Análise – Persona 4 Golden

Ao longo das várias gerações de consolas, surgiram vários jogos que conseguem ser facilmente um dos expoentes mais elevados do género. Super Mario Bros 3, The Legend of Zelda Ocarina of Time, Final Fantasy VII, estes são nomes de jogos que marcaram gerações e consolas.

Na era 128 Bits, muitos podem alegar que o mercado ficou maior e mais variado, e que os melhores jogos dependem do gosto de cada um, mas dentro do género RPG, Persona 4 é bem capaz de ser um dos melhores da geração anterior.

Sendo um dos meus jogos favoritos de sempre, a confirmação de um lançamento para a PS Vita foi vista com bons olhos, mas era difícil acreditar que alguma vez a Atlus iria transformar um jogo fenomenal em algo ainda melhor. Persona 4 Golden é a prova que existe sempre espaço para evoluir.

Caso não conheçam a série Persona, esta é um spin-off da saga Shin Megami Tensei, a qual trouxe até nós um sistema de combate em RPG por turnos e uma mistura de gestão de vida pessoal com treino de demónios que podem combater a nosso lado.

Persona 4 levou este sistema mais a peito e coloca a nossa personagem numa aldeia rural japonesa, onde precisa de ir à escola, interagir com os seus colegas e restantes habitantes, realizar trabalhos em part-time e até descobrir os objectivos de um homicida.

O que podia parecer um ano simples de aulas, transforma-se numa investigação entre amigos, ao descobrir que um assassino anda a atirar pessoas para dentro do mundo da televisão, e que ao final de alguns dias de chuva, a chegada do nevoeiro resulta no aparecimento do corpo da vítima.

Ao descobrir isto, a nossa personagem e os seus amigos de escola acabam por ser os únicos capazes de entrar no mundo da televisão e invocar os demónios conhecidos como Persona, para os ajudar a derrotar as Shadows, criaturas que habitam este mundo paralelo e que atacam quem ousa lá entrar.

O sistema de jogo é então dividido entre o dia-a-dia em que vão às aulas e desenvolvem relações e amizades com outras pessoas, executam trabalhos e exploram a cidade de Inaba, enquanto tentam salvar a próxima vítima que é atirada para a televisão.

O esquema de jogo é uma ciclo que se repete constantemente, mas não é por isso que se torna mais cansativo ou repetitivo. Há sempre que tentar decidir quais as melhores opções a tomar. Se podem gastar o dia a confraternizar com alguém o que ajuda a subir o nível do seu Arcana, para assim criar Personas mais fortes, ou visitar as masmorras do mundo da TV para treinar, ganhar mais dinheiro, evoluir a personagem, o seu Persona e tentar salvar a vitima  antes da chegada do nevoeiro.

A principio o jogo parece fácil, mas à medida que a história avança, ganham mais amigos e as masmorras ficam maiores, assim sendo, não vão ter quase mãos a medir e isso vai obrigar a que tenham de tomar decisões ou fazer uma certa escolha numa determinada altura. Como já devem ter percebido, a única forma de aproveitar Persona 4 Golden na sua totalidade é repetindo o jogo por mais que uma vez.

O melhor de tudo é que a Atlus conseguiu transformar esta conversão num jogo ainda mais recheado e imprevisível que o original. Nesta versão a atenção dada ao pormenor foi levada a extremos, com muito mais exposição, mais coisas para fazer, mais eventos a acontecer em quase todos os dias, mais missões e algumas alterações na forma como exploram as masmorras resultam no aprimorar  da experiência.

Agora, algumas das personagens secundárias são introduzidas com alguma antecedência, existem mais sequências onde ouvem rumores que ajudam a explicar ou anunciam eventos do jogo, e tudo isto torna Persona 4 Golden numa experiência mais imersiva e empolgante.

As masmorras agora são exploradas nível a nível, o que resulta em mortes menos frustrantes que no passado. Agora basta fazer “retry” e começam no início do andar em que estavam, perdendo apenas o que foi ganho antes de terem mudado de piso. As cartas obtidas no final de cada combate também foram alteradas, beneficiando mais os Persona com cartas que os fazem evoluir ou aumentam as suas estatísticas, chaves para abrir baús, e cartas de habilidade que podem oferecer a Marie.

Falando em Marie, esta nova personagem feminina que podem encontrar no Velvet Room é uma das novas grandes adições do jogo. Não só podem desenvolver uma amizade com ela, como esta ainda trata das vossas cartas de habilidade que ensinam poderes aos Persona, como a sua presença ajuda a explicar alguns dos pormenores da história que ficavam mal explicados no original.

Com a passagem para a PS Vita, a Atlus resolveu que estava na altura de acompanhar a evolução da consola e introduziu algumas funcionalidades relacionadas com o Online. Agora, vão poder ver estatísticas de algumas opções tomadas por outros jogadores, além de ser possível usar ou deixar mensagens no chão das masmorras, as quais curam as equipas de outros jogadores que estejam online. Uma opção ao estilo de Dark Souls que funciona bastante bem e acaba por não ser intrusivo.

Graficamente, Persona 4 Golden não evoluiu muito em relação à versão de PS2, mas não fica nada mau na PS Vita. Os modelos das personagens estão mais trabalhados e são muito menos quadrados que na versão original. Foram adicionadas novas zonas a Inaba e desenhos em HD das imagens de cada personagem para os seus diálogos. Pode não ser o jogo mais bonito da PS Vita, mas também não é um jogo feio ou que não aproveite as capacidades da consola.

A nível sonoro, podem contar com uma banda sonora fantástica à qual ainda foram adicionadas algumas músicas inéditas. O que está cá é bom e promete ficar na vossa cabeça mesmo quando desligam a consola. Quanto às vozes, vão ter direito a uma série de actores de qualidade, mas mesmo que a nova voz inglesa do Teddie esteja à altura do original, demorei bastante tempo a aceitar a nova voz da Chie.

Persona 4 Golden é um jogo que ainda demora umas boas 60 a 70 horas a acabar da primeira vez, e além da história normal, podem contar com um New Game + que oferece mais opções e um menu extra onde podem ver filmes, trailer e ouvir músicas que desbloqueiam ao jogar o jogo.

É sempre bom ver um jogo deste calibre chegar a uma nova plataforma onde os fãs e uma nova audiência o vão poder apreciar. Mesmo que tenham jogado o original, a atenção a tudo o que foi adicionado faz com que faça sentido regressar a Inaba e resolver o mistério vezes e vezes sem conta. Mesmo já tendo acabado o jogo antes, dei por mim a ficar novamente preso à história e a todas as personagens, o que prova que é um produto de qualidade que merece ser jogado.

Mesmo sendo um jogo com alguns anos e tendo sido idealizado para uma era onde os RPG japoneses ainda eram reis e senhores, Persona 4 Golden chega à PS Vita como um dos melhores jogos da consola e um dos melhores RPG do ano em qualquer plataforma,  acabando também por colmatar a ausência de grandes RPG na portátil da Sony.

Positvo:

  • Sistema de RPG e gestão de vida social de grande qualidade
  • Adição de inúmeras novidades tornam a aventura ainda mais imersiva
  • Novo sistema de cartas e exploração de masmorras encaixam bem numa consola portátil
  • Introdução de Marie preenche algumas lacunas na história
  • Modo online ao estilo de Dark Souls discreto mas bem pensado
  • Eis o RPG de alto gabarito que a PS Vita necessitava

Negativo:

  • Evolução gráfica podia estar mais trabalhada
  • A voz original da Chie encaixava melhor na personagem

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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