Análise – Octopath Traveler

Depois do estilo mais retro ter sido deixado completamente de lado pela maioria das grandes distribuidoras, foi graças aos jogos Indie que o visual dos jogos mais antigos voltaram à ribalta em novos formatos.

Com a vontade de recuperar estilos antigos, foi também visível as sucessivas tentativas de fazer renascer os RPG por turnos à moda antiga. Algo que só costuma correr bem quando não tentam inventar demasiado. Especialmente quando toca a grandes companhias a iniciativa de fazer estes revivalismos.

Por isso mesmo, só uma equipa ligada a Bravely Default teria a capacidade de criar algo como Octopath Traveler, um verdadeiro RPG à moda antiga, que arrisca o suficiente para misturar elementos mais actuais. Toda esta mistura acaba por resultar num dos melhores JRPG dos últimos anos, assim como um dos melhores exclusivos da Nintendo Switch.

Octopath Traveler não é um JRPG simples, pois faz algumas coisas de forma bem diferente dos clássicos. O primeiro grande impacto surge com a escolha de personagem, pois existem oito diferentes com as quais podemos começar. A partir daí podem recrutar as restantes e seguir viagem (ou não, caso resolvam ignorar esta possibilidade). Cada uma tem a sua história de origem e localização, o que dá mais profundidade ao enredo no global. É certo que algumas histórias são algo cliché, mas ter tanta variedade é fantástico.

Sendo únicas, cada personagem tem também as suas vantagens globais. Cada uma é proeficiente com determinadas armas e usa habilidade únicas da sua classe. Umas são melhores em combate directo, outras em habilidades de cura ou magia ofensiva. No entanto, é fora do combate que cada uma pode dar uso a habilidades com os NPC. Personagens como Primrose podem recrutar aliados temporários, Tressa consegue comprar coisas a preços mais baixos e uma personagem como Odric consegue desafiar alguém para um combate para ganhar experiência extra. São ferramentas interessantes que podem dar bastante jeito.

Tal como os JRPG antigos, Octopath Traveler está dividido entre mapa mundo, cidades e dungeons. Fora das cidades existe sempre muito para apanhar e monstros para enfrentar. Curiosamente, o mapa mundo está construído de forma mais linear do que os da velha guarda, mas também não é tão restrito que me tenha sentido enganado. Pelo caminho existem baús e afins para ir apanhando.

 

O combate também usa o sistema clássico por turnos, embora com algumas diferenças substanciais. Cada personagem pode atacar com vários tipos de armas, magias e habilidades que conseguem abrir as defesas dos inimigos para atacar com mais dano. A cada turno que passa ganham um ponto de Boost que pode ser usado até ao máximo de três vezes de cada vez. Combinando estes pontos, a personagem consegue atacar mais vezes de seguida ou aumentar a força/duração de uma magia. É um sistema que faz lembrar os Brave de Bravely Default e que aqui também fica bastante bem, oferecendo alguma estratégia.

O mundo é bem maior do que parece a início, mas existe muita coisa para fazer pelo caminho. Podem contar com várias missóes alternativas espalhadas pelo mundo, locais secretos para explorar e a evolução das personagens abre uma série de caminhos e evolução de habilidades. É um jogo bastante longo caso queiram fazer tudo.

Um dos destaques de Octopath Traveler desde que foi revelado foi a forma como apresentava o seu visual com o estilo 2D-HD. Eu sei que algumas pessoas vão torcer o nariz a este estilo, mas a verdade é que vão estar a perder um grande espectáculo visual. O estilo pixelizado com o tratamento de luz e efeitos em 3D é verdadeiramente bonito e impressionante. É quase como se este fosse a representação da evolução dos JRPG se nunca tivesse sido feito o salto para o 3D.

Algo que não havia na altura mas surge agora aqui em Octopath Traveler é a presença de trechos falados. Em determinados momentos mais importantes, as personagens falam com vozes em inglês ou japonês. Eu joguei a aventura maioritariamente em inglês e tenho a dizer que as vozes são bastante boas no geral. Só tenho pena que não estejam presentes em mais momentos chave. Por outro lado, a banda sonora é absolutamente irrepreensível. Estamos a falar de uma das melhores bandas sonoras que ouvi nos últimos tempos num JRPG e ao nível do melhor que se tem feito ultimamente na indústria.

Tenho certeza que muitos jogadores não vão dar a chance mais que merecida a Octopath Traveler muito pelo seu visual retro, assim como o sistema de combate por turnos. No entanto, este é um dos melhores expoentes no que toca ao estilo. Especialmente no caso da Nintendo Switch, que é onde o jogo está literalmente em casa. Seja a jogar em modo portátil ou ligado à TV. Seja qual for a vossa escolha, ambas são de encher o olho. Mesmo que seja um bocado repetitivo a espaços, é uma experiência que continua a ser empolgante e altamente desafiante.

Como grande fã e coleccionador de JRPG, acredito que sou uma das melhores pessoas para julgar Octopath Traveler de forma justa. Depois de muitas horas em redor dele a conhecer as personagens e a jogar a campanha que se desenrola, só tenho a dizer bem. Este é um verdadeiro sucessor dos melhores RPG da era das 16-bits, com alguns toques modernos que o fazem ainda melhor. É de louvar que a Square-Enix tenha tido a coragem para dar luz verde a Octopath Traveler, mas valeu bem a pena, afinal, temos aqui um dos melhores RPG clássicos dos últimos anos e um dos melhores exclusivos da Nintendo Switch.

Positivo:

  • Várias personagens em destaque
  • Visual soberbo
  • Combate por turnos desafiante
  • Banda sonora de luxo
  • Boa longevidade

Negativo:

  • Alguns momentos mais repetitivos
  • Cursor pode enganar nas selecções
  • Requer bastante grind

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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