Análise – O Rei Leão (The Lion King)

Ainda me recordo que o meu primeiro filme de animação visto no cinema, foi o Rei Leão, um dos primeiros filmes de animação da Disney a ser dobrado em português de Portugal. Foi numa sala da Lusomundo, na primera fila, onde os leões pareciam genuinamente grandes e eu era ainda uma criança pequena prestes a ficar com uma valente dor de pescoço.

Com a recente corrente de remakes feitos com imagem real pela Disney, também The Lion King (O Rei Leão) foi alvo de um retratamento no mesmo estilo, embora esta imagem real seja quase tão verdadeira como a do filme original, ou seja, o novo Rei Leão é quase feito inteiramente em CGI (imagem feita em computador).

O ponto visual é a melhor forma de começar esta análise, pois é realmente o que salta imediatamente à vista. Tal como foi feito para o Livro da Selva – Jungle Book (carreguem para ler a análise), todos os animais são feitos por computador, aos quais podemos juntar os cenários e praticamente tudo o que os envolve.

É claro que Jon Favreau (Director) tentou fazer de tudo para que este universo Disney tirasse o melhor proveito do poderio visual que foi aproveitado para criar praticamente todos os momentos do filme. Estamos a falar de um trabalho visual e técnico impressionante, onde a aparência dos animais e os seus movimentos acabam por se fundir entre aquilo que será o natural de um animal visto no seu habitat natural e a estranheza de os ver a abrir a boca para construir palavras e até cantar. A início não é tão fácil de engolir como no filme animado e não é raro que o filme salte entre o foto-realista e a estranheza do Uncanny Valley (quando um ser vivo parece artificial).

A narrativa segue o plano original (a meu ver pelo melhor), havendo poucas mudanças pelo caminho. Uma “nova” personagem suplanta uma antiga para criar uma nova ameaça e existem pequenas alterações aqui e ali no que toca a certas falas e interacções. Os fãs das músicas originais vão notar que foram feitas algumas mudanças, em alguns casos para melhor, outros para pior, especialmente quando as músicas ficam mais curtas do que nos lembramos.

Outra coisa que me chamou a atenção é o facto de alguns momentos não terem o seu espaço para respirar. Alguns diálogos parecem mais rápidos e menos marcantes e determinadas cenas parecem desnecessariamente longas (sem spoilers, a cena do tufo de pelo é um bom exemplo). Talvez uns minutos a mais no próprio filme em si, não fosse uma má ideia de todo.

A versão que vimos a convite da Disney teve lugar em Imax 3D e com a versão em Inglês. Como vi 100x mais a versão portuguesa que a inglesa, não estava tão familiarizado com as vozes originais, por isso mesmo o elenco de actores actuais realizou um trabalho excelente. Claro que James Earl Jones já sabia bem o que fazer como Mufasa, mas todos os outros estiveram bastante bem nos seus papeis, especialmente Chiwetel Ejiofor como Scar, John Oliver como Zazu, Alfre Woodrard como Sarabi, Seth Rogen como Pumba e Billy Eicher como Timon. Confesso que não fiquei totalmente fã de Donald Glover como Simba, mas a Beyoncé fez uma boa Nala. Tenho mesmo de regressar ao cinema para ver como está a versão portuguesa.

O facto de se manter fiel ao original é um dos grandes trunfos de O Rei Leão, especialmente para quem cresceu a ver o filme ao longo dos anos. Existem vários momentos marcantes que os mais velhos vão adorar rever e arranca logo nos primeiros minutos quando a música clássica começa a tocar. Curiosamente, este é um Rei Leão mais difícil de apresentar aos mais novos, pois não tem o charme e a força das expressões faciais que um filme animado consegue usar como ferramenta para apelar a este público.

Mesmo com alguns pequenos problemas, O Rei Leão da nova geração é um bom filme para todos os que viram o original e um bom filme para quem quer ver a história por uma perspectiva mais realista e até mesmo sombria. Os momentos estão cá todos e o filme original não foi mal tratado nesta adaptação, com a boa adição de ser um filme visualmente impressionante que mostra bem o que já é possível criar com a tecnologia que temos hoje em dia.

Positivo:

  • Respeita o conteúdo original
  • Imagem quase foto-realista
  • Grande trabalho vocal

Negativo:

  • Alguns momentos mais apressados
  • Chega a roçar o Uncanny Valley
  • Certas músicas não têm tanto impacto

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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