Análise – Persona 5

(Esta análise de Persona 5 foi totalmente criada de forma a evitar qualquer tipo de Spoilers de história ou elementos mais importantes de jogabilidade).

Já faz mais de um mês desde que Persona 5 foi lançado para a PS3 e PS4 e quase todos aqueles que o aguardavam com bastante entusiasmo já o terminaram. Sendo um dos grandes jogos deste ano, a nossa análise esteve mais algum tempo em banho maria, mas eis que chegou finalmente a altura de dar a nossa nota.

É fácil perceber o entusiasmo gerado em redor do lançamento de Persona 5, afinal, Persona 4 foi um jogo com bastante sucesso e alvo de vários spin-offs. Como todos devem saber, aqui no PróximoNível somos grandes fãs da série e também estávamos desejosos de experimentar o novo jogo desta saga, uns com atenção máxima, outros o mais afastados possível de forma a evitar qualquer tipo de spoiler.

Persona 5 é em muitos aspectos o jogo pelo qual todos esperavam e aquilo que prometia ser, no entanto, consegue ser ao mesmo tempo o jogo ideal para quem nunca experimentou Persona e até outros jogos dentro do género, algo que não é de todo fácil de fazer.

Tal como nos anteriores, aqui jogam como uma personagem principal silenciosa, a qual é um reflexo daquilo que o jogador escolhe como resposta, ou o que deseja fazer. Não é que na realidade as vossas escolhas influenciam em larga escala o desenvolvimento da história, mas ajuda a dar um pouco mais de interacção e sentimento de pertença. Estas escolhas vão influenciar o tempo que passam com alguém, o que respondem nas perguntas da escola, ou o que vão fazer durante o dia.

Curiosamente, Persona 5 começa de uma forma bem mais estranha e pouco amigável do que os anteriores. Se em Persona 3 e Persona 4, toda a gente parecia muito amiga e disposta a dar as boas-vindas, aqui somos tratados como um delinquente e um estorvo para a sociedade. Esta mudança no tema e o facto de se passar numa cidade esmagadora, criam um ambiente opressivo que funciona bastante bem e vai deixar alguns jogadores menos confiantes nas primeiras horas. Claro que a história avança e vão começar a fazer amizades que serão também aliados valiosos, ou a tratar todos os cantos de Tóquio por “tu”.

A cidade está repleta de zonas para explorar e personagens com quem interagir. A Atlus fez um bom trabalho em construir o mundo de jogo, assim como o encadeamento entre pontos de interesse que fazem sentido. Podem navegar pela cidade directamente a pé ou através de menus, o que faz poupar bastante tempo. Explorando durante o dia ou noite vai criando novas oportunidades e abrir novas actividades que podem realizar.

Durante o dia dito “normal”, a ideia é ser um aluno e cidadão exemplar. Vão à escola, interagem com outros colegas, vão passear pela cidade, estudam, vão ao cinema, entre outras dezenas de coisas que servem na realidade para melhorar as vossas características assim como os links sociais. Desenvolver os links sociais é essencial para a outra grande parte do jogo, onde assumem o papel dos Phantom Thieves.

Se de um lado temos um simulador de vida social urbana, fora disso podemos entrar nos palácios, mundos alternativos pertencentes a pessoas com egos e crimes suficientemente grandes, para criar fortalezas recheadas de guardas, monstros e corredores que precisam de conquistar. O objetivo passa por chegar ao fim do palácio e roubar o tesouro do seu dono. Estranho? Muito, mas bem ao estilo de Persona.

Dentro dos Palácios vão ter de combater contra vários inimigos no sistema clássico por turnos, onde cada vantagem é aproveitada como um turno extra. Os combates exigem alguma atenção e estratégia, pois certos encontros podem ser bastante complicados. Para ajudar, agora podem esconder nas esquinas e paredes para controlar as movimentações dos inimigos e apanhá-los de surpresa. Melhor ainda, agora estas Dungeons são criadas de raíz, por isso existe todo um mapa bem construído que procura ser o menos repetitivo possível.

