Análise – PlayerUnknown’s Battlegrounds

Todos os anos, entre várias dezenas de jogos que são lançados com alguma qualidade, existe sempre uma espécie de jogo surpresa que surge quase do nada e se transforma numa das grandes referências desse ano. Este ano, PlayerUnknown’s Battlegrounds foi claramente esse jogo.

Perdi a conta às vezes que ouvi falar dele, das notícias que vi, o quanto fiquei surpreendido com a quantidade de jogadores que todos os dias se iam juntando à loucura e a quantidade de pessoas que compraram o jogo no global. PlayerUnknown’s Battlegrounds tinha de ser mesmo um jogaço para estar ao nível de todo o entusiasmo.

Foi com o lançamento da versão Xbox One que tive pela primeira vez a hipótese de me aventurar neste Battle Royale e tentar perceber porque tantos passam aqui várias horas por dia. Embora tenha percebido o porquê, PlayerUnknown’s Battlegrounds está longe de ser um grande jogo, muito por culpa própria.

PlayerUnknown’s Battlegrounds é um jogo do mais simples e básico que existe e mesmo sendo agora um lançamento “final”, ainda parece tão finalizado e completo como um jogo em fase Alpha. Desde o visual até aos menus e jogabilidade, é um jogo desprovido do conteúdo que podemos associar a algo completo, mesmo que esteja a ser vendido com um preço mais baixo.

Resumidamente, este é um jogo onde entram numa sala com mais 99 jogadores e depois saltam para uma ilha, onde o objectivo é encontrar armas e equipamento para ser o último sobrevivente. Para forçar o combate, a área de jogo vai encolhendo gradualmente e obrigando todos os sobreviventes a concentrar numa zona final. Curiosamente, pouco ou nada disto é explicado, pois não existe um tutorial nem forma como experimentar o jogo de forma livre. Até o processo de recarregar a arma ao início fez-me perder contra outro jogador por não saber que tinha de manter o botão de recarregar premido. Como o jogo é sempre incerto, nunca há um tempo livre para ler bem o que as coisas que apanhamos fazem ou como as aplicar, por isso são bem capazes de morrer enquanto estão distraídos a ler tudo das primeiras vezes.

Cada pessoa que joga PlayerUnknown’s Battlegrounds tem sempre histórias para contar dos seus feitos e de grandes partidas. No meu caso, tenho histórias para contar quase sempre do inverso. Tive jogos divertidos sim, mas a vasta maioria foram momentos frustrantes de morrer sem resposta contra veteranos, ser apanhado de surpresa e perder o progresso de minutos inteiros de jogo sem dar um único tiro, ficar num confronto de olhares com outro jogador porque ninguém teve coragem de avançar durante um longo tempo e ainda morrer a correr atrás da zona de perigo com esta a avançar à mesma velocidade que a personagem, não me deixando entrar. Apanhei diversos bugs e glitches ao longo da minha experiência e ainda me vi bastante confuso até perceber como podia arranjar mais objectos de personalização para a minha personagem.

Visualmente e sonoramente, PlayerUnknown’s Battlegrounds também está bastante fraco. O jogo parece saído do pior que se viu na geração anterior de consolas, com um detalhe bastante fraco, texturas horríveis e alguns problemas de fluidez (pelo menos na Xbox One S). O áudio também é fraco no que toca a músicas e em respeito a sons ambientes ou de jogo, apenas cumpre a sua função decentemente. Além disso, só existe um único mapa, que por muito grande que seja, acaba por ser repetitivo à brava.

Originalmente, ia publicar esta análise antes do final do ano passado, mas não queria estar a dar uma nota injusta a PlayerUnknown’s Battlegrounds por minha culpa. Por isso, este ano voltei à carga e ainda joguei mais umas horas com uma atitude mais positiva. Foi aí que o conceito do jogo acabou por fazer um pouco mais sentido, mas os problemas continuavam a ser os mesmos, ao ponto de começar a pensar em tantos jogos que podia jogar em vez de estar a jogar este.

Numa altura em que até existe concorrência gratuita de qualidade, PlayerUnknown’s Battlegrounds deixou-me muito decepcionado. Além do factor fenómeno, não consigo perceber como tiveram a coragem de o nomear para jogo do ano e ainda me custa a acreditar que o tenham passado a versão “final” no final do ano passado. PlayerUnknown’s Battlegrounds está longe de estar completo ou final e ainda tira proveito de ser o primeiro jogo a sério do seu género. Com a competição a apertar e com o seu aspecto Beta, não me convenceu de todo, mesmo que se tenha revelado divertido e funcional em alguns momentos.

Positivo:

  • Nenhuma partida igual
  • Sistema interessante
  • Poder jogar em equipas

Negativo:

  • Confuso
  • Limitado
  • Visual básico
  • Pouco conteúdo
  • Ainda parece uma Beta

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.
  • Mr. Henry

    Depois de 63 horas no jogo, tenho a concordar com alguns dos pontos em que anunciaste na tua análise como o próprio modo ser um bocado limitante e não haver ainda muito conteúdo no jogo para além de dois mapas e o sistema de L O O T B O X E S, mas também lembro que ainda está em “Early Access” na XBOX One (prova em baixo). A parte de ser um jogo completo ou não é discutível porque depende da noção de completo de pessoas para pessoa, por isso não irei sequer por esse caminho.

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    Por ter sido o PC a versão preferencial da BlueHole, eles dedicaram mais tempo para que ele saísse com a versão 1.0 ainda no final de 2017. É verdade que ainda falta fazer imensas optimizações para correr a pelo menos 60 FPS em todos os PCs desde o mais batata até à rig mais OP e desnecessariamente cara, no entanto eu acredito que em mais um ano de desenvolvimento eles consigam resolver o assunto. Counter Strike: Global Offensive também não era optimizado em todos os computadores quando foi lançado e agora até um laptop de 300€ consegue correr o jogo só com o CPU a 60FPS. Não é a coisa mais bonita, mas é jogável e acredito que o PUBG vai chegar a esse estado.

  • Carlos

    Jogo muito mau. Parece que tem 10 anos em termos visuais, e sem qualquer conteúdo.