Análise – Operation Abyss: New Tokyo Legacy

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Um Dungeon Crawler sucessor de Demon Gaze tem tanto de corajoso como de interessante. Como se não bastasse ter a componente de um RPG Japonês a seu favor, Operation Abyss: New Tokyo Legacy ainda vai recorrer a elementos como horror, crime e ficção.

O jogo tem logo início numa situação de impacto estrondoso: acordam no meio de uma masmorra, rodeados de cadávers e zombies, quando aparece um rapaz de capuz que vos dá a escolher confiar nele e serem salvos ou não. Para dizer a verdade, seja qual for a vossa resposta, o rumo da história não é afectado. Como o “heróico rapaz” não é suficientemente forte para dar cabo das criaturas geneticamente modificadas, os Variants, aparece a destemida Capitã Alice, que salva a situação de forma competente.

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É contada uma história esquisita sobre a vossa personagem ter sido raptada e ter o dever de prestar serviços à CPA, Code Physics Agency, juntamente com outros membros adolescentes e com ADNs tecnologicamente trabalhados.

Para compensar a falta de influência no modo história de todas as escolhas que achamos que tomamos ao longo do jogo, podemos pelo menos “tomar as rédeas” no que toca a escolher e decidir as características dos personagens com os quais lutamos. Isto no modo Clássico em que podemos elaborar do zero um membro da equipa.

Operation Abyss: New Tokyo Legacy começa sempre com os mesmos seis elementos de raiz no modo Básico, ideal para principiantes neste estilo ou para se ambientarem ao jogo, podendo depois fazer qualquer tipo de alterações ao esquadrão.

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Todas as personagens de origem têm um aspecto e características curiosas, conseguimos imaginar personalidades cativantes relacionadas com a categoria e habilidade de cada um. E pronto, ficamos por aí, a imaginar. Porque os membros do nosso esquadrão não estão emocionalmente envolvidos na história. Isto até faz sentido, porque se tivessem uma presença delimitada e bem definida, não poderiam ser personalizáveis ou substituídos por personagens criados pelo jogador. Mas assim, dá a sensação de que estamos a caminhar sobre um passeio sem algumas pedras da calçada. Faltam partes. São personagens com demasiado potencial para não merecerem uma história marcante e cheia de conteúdo ilustre.

Por outro lado temos o apoio “humanóide” do Staff da CPA e dos habitantes da zona. São feitos alguns comentários de vez em quando, por vezes há humor, recebemos conselhos e instruções quando necessário mas nada de muito estável. Ao início é recebida demasiada informação para depois haverem situações de tráfego de missões, em que a equipa ainda amadora “Abyss Company” é enviada de dungeon em dungeon para completar tarefas com poucas explicações em troca.

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Felizmente, para as baratas tontas como eu, existe um Squad Handbook à mão, literalmente, a qualquer altura. A gestão dos itens pode ser um pouco confusa, são utilizados conceitos novos sem serem acompanhados de uma definição, há certas alturas em que é difícil progredir na acção porque há algo necessário que não foi referido e que temos de descobrir autonomamente… Pois bem, um Guidebook normalmente serviria para relembrar algumas coisas ou tirar dúvidas, mas este parece-me ter uma função um pouco mais decisiva em que é mesmo obrigatório ler alguns tópicos para nos podermos aventurar sobriamente. É o preço a pagar por Operation Abyss: New Tokyo Legacy não nos estar a bombardear constantemente com tutoriais chatos. Nada é perfeito e para se jogar este Dungeon Crawler em condições é fundamental perceber-se a sua ciência.

Os combates são (não surpreendentemente) por turnos. Mas têm características (surpreendentemente) únicas: são rápidos, muito rápidos, mesmo as lutas contra os bosses. A estratégia é quase toda feita em pré-combate e quando se pisa o campo de batalha é só contar “1, 2, 3, música!” e começa a actuação da coreografia treinada e preparada no laboratório. A formação em que posicionamos os lutadores é crucial para uma boa estratégia “defensivo-ofensiva” equilibrada.

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Há várias hipóteses de comportamento em combate: Ataque físico, feitiço, protecção e habilidade, e são os Blood Codes que determinam o papel de cada membro individualmente. É ao combinar os genomas de vários Blood Codes que conseguem progredir mais facilmente no jogo.

Tudo gira à volta de uma boa utilização dos vários menus. Usufruam da terapia em laboratório, estudem os Blood Codes, façam upgrade dos status certos para cada elemento, ponham os “soldadinhos” na formação mais correcta e vão-se a eles porque em combate contra um grupo de Variants, nem a opção de se escolher o alvo especifico que se pretende atingir existe. O ataque é aleatório.

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Boas notícias: Operation Abyss New Tokyo Legacy é a favor do livre-arbítrio e permite-nos visitar a base para recuperar vida durante as missões. O laboratório é também o único sítio onde os membros da equipa podem passar de nível, mesmo que já tenham pontos de experiência suficientes, têm de passar pelo “Rest” para ficarem oficialmente mais fortes. Agora para vos complicar a vida: Isto de ter a hipótese de abandonar a missão para ir à Academia restabelecer HP ou subir de nível também pode ser um problema, porque vai sempre haver o conflito entre “estou com pouca vida e poucos recursos, é melhor voltar e prevenir” e “mas só falta um bocadinho, eu consigo… depois não me apetece fazer este caminho labiríntico outra vez, vou continuar a exploração e, se me safar, concluir a missão”. “Decisions, decisions” citando os “célebres” Borgore e Miley Cyrus.

Em relação a caminhar por este Japão apocalíptico e do futuro: há adrenalina mas não são os gráficos mais impressionantes de sempre, para não falar de que o cenário está programado para ter o aspecto de um Dungeon Crawler Old School“, com labirintos em 2D e exploração na primeira pessoa, em que o analógico direito tem a função de mover a personagem para os lados de forma recta. O mapa assume uma grelha e cada passo ocupa uma “casa” no chão, o que é interessante de se experienciar na PS Vita.

Os cenários estão revestidos de tons cinzentos e castanhos, cheios de bolor e paredes deterioradas, o que é o máximo quando chega a altura de lutar e aparecem as cores vivas e ricas em saturação das armaduras, armas e cabelos das personagens. É pena que as cenas sejam muito estáticas e paradas, porque a arte está muito apelativa, era digna de algum movimento e dinâmica.

Ao jogar Operation Abyss: New Tokyo Legacy de phones, percebi que estava presa naquele mundo. A música é infecciosa e oferece a atmosfera que o jogo pede, a exploração é agressiva e exponencialmente mais perigosa, à medida que se avançam nas masmorra.

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Os sons emitidos pelos inimigos são adequadamente assustadores e intimidam mesmo! Por outro lado, as personagens “falantes” têm uma gravação de um som ou de uma fala cada e é só esse audio que reproduzem por cada intervenção cinemática que acontece, exceptuando algumas vezes em que verbalizam toda a legenda do diálogo e em que a tradução está à altura das expectativas.

Existem “armadilhas” montadas para prevenir que o pessoal que se entrega dezenas de horas ao jogo nunca se aborreça. Os labirintos estão repletos de “Hidden Areas”, enigmas, áreas que parecem inacessíveis, modos em que o espaço sofre alterações (como ficar tudo às escuras ou zonas de tele transporte inesperado). Os puzzles podem ser bastante complicados, mas assim que se começa a sentir uma ligeira frustração, surge uma pista e é tão gratificante poder-se finalmente dar a volta e prosseguir. O “timing” destes “plot-twists” está no ponto.

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Operation Abyss é único. Por muito que sinta a falta de algum envolvimento por parte das personagens, não me atrevo a fazer queixas acerca do conteúdo da história. Alguns dos Blood Codes têm informação genética mística com base em figuras culturais como Leonardo Da Vinci, Joana D’Arc, etc. E muitos elementos presentes no jogo simbolizam eventos épicos da história. Por exemplo: as dungeons “infectadas” são restos degradados de masmorras de guerras mundiais. Não há dúvida de que existe um “background” muito consistente e simbólico relacionado com cultura.

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Operation Abyss New Tokyo Legacy é um RPG promete impressionar com estes pequenos e sorrateiros detalhes ao longo da vossa jornada pela Abyss.

Positivo:

  • Puzzles desafiantes
  • Liberdade para personalizar e adaptar as personagens
  • Música e atmosfera absorventes
  • Gráficos clássicos em contraste com o estilo Anime
  • Conteúdo interessante e com base em factos reais e históricos

Negativo:

  • Squad Handbook de leitura quase obrigatória para se progredir no jogo
  • Menus e gestão de items um pouco confusos
  • Pouca acção em batalha
  • Personagens pouco envolvidas/decisões do jogador sem influência no rumo da história

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Catarina Perez

Sou o resultado de uma experiência feita pelo governo que correu mal. Encontro-me em missão de fuga, disfarçada de Algarvia pouco bronzeada (quase transparente), perdida pela capital com uma 2DS na mão e um Mew na Pokébola. O PróximoNível é o meu esconderijo secreto preferido onde posso fazer as coisas mais divertidas: jogar, comer, ver anime, ser tonta e jornalismo.

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