Análise – Pokémon Sun/Moon

 

Pokémon Sun e Pokémon Moon representam o início da 7ª Geração, e em simultâneo, a celebração do 20º aniversário de Pokémon. Uma coisa é certa, desde que foi anunciado Pokémon Sun e Pokémon Moon prometeram mudanças na série e agora, depois de terminar Pokémon Sun, posso garantir que as mudanças foram para melhor.

Aquilo que desde logo me colocou na incerteza foi a abolição dos 8 Gyms. Em vez do sistema clássico dos últimos 20 anos somos agora confrontados com os desafios das ilhas. Existem 4 grandes desafios mas para chegar a cada um destes grandes desafios temos que passar pequenos desafios que diferem entre si e estão espalhados de forma a acompanhar a exploração de Alola. E sim, é nestes desafios que iremos enfrentar os Pokémon Totem que vão desde desafios interessantes a desafios que chegam a níveis de dificuldade superiores aos encontrados em toda a aventura de XY. Posso dizer genuinamente que, apesar de nunca ter perdido, há muito que a história de um jogo de Pokémon não conseguia ter momentos tão desafiantes.

A história que nos é contada é a melhor desde Pokémon Black/White e consegue mesmo superá-la utilizando várias personagens que nos acompanham para facilitar a imersão na aventura, e ainda conseguem entregar alguma surpresa pelo caminho. Posso dizer genuinamente que existem momentos surpreendentes, não só pela acção das personagens mas também por nos entregarem aquilo que queríamos ver há muito com certas situações. O início do jogo é um pouco lento e mais focado na história, mesmo depois de recebermos o nosso primeiro Pokémon ainda demora algum tempo até podermos começar a explorar à nossa vontade.

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Alola é composta por 4 ilhas e como tal o espaço de exploração a pé seria quase nulo se mantivéssemos o sistema de mapas utilizado até aqui. É por isso que em Pokémon Sun e Moon o mapa é uma vista aérea dividido em zonas em vez de cidades. Uma zona pode conter uma cidade e dois caminhos, ou duas cidades e uma ruína. Como é óbvio, os mapas antigos seriam bastante confusos e é por isso que o nosso Pokédex assombrado por um Rotom ocupa o ecrã inferior da 3DS como um GPS que, para além de mostrar o mapa, ainda nos indica o ponto de destino.

Alola é uma região que tem imensa variedade, havendo uma ilha com um vulcão e outra com uma montanha repleta de neve. A variedade de Pokémon ainda é grande, no entanto devo dizer que senti a falta de alguns tipos de Pokémon até bastante tarde na aventura, ou caso isso não aconteça, estamos extremamente limitados havendo talvez 1 ou 2 Pokémon desse tipo. Como devem ter notado, estou a ser extremamente vago e isso é para não arruinar surpresas a ninguém.

As mecânicas que foram inseridas neste jogo vão desde pequenas distracções até aprimoramentos de mecânicas já existentes. Pokémon Refresh é o sucessor a Pokémon Amie e desta vez é uma ferramenta bastante útil. Quando terminamos um combate irá aparecer quase sempre um icon no ecrã inferior que nos pergunta se queremos cuidar dos nossos Pokémon que estiveram a lutar e para além de limpar o pó ou secar o nosso Pokémon também o podemos alimentar com feijões coloridos que parecem saídos de Harry Potter. Infelizmente não consegui entender se teriam os mesmos sabores horríveis pois os Pokémon pareceram adorar; finalmente aquela que eu considero a funcionalidade mais útil é a possibilidade de podermos curar um Pokémon que esteja a sofrer de algum Stat Change como Burn ou Paralyzis.

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Algo que foi inserido foi a funcionalidade de tirar fotografias a Pokémon em certos locais, o Poké Finder. Este mini-jogo ao estilo Pokémon Snap é engraçado durante os primeiros momentos mas torna-se enfadonho rapidamente e mesmo que o alarme dispare a dizer que podemos tirar uma foto num certo local, o mais certo é ignorarmos o aviso uma vez que existem coisas mais importantes e interessantes a fazer, para além de que podemos lá voltar quando quisermos. O jogo pretende que utilizemos o giroscópio da 3DS para controlar a câmara, o que funciona bastante bem, mas também utilizar o Circle Pad. Cada foto irá valer um certo número de Likes e quantos mais Likes tiverem mais depressa evoluem a câmara. Quando a câmara evolui irão ganhar uma nova capacidade.

Lembram-se dos HM? Eles desapareceram e foram substituídos por um sistema de rides. Agora em vez de utilizar Surf para entrar na água irão chamar um Pokémon com um dispositivo e poderão utilizar esse Pokémon para superar o obstáculo. Existem mais de 6 rides mas não vou referir nenhuma em específico para além do Tauros que está na Demo pois algumas foram surpresas aterradoras. Isto proporciona muito mais do que slots para outros ataques à nossa escolha, pela primeira vez é possível fazermos a equipa que queremos sem pensar num Pokémon para utilizar Surf, outro para Strenght, outro para Cut e por aí fora. Pela primeira vez na minha vida não coloquei um Pokémon de água na equipa, foi uma decisão parva? Foi sim senhor, pois poderia ter-me safado de certas situações, mas soube-me pela vida fazer uma equipa daquilo que bem me apeteceu.

E agora o Elefante na sala, os Z Moves, estes ataques são sem dúvida alguma uma melhoria sobre as Megaevoluções. Agora qualquer Pokémon pode desfrutar de um boost extra, ou seja, acabaram-se as equipas escolhidas a dedo pela Megaevolução ou quase, uma vez que continuamos a ter Megaevoluções no jogo mas são deixadas para o lado competitivo do mesmo. Os Z Moves precisam de um cristal do tipo do ataque a ser utilizado e irão ganhar estes cristais durante a aventura. Ainda assim envolve alguma estratégia uma vez que os cristais precisam de ser equipados e isto vai obrigar-nos a escolher entre items ou os Z Moves para um dado Pokémon. Ainda dentro das batalhas foi inserido o novo Battle Royal que é um modo para 4 treinadores onde o primeiro a derrotar um Pokémon vence. É engraçado mas nada que nos distraia por muito tempo. Continuando na onda dos combates quando encontramos um Pokémon selvagem em Alola este pode chamar amigos e apesar de ser engraçado também consegue irritar quando estamos prestes a apanhar o Pokémon e ele decide chamar um amigo fazendo com que tenhamos de derrotar um dos dois antes que o consigamos apanhar… e depois temos que pedir aos deuses de Alola para que o Pokémon não volte a chamar ajuda.

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Agora quando os Pokémon são depositados no PC eles vão para a ilha, e não digo isto como quem diz a uma criança que um animal de estimação foi para a quinta, existe mesmo uma ilha onde os Pokémon andam felizes à volta de um feijoeiro mágico, o Poké Pelago. Quantos mais Pokémon apanharem mais ilhas irão desbloquear e mais prémios poderão recolher. Até podem conhecer novos Pokémon.

Lembram-se de na 5ª geração em Pokémon White 2 e Black 2 termos um corredor repleto de lojas e visitantes? Essa funcionalidade está de volta mas desta vez é a Festival Plaza. Nesta zona é possível tirar bilhetes de lotaria, comprar items dar massagens a Pokémon etc. O modo online ainda não está aberto e como tal não posso falar do mesmo mas se cumprirem o que foi anunciado será algo bastante semelhante ao que vimos na 6ª geração.

E como também já devem ter reparado pelos trailers e imagens é possível escolher e mudar a roupa da vossa personagem.

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O jogo tem um ritmo de desenvolvimento que, apesar de ser lento a início, acaba por ser bastante rápido conforme avançamos. Se quiserem esta aventura pode durar apenas umas horas ou pode durar imensas horas, tudo depende da exploração que queiram realizar. Existem áreas completamente opcionais assim como “missões extra” que poderão realizar por uma recompensa. O ritmo pode também ser mais elevado ou mais calmo dependendo do uso do Exp. Share que está de volta como uma ferramenta quase inicial. Já o disse no passado e volto a dizer, esta ferramenta é capaz de arruinar a diversão de um jogo de Pokémon, mas como é opcional é da vossa livre escolha. Para quem não sabe, o Exp. Share é um item que permite que todos os Pokémon da vossa equipa ganhem experiência com cada vitória, parece bom? Mas foi exactamente isto que fez de Pokémon X Y o jogo mais fácil de toda a série. Desta vez, e apesar da minha preferência pessoal, tive que o utilizar para conseguir ter a análise pronta o mais rápido possível e fiquei contente com o facto de ser um jogo que proporciona um maior desafio em certas ocasiões mesmo utilizando este item. É verdade que estive sempre uns níveis acima da concorrência mas encontrei algum desafio.

O visual do jogo continua bastante garrido, mas ao contrário da 6ª Geração, existe um maior ênfase na altura das personagens e um maior nível de detalhe. O mundo que está mais detalhado e redondo no sentido do desenho dos mapas o que acaba por ser algo mais orgânico do que ruas direitas a ligar cidades, mas a verdade é que até aqui esse modelo foi utilizado para facilitar o sentido de orientação do jogador mas com a adição de um mapa GPS no ecrã inferior senti-me sempre ciente do local onde estava e para onde tinha que ir, sem dúvida uma jogada bastante inteligente. Falando ainda em mudanças e melhorias, os novos menus são bastante intuitivos e adicionam mais algumas informações que outrora tínhamos que memorizar. Por exemplo, depois de experimentar e ver o resultado de um ataque contra um certo tipo de Pokémon, essa informação é mostrada junto ao ataque e ficamos a saber que resultado terá quando utilizado. Também podemos aceder a informação sobre o adversário durante o combate.

Onde as coisas não correm tão bem é na frame rate em batalhas que envolvem mais do que 4 modelos em combate, que é como quem diz 2 treinadores e dois Pokémon. Sim, durante os combates contra treinadores estamos os 4 em campo, se por acaso aparecer mais um Pokémon em campo é normal existirem momentos em que os fps caiem drasticamente durante alguns momentos mas lá conseguem voltar à normalidade. Isto é o que tenho a dizer de pior sobre Pokémon Sun e Moon, pois de resto está bastante bom tendo em conta que estamos a falar das capacidades da 3DS. O 3D do jogo só está disponível em certos momentos e não, não funciona durante as batalhas. A meu ver, foi uma boa decisão pois nunca funcionou muito bem na 6ª geração, o que infelizmente poderá desagradar a quem gosta de o utilizar.

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Durante a aventura iremos ser bombardeados com referências ao passado da série e acreditem que vai além das Alolan Forms de alguns Pokémon. Falando dessas mesmas formas posso dizer que se torna bastante interessante em combate obrigando-nos a perceber porque é que um certo ataque já não faz o mesmo dano quando tudo o que muda na forma é uma peruca ou um pescoço comprido. Felizmente não é só de nostalgia que o jogo está repleto e os novos Pokémon proporcionam muito mais do que novos monstros para apanhar, devo dizer que fiquei maravilhado com algumas das combinações apresentadas e encontrei um novo Pokémon para o meu grupo de favoritos, o Vikavolt. É certo que continuamos a ter combinações fracas e Pokémon que apanhamos só para encher o Pokédex mas desta vez até utilizei e treinei um Rattata maléfico, também conhecido como Alolan Rattata.

Parece que me falta falar da música que acompanha esta aventura tropical e esta é mesmo a melhor forma de descrever a música. Todas as músicas estão cheias de energia e de personalidade, são músicas que enriquecem a aventura e que conseguem entregar uma experiência musical que se tornou a minha favorita. Todas as músicas transmitem energia, algumas até arrepios.

E agora aquela pergunta que vai aparecer nos comentários: ” Então e o post-game?” Posso apenas dizer que não é o mais completo mas há coisas suficientes para nos manter entretidos.

Eu sei que há provavelmente mais duas ou três perguntas que querem fazer mas às quais não posso responder, o sentimento que tenho para com Pokémon Sun e Moon é um sentimento de felicidade. Por um lado temos uma nova região para explorar, consegui entrar numa nova zona sem saber grande parte do que ia encontrar tal como aconteceu no meu primeiro jogo de Pokémon, por outro existem pequenos momentos no jogo que estão lá apenas para agradar a esses mesmos jogadores que seguem a série há 20 anos ou 18 se viverem por estes lados do globo. Sendo o mais sincero possível, este jogo é o melhor jogo de Pokémon que eu joguei até hoje, sinto que é o jogo mais completo e que reúne as melhores características, as mudanças foram feitas pelo melhor e conseguirá agradar a novos jogadores como aos fãs de sempre e quando os créditos terminaram instalou-se em mim a saudade e vontade de voltar a jogar Pokémon como se fosse a primeira vez.

Sem dúvida alguma Pokémon Sun e Moon é em simultâneo o melhor convite a um novo jogador e a melhor carta de amor aos fãs alguma vez entregue pela Game Freak.

Positivo

  • Alola é uma região repleta de diversidadepn-recomendado-2016
  • O aspecto é excelente tendo em conta a consola em que está
  • Consegue ter momentos desafiantes
  • É uma aventura repleta de emoções e surpresas
  • Uma excelente celebração daquilo que é Pokémon
  • Banda sonora de fazer cair o queixo
  • Boa mistura de novos e antigos Pokémon
  • Mudanças e novas funcionalidades acertaram em cheio

Negativo

  • Continua com alguns problemas de FPS em alturas específicas

 

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Raizor

    e o pós-game rapaz ?

    • tylarth

      Não posso falar sobre isso xD.

  • alpha

    vou ser sincero não gostei da lista de pokemons desse jogo( têm um desenho terrível ) e muito menos dessas alonan forms … a região pode ser bonita mas não sei se vou comprar

  • Joaquim Pinheiro

    Ainda estou à espera da PN league de sun e moon como aconteceu com X and Y! Please!! Organizem batalhas e torneios!