Análise – Nights of Azure

Ainda bem que vivemos numa era em que quase todos os jogos japoneses acabam por ser licenciados para serem lançados no ocidente. É verdade que surge muito lixo pelo meio, mas aparecem certas propostas de relevo, como é o caso de Nights of Azure.

Criado pelos mesmos estúdios que desenvolvem a série Atelier, Nights of Azure trilha outros caminhos, não só em termos de jogabilidade, como da própria narrativa, que vai além daquilo que estamos habituados a ver na indústria dos videojogos.

Aqui jogam no papel de Arnice, uma cavaleira sagrada ao serviço de uma organização religiosa conhecida como Curia. Arnice tem como missão proteger Lilysse, uma amiga sua que é a chave para travar novamente o avanço da noite eterna, um fenómeno que engole o mundo em trevas e que liberta monstros cada vez mais poderosos.

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Embora possa parecer um pouco cliché, o destaque desta história vai claramente para Arnice e Lilysse e a sua relação de amizade que se transