Análise – Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence

Parece que finalmente somos um público que merece receber alguns jogos que durante muito tempo estiveram restritos a audiências do país do Sol nascente, e pouco tempo depois de recebermos Romance of the 3 Kingdoms XIII recebemos agora Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence. Num primeiro vislumbre sobre este novo jogo e depois de ter analisado Romance of the 3 Kingdoms XIII posso dizer que parecia que estava a jogar o mesmo jogo, não fosse pela cinemática inicial o menu poderia ter-me enganado.

De forma a explicar isto de uma melhor forma, ambos os jogos são muito próximos na sua apresentação quer em menus quer em aspecto durante o decorrer do jogo, tal como os problemas de performance. Se a arte utilizada fosse a mesma então estávamos perante um jogo que se distinguiria apenas pela forma de jogar e acreditem que é aí que reside a diferença e para mim essa diferença foi enorme.

Para começar existem 20 cenários históricos ou seja são aqueles cenários baseados na realidade, obviamente que podem fazer os vossos eventos. Cada um destes cenários pode ser jogado da perspectiva de qualquer clã da época, e não só isso como se o clã tiver mais do que uma localização também podem escolher qual é a localização e dentro do clã ainda escolhem a personagem. Só aqui já existem inúmeras hipóteses para começar a campanha. Mas claro que não chega e existem ainda mais opções, desde dificuldade, facilidade da produção de recursos, se as personagens podem morrer ou não, se recebemos Quests históricas ou se nos ficamos pela conquista desenfreada, enfim opções não faltam.

Em Nobunaga’s Ambition e dependendo do estatuto social da personagem que estamos a encarnar teremos poder sobre um território ou territórios e cada um destes está dividido em áreas. Cada área tem uma espécie de recurso base que normalmente é o ponto forte dessa mesma área e existem certos edifícios que visam explorar esse recurso da melhor forma. Por exemplo se existir um rio a passar por perto então é um bom terreno para plantar arroz e talvez o  queiram utilizar para tal mas nada vos impede de fazer ali um campo de treino para soldados. Estas áreas são bastante limitadas tendo em conta o número de edifícios e a início temos mesmo que optar por algo que seja sustentável. Ou seja a menos que tenham reservas de ouro até ao tecto não conseguem levar a cabo a ideia de um grande exército pois não vão ter como o manter. Mas se tiverem imensa comida podem troca-la e por aí a fora até conseguirem o que querem.

Depois entra aqui o segundo factor que são os bónus a terrenos adjacentes, se construírem um teatro num terreno adjacente a um local de trabalho os trabalhadores desse local ficarão contentes mas os trabalhadores de dois terrenos ao lado não vão ao teatro porque afinal andar cerca de 200 metros é demasiado para qualquer ser humano e então não têm direito a nenhum bónus desse teatro… não é giro? Ainda mais engraçado é que qualquer que seja o edifício, seja ele uma cabana com térmitas ou uma mansão, elas ocupam todo o terreno pelo que a gestão do espaço é importante, irritante e uma das coisas que menos sentido faz para mim num jogo como este. No entanto essa é a minha opinião pois consigo perceber que o jogo funciona segunda certas regras e conforme vamos jogando e avançando existem mais opções que de certa forma vão contornando estes problemas. Com o avanço irão também descobrir que talvez não seja mesmo necessário ter a grande maioria das instalações no vosso território inicial mas existem algumas sem as quais não passamos. No fundo é um sistema que eu pessoalmente não gosto mas que consegue ter as suas vantagens e se gostarem deste sistema então  muito provavelmente irão adorar o jogo, no meu caso este é um daqueles jogos em que eu adoro o conceito mas quando finalmente vamos jogar não me consegue prender, pelo menos no primeiro impacto, a sua complexidade consegue ser esmagadora mas se estiverem dispostos a brincar com as opções mais tarde ou mais cedo poderão ficar viciados tal como acontece na grande maioria deste tipo de jogos. Ainda assim devo frisar que esse é o meu gosto pessoal e que como um todo é um sistema que funciona bem, desde que estejam dispostos a abdicar do controlo de certas opções a início e forem aprendendo a trocar, comprar e vender. Mais tarde irão ter que lidar com diplomacias que são tão importantes como a base do vosso império, se não tiverem cuidado conseguirão unir todos os outros clãs contra vocês.

Durante a vossa campanha irão encontrar pequenas missões com recompensas vindas de diversas fontes, desde um camponês solitário que só quer ir ao teatro ou até de um general que acha que a vista para a cidade é bem mais bonita do que uma vista para a floresta. Depois temos as missões principais que são o fio condutor da narrativa. Obviamente que num jogo de conquista também temos batalhas e estas são realizadas através da movimentação de grupos de soldados pelo campo de batalha com uma vista aérea. Conforme  avançam pelo mapa irão descobrir não só os soldados inimigos assim como vão percebendo os locais mais vantajosos para começar o ataque. Algo que no entanto poderá ser benéfico para quem gosta de testar a sorte é a hipótese de estas batalhas ocorrerem automaticamente.

Graficamente é um jogo que deixa imenso a desejar, não só por ser um jogo que originalmente foi lançado para PS3 mas também porque alguns problemas persistem, desde algumas quebras de fps até texturas fracas e no geral é um jogo bastante datado mesmo tendo em conta a larga escala do mundo. Felizmente no que toca a apresentação existem retratos bem trabalhados que representam as várias personagens. Existem também retratos que estão guardados para personagens originais e o sistema de criação das mesmas apesar de não ser muito profundo é bastante satisfatório e conseguimos criar personagens ao nosso gosto.

Algo a destacar pela positiva é a banda sonora do jogo que parece ter sido escolhida a dedo para ajudar o jogador a perder-se em Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence. Desde aos menus ao próprio jogo tudo fica bem composto com a música.

Resumindo a minha experiência com Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence, a início custou-me imenso a habituar-me a todo o sistema e eu, que não sou um estranho a este tipo de jogos, senti-me completamente perdido e encontrei-me a embirrar com certas opções do jogo que me pareciam decisões péssimas. Depois veio a fase em que aceitei as regras do jogo e tentei perceber o seu funcionamento mas não fui muito longe pois rapidamente encontrei mais alguns problemas que me fizeram recomeçar a campanha. Finalmente e após largas horas investidas na aprendizagem dos sistemas do jogo lá me comecei a desenvencilhar e apesar de continuar a achar algumas mecânicas ridículas consegui começar a retirar alguma satisfação do jogo. Verdade seja dita, não é o meu jogo preferido deste género, mas isso não o impede de ser divertido para quem queira despender o tempo necessário para o jogo; o que é a minha maneira de dizer que vão mesmo precisar de imenso tempo para conseguir tirar proveito de Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence. Felizmente tornou-se numa boa experiência depois do primeiro impacto.

A análise foi feita à versão PS4 e mais uma vez tenho que me debater com os controlos, este tipo de jogo não foi feito para ser jogado com um comando e o resultado está à vista. Apesar dos imensos atalhos existentes nada substitui o rato num jogo de estratégia, especialmente durante as batalhas. Percebo que para um comando este seja até agora o melhor que se consegue fazer mas não me satisfaz. É claro que com o tempo nos habituamos e nos vamos acostumando aos atalhos mas a primeira impressão é a de uma confusão extrema.

Como um todo Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence é um jogo que é apenas para os amantes do género e pouco mais, as suas formas de jogar não são muito convidativas a novatos ao género e mesmo com o longo tutorial não é fácil perceber tudo o que é necessário. É também um jogo que requer bastante tempo para ser jogado e paciência. Como já disse, se gostarem do sistema de territórios com 1 edifício irão gostar deste jogo, caso contrário este não é de todo um título indicado para vocês, se gostarem então têm aqui um grande jogo cheio de sumo para ser espremido até à última gota de estratégia ou até que o Japão seja vosso.

 

Positivo

  • Imensas opções para começar e desenvolver a campanha
  • Liberdades criativas para o jogador
  • Consegue ser uma experiência muito boa nas partes avançadas da campanha
  • Banda sonora muito bem adequada ao jogo
  • Sistema de terrenos…

Negativo

  • … para quem gostar
  • Controlos da versão PS4 são uma confusão a início
  • Gráficos bastante datados
  • Não é amigável para quem se queira iniciar neste género de jogo

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Jefferson Douglas

    Analise interessante, concordo com quase tudo que foi mencionado, gosto mais de Nobunaga’s Ambition: Sphere of Influence do que Romance of the 3 Kingdoms XIII justo pelo tema da era Sengoku do japão feudal, acho que o motivo dos gráficos não serem grande coisa deve ser com objetivo de economizar dinheiro, já que um jogo de estrategia não leva em conta tanto os gráficos, e também uma forma de atrair mais jogadores deixando o jogo mais leve para que ate os pcs mais humildes possam rodar, já como dito é um jogo feito para fãs, então que atraia o máximo possível.