisas e talvez até comece a brilhar. Se ele começar a brilhar então está na altura do Roto Loto, sempre que este brilha vai ser sorteada uma habilidade. Desde curar um Pokémon em batalha, aumentar a EXP. ganha, aumentar o nível dos Pokémon selvagens que encontramos durante um período de tempo, dar um boost aos stats do Pokémon em batalha, enfim, existem imensas habilidades e praticamente todas elas são úteis. O problema é que cada sorteio demora alguns segundos, durante os quais não podemos fazer nada. São poucos segundos, mas a frequência com que o Rotom nos chateia quase não compensa as habilidades. Sim, o Pokédex ficou mais útil, mas também ficou extremamente chato.

A nova história é um misto de boas e más decisões. Tendo como base a história de Pokémon Sun/Moon as diferenças para com Ultra Sun/Ultra Moon vêm explicar alguns segmentos mas também acabam por prejudicar outros. Apesar de não poder entrar em detalhes, a história ficou melhor, especialmente no que diz respeito aos Ultra Whormholes e tudo o que lhes diz respeito, mas substitui alguns grandes momentos por outros que acabam por não resultar tão bem, ainda que os momentos finais sejam substancialmente melhores e tenhamos mais algumas respostas na mão. No fundo preparem-se para ver uma história similar mas com mais explicações e revelações.

O conteúdo post-game reúne algumas das antigas componentes, mas também modifica a forma como algumas acontecem. Existem ainda novidades e novas mecânicas em jogo guardadas para estes momentos finais, sendo agora possível apanhá-los praticamente todos. Após um dado ponto no jogo irão desbloquear um mini-jogo que vos irá permitir capturar Ultra Beasts e alguns lendários. Este mini-jogo é engraçado e oferece mais algumas benesses, no entanto torna-se um pouco frustrante os encontros se basearem em probabilidades, por isso preparem-se para possivelmente repetir imensas vezes estes segmentos.

A verdade é que há mais para fazer aqui do que nas versões anteriores, ainda assim o conteúdo acrescentado a esta parte do jogo fica atrás do que já foi feito em anteriores gerações. Depois de um início bastante forte no post-game parece que o entusiasmo morre de forma abrupta, em especial para os jogadores que já jogaram Sun e Moon.

De entre as mecânicas que continuam presentes no jogo, temos a Festival Plaza que continua a ser um hub para encontrar-mos jogadores online e fazer uso das várias instalações que permitem melhorar vários aspectos dos nosso Pokémon e até ganhar prémios. Dentro da base de operações temos um novo balcão, a Battle Agency, aqui arrenda-mos um Pokémon para fazer-mos batalhas, mas não estamos sozinhos. Dois avatares de outros jogadores também escolhem 1 Pokémon aleatório e os combates são então 3 contra 3. Conforme vão subindo no rank vão ganhando prémios e conforme forem interagindo com outros jogadores na Plaza também vão aumentando os Pokémon disponíveis.

Existe uma nova forma de viajar entre ilhas, estou a falar do Mantine Surf. Este mini-jogo tem alguns percursos diferentes e dependendo da vossa perícia podem fazer diversos truques enquanto estão montados no Mantine. Quando terminam o percurso são avaliados e conforme as vossas pontuações podem ganhar prémios e novos truques. É uma adição engraçada e que faz todo o sentido, felizmente é opcional depois, por isso se não gostarem não serão obrigados a lá voltar.

No que diz respeito aos eventos que vão ocorrendo ao longo de toda a aventura deverão lembrar-se que os Pokémon de Alola costumam pedir ajuda quando estão em apuros, acabando por aparecer outros Pokémon em auxilio. Em Ultra Sun e Ultra Moon esta mecânica sofreu uma modificação sendo apenas possível chamarem um único Pokémon, no entanto se utilizarem uma adrenaline orb podem continuar as vossas caças aos desejados Shiny, uma vez que esta faz com que a ajuda continue a vir.

Espalhados por Alola estão agora autocolantes dourados, estes vêm substituir as células de Zygarde como colecionável espalhado pelo mundo. A cada X autocolantes irão receber um Pokémon Totem, o que acaba por ser uma excelente recompensa.

As fotografias parecem estar na berra e Pokémon não quis ficar de fora. Agora, para além do que já era possível fazer em Sun e Moon, também podem criar cenários e poses para tirar fotos com os vossos Pokémon. Felizmente é opcional, pois não acho que acrescente grande coisa ao jogo, mas para quem gosta destes modos de foto é algo a explorar.

Se bem se lembram, a grande mudança da 7ª geração foi a quebra da tradição dos ginásios, estes foram substituídos pelos trials. Os trials destas novas versões permanecem similares aos de Sun e Moon, mas com pequenas alterações. A recompensa por ultrapassar estes trials são os Z-Crystals que permitem aos Pokémon utilizar os Z-Moves. Os Z-Moves funcionam de forma idêntica, mas existem alguns novos específicos para certos Pokémon. Aqui o nosso Pokédex possuído por um Rotom poderá ajudar de certa forma, uma vez que um dos novos poderes do mesmo permite que possamos utilizar um segundo Z-Move em batalha.

No que ao visual diz respeito, é praticamente igual ao que vimos nos jogos anteriores e continuam a existir os mesmos problemas. Quando as batalhas são de 1 VS 1, o jogo mantém-se estável, no entanto se adicionar-mos um outro Pokémon à luta, a frame rate começa de imediato a baixar. O 3D só pode ser activado em certas partes do jogo e acaba por ser praticamente ignorado. Alola continua a ser um local bastante colorido, e da minha perspectiva ainda se mantém como o mapa mais orgânico dos jogos Pokémon, onde nada parece forçado. Os menus do jogo também sofreram pequenas alterações e a melhor delas todas é a substituição do botão de gravação, que anteriormente tinha que ser seleccionado e agora está atribuído a um botão assim que entramos no menu.

Na nossa análise a Pokémon Sun/Moon eu descrevi a música como estando repleta de energia e nestas novas versões isso mantém-se. Apesar de existirem faixas iguais, existem outras novas e alguma sofreram um remix. De um modo geral as músicas que sofreram um remix transmitem ainda mais energia e até o tema dos encontros com Pokémon selvagens parece saído de uma batalha contra um Pokémon lendário.

Foi uma jornada com sentimentos mistos, por um lado a novidade já não está presente com a mesma força, o que retira alguma da piada em comparação com os originais, mas em troca temos uma versão com mais para fazer. Se não jogaram os originais, então este jogo é mais do que obrigatório, caso o tenham feito dependerá da vossa vontade de regressar a Alola. Como uma versão definitiva da 7ª geração não é de todo um jogo que vá ao encontro das expectativas, desiludindo um pouco no conteúdo postgame. Se jogarem apenas pela história é um jogo que vale a pena, se vêm em busca dos grandes desafios do post-game como eu, não vão ficar muito agradados com o que vão encontrar em comparação a Sun e Moon.

Positivo

  • Maior variedade de Pokémon
  • História mais robusta
  • Mecânicas melhoradas
  • Banda sonora excelente
  • Continua a ter um visual bastante apelativo, tendo em conta a consola

Negativo

  • Não há grandes novidades no post-game
  • Problemas de FPS quando existem mais de 2 Pokémon em batalha

 

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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