Para ser bem sucedido num palácio é preciso ter em atenção dois tipos de inimigos especiais, a barra de SP, que permite curar as personagens e usar magias essenciais para continuar a avançar pelos mesmos e claro, a detecção de colisão, pois somos muitas vezes apanhados pelos inimigos por virar uma esquina ou saltar de um esconderijo apenas porque o jogo não conseguiu perceber para onde queríamos ir. Se não tiverem cuidado, isto pode resultar num Game Over.

Claro que tudo isto pode parecer algo estranho para quem nunca jogou Persona, mas tudo aquilo que compõe a jogabilidade de Persona 5 faz dele um jogo bastante vasto, divertido, viciante e com muito para dar. A história é longa e com tantas ramificações que raramente vão aproveitar os dias de jogo para fazer exactamente a mesma coisa. Se num dia escolhem visitar um palácio e fazer mais uns combates, noutro já podem convidar uma das outras personagens para ir sair e melhorar as vossas ligações. Caso tenham dúvidas, se a consola estiver ligada à Internet, podem consultar resultados globais de outros jogadores e ter uma ajuda no que devem decidir.

Além dos palácios, ainda existe uma zona extra composta dos desejos e crimes dos habitantes de Tóquio. Conhecidos como Mementos, esta zona é composta por níveis que oferecem histórias alternativas e mais inimigos que podem lutar para melhorar as personagens ou juntar novos Persona à vossa equipa. Os túneis vão mundando consoante os dias e também sofrem com a mudança das condições meteorológicas.

Já que falamos nos Persona, fiquei bastante satisfeito com o modo como agora estes se juntam à equipa. Quando lutam contra um, podem entrar em negociações com este e tentar fazer com que se juntem à equipa, ofereçam dinheiro, entre outras coisas. Este sistema foi retirado directamente dos jogos principais de Shin Megami Tensei e encaixa aqui muito bem, conferindo o carisma necessário que faltava aos Shadows dos Persona anteriores. Como sempre, podem também fundir os Persona para obter outros mais poderosos.

Agora está na altura de falar do visual de Persona 5, que é apenas e só um dos jogos com mais estilo que saiu nos últimos anos. Apesar de não aproveitar na totalidade as capacidades da PS4 (a PS3 já é outro caso), a arte e a forma como os menus foram criados é simplesmente algo de outro mundo. O jogo parece que está sempre em movimento e que tudo está a fluir de forma suave mas com estilo. Já estava à espera que fosse um jogo de encher a vista, por isso nem o facto de não ter gráficos soberbos o impede de ser um portento visual.

Tal como nos anteriores, a Atlus fez questão de se empenhar na localização, por isso podem jogar tanto em inglês como japonês. Na minha opinião, mesmo tempo jogado em inglês, o que ouvi da versão japonesa mostra que as duas versões são altamente recomendadas. É verdade que por vezes o Morgana consegue ser demasiado repetitivo e algumas vozes parecem demorar a encaixar, mas no global é um grande trabalho.

Ainda dentro do departamento sonoro, temos certamente um dos melhores pontos do jogo, a banda sonora. Quem conhece Persona, sabe que a banda sonora é algo importante e de extrema qualidade, pois bem, preparem-se para mais uma composição musical soberba com várias músicas que se tornam em clássicos instantâneos e me fizeram ouvir a banda sonora vezes sem conta, quando não estava sequer a jogar o jogo. É assim tão boa? É ainda melhor que isso.

No que toca ao elenco de personagens, tal como é natural, nem todos vão ser do vosso agrado. No meu caso, gostei dos primeiros aliados que se juntam à equipa, mas a personagem que surge como aliado no segundo palácio é capaz de ser uma das que menos gosto em todos os jogos de Persona. Mesmo assim, podem contar com personagens memoráveis e guerras de “waifus” para durar muitos anos.

Para alguém que está totalmente fora do universo de Persona, esta é uma análise certamente estranha e até confusa. A série Persona é algo que precisa ser jogado e experimentado para se perceber onde pretende levar os jogadores e tudo aquilo que tem para oferecer. Após algumas horas de jogo, vão começar a perceber o porquê de ser um dos JRPG mais adorados do momento.

Se nunca jogaram Persona, Persona 5 é a forma ideal de entrar na série. O sistema de combate e exploração foi refinado, as personagens são boas, a história está bem desenvolvida e existe muito para fazer ao longo de várias dezenas de horas. O trabalho depositado neste jogo demonstra não só mestria, mas também que a Atlus soube evoluir algo já excelente para um novo patamar de qualidade. Por isso mesmo, Persona 5 é um dos melhores jogos desta geração e claro candidato a jogo do ano.

Positivo:

  • Visual e arte
  • História e personagens
  • Links sociais
  • Masmorras bem criadas
  • Interacção com os Persona
  • Combates por turnos aprimorados

Negativo:

  • Alguns inimigos menos interessantes
  • Problemas com colisão ao esconder
  • História perde velocidade por vezes
  • Morgana adora dizer que é o maior, pela milésima vez seguida…

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.
  • Eduardo Herculano

    Para mim o ‘jogo do ano’ sem dúvida seguido de FF XIV stormblood que ainda está por vir xD

  • Raizor

    Excelente análise Daniel 😉

    “Se nunca jogaram Persona, Persona 5 é a forma ideal de entrar na série” – é um argumento de peso para comprar o jogo sem dúvida

    Vai estar no top de jogos do ano certamente, só é pena ainda nao o ter aqui, vou ter que esperar que desça de preço

  • _GM_

    Nunca joguei um jogo da série Persona. Vou experimentar este…. depois de terminar os cerca de 8 jogos que ainda tenho na PS4.

    • Raizor

      que fartura xD

      • _GM_

        Estou no DS3. Ainda tenho os quatro Uncharted’s para jogar, The Witcher 3 (mas antes ainda quero jogar o The Witcher 1 e 2 no PC), Fallout 4, The Last Guardian, e o MGSV Complete Edition. Fora jogos que já experimentei/joguei em consolas de amigos/primos mas que na minha PS4 ainda não comecei.

        Provavelmente, Persona 5 só pró ano.

        • Raizor

          porra !!! fartura de qualidade

  • r2

    Negativo: Morgana é o absoluto poder no que toca à hora de ir dormir xD

  • Silver4000

    Ainda tenho de o terminar (embora possa dizer com certeza de que estou na última dungeon), mas a jogabilidade é a melhor da série até agora. Já em termos de história e personagens, ehhh…

    Primeiro estava reticente quanto a um cenário baseado na realidade, já que nos anteriores era apenas mais uma cidade inventada e coise, mas por acaso até conseguiram dar um certo interesse e vida à cidade. Nos outros Persona os NPCs eram poucos, mas aqui tem pelo menos o triplo de random NPCs que é possível ver, embora apenas alguns tenham diálogo, ao contrário dos Persona anteriores. Eu por exemplo gostei bastante de no primeiro dia ter que procurar pela estação para ir para a escola, e as várias actividades disponíveis foram bastante agradáveis.

    Por acaso neste jogo comecei a tomar cuidado com o que escolhia para fazer durante o dia. Começando a apontar num papel os SL disponíveis (que aparentemente é random), trabalho, descontos em produtos, etc.. e tenho a dizer que me ajudou bastante durante o percurso do jogo.

    A história por sua vez tanto tem os seus altos como baixos, mas acaba por ser interessante na sua maioria, embora ache que perca gás perto do final. Já os Social Links, a maioria acaba por não ser tão forte como nos jogos anteriores. Acho que já falei disto anteriormente, mas a maioria dos SL demora imenso a arrancar para algo interessante no que toca a personagens secundárias, já em termos de colegas de equipa acaba por ser bastante desinteressante já que a sua parte foi tratada na história principal.

    Por exemplo, no Persona 4 em termos de história as personagens tinham de se aceitar como eram, e os seus SL era baseado nas mesmas terem de lidar com a sua vida após o sucedido. Enquanto que ao mesmo tempo pensavam no futuro. No Persona 5 essa resolução já é meio feita na história principal, deixando o SL apenas com algo extra que acaba por não ter força.

    No final, em termos de jogabilidade acho que nunca mais vou poder jogar um Persona que tenha saído antes deste. Já em relação a história e personagens, Persona 4 (Golden) continua a ser o melhor, pois teve mais eventos, mais diversidade em relação a comédia e assuntos sérios. E mais importante, soube trabalhar as personagens como um grupo.