Análise – Penny Dreadful T1-2

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Penny Dreadful, como eu esperei por uma série destas, já aqui me assumi como fã do tema sobrenatural, especialmente quando estamos perante uma criatura trabalhada para além do propósito do romance… Sim estou a olhar para aqueles vampiros que brilham ao Sol e para os que mudam a cor dos olhos mantendo toda uma forma humana por razões atractivas.

Verdade seja dita que poderia estar aqui a desenvolver este tema em detalhe mas fica para um próximo artigo, por enquanto fica apenas a ideia de que o material que serve de base a esta série é uma coleção de pequenos volumes de literatura de segunda categoria do século XIX.

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Hoje em dia poderemos não os considerar como tal, mas na época em que foram lançados, estes não passavam de pequenos livretes vendidos semanalmente por “1 penny”. E claro está, dado os temas maioritariamente trágicos destas aventuras por partes, o nome comum para estas publicações passou a ser “Penny Dreadful” entre outros nomes com o mesmo significado.

Se ainda não estão minimamente dentro do assunto foi através destas publicações que nasceram algumas das histórias mais conhecidas no folclore tradicional de hoje em dia. Assim é baseando-se nestes contos que Penny Dreadful conta a sua própria história.

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O grupo central de personagens é bastante consistente, Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton) é um homem que tem uma família abastada, dedicou muitos anos da sua vida a realizar expedições a África onde encontrou mais do que esperava, tanto a sua glória como parte das suas mágoas. Actualmente vive afastado da sua mulher enquanto procura por Mina (Olivia Llewellyn) que na primeira temporada aparenta ter sido raptada por uma criatura sobrenatural, para quem já tenha conhecimento prévio desta personagem sabe perfeitamente o que vai encontrar.

Esta é a demanda da primeira temporada, no entanto Malcolm não está sozinho pois aquela que é considerada por muitos como a chave do sucesso de Penny Dreadful, está também ela sempre presente e no fundo é Vanessa Ives (Eva Green) o centro da história. Esta personagem é sem dúvida uma das mais bem trabalhadas do ramo, tem momentos de lazer, loucura comédia, enfim uma verdadeira pessoa para além de um estereótipo. A razão pelo seu destaque vai mais além do que o guião pois Eva Green faz um trabalho absolutamente espetacular. Durante o desenrolar da história vamo-nos aperceber que Miss Ives consegue contactar com o oculto e acaba por ser ela o elo de ligação entre Mina e a “companhia” que é formada para a salvar.

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Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway), aqui apresentado como um jovem cientista à beira das suas descobertas mais famosas que acabam por ser desenvolvidas nas suas próprias sequências, e Ethan Chandler (Josh Hartnett) um americano em fuga do seu país com um segredo de arrepiar. Este é o núcleo principal, existindo depois personagens secundárias que têm também elas uma grande presença seja por motivos futuros ou para auxiliar o desenvolvimento de certas características das personagens.

Duas dessas personagens são Dorian Gray (Reeve Carney), uma personagem que é desenvolvida pelo mistério suscitando dúvidas no espectador sobre as suas acções, mais uma vez o nome poderá não ser estranho, desvendando assim o segredo de imediato. E Brona Croft (Billy Piper) que tem um papel de destaque na segunda temporada que transcendeu as minhas expectativas.

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Tudo isto é misturado com o oculto, desenvolvimento de personagens e motivações para apresentar uma série de primeira, em contraste com o seu material original. Penny Dreadful soube também demarcar os seus tempos de acção. Ao contrário de muitas séries que escolhem terminar cada temporada a meio da acção final, Penny Dreadful termina a sua narrativa principal de forma fechada na primeira temporada, deixando apenas um leve aroma no ar sobre o que aí vem. Pessoalmente agradeço por isso, até porque facilita em muito o entendimento da história.

A segunda temporada usufrui de mais dois episódios do que a primeira mas honestamente não sei até que ponto não foram mal utilizados. O epílogo da história da segunda temporada deixou-me um sabor amargo, desenvolveu-se demasiado rápido, felizmente as histórias secundárias vieram colmatar esta rapidez e parece que teremos que esperar pela terceira temporada de Penny Dreadful para saber o que aí vem.

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Visualmente é uma série impressionante, dado o facto de se passar em Londres e que cada cena passada na rua exigir um pano de fundo bem trabalhado, a minha única queixa é ainda não terem explorado devidamente uma certa ponte em construção.

No fim uma coisa é certa, a história contada em Penny Dreadful é estonteante, capaz de agarrar qualquer um. Trata as criaturas sobrenaturais de uma forma realista, acabando por sair a ganhar com isso. A forma de fazer realçar a importância de certos acontecimentos é excelente, é uma das poucas séries em que não existiram, para mim, momentos a mais.

Positivo

  • Londres do sec. XIXpn-recomendado-ana
  • Eva Green
  • História
  • Tratamento das personagens

Negativo

  • O simples facto de reconhecer o nome de algumas personagens estraga parte do mistério
  • Alguns momentos demasiado convenientes

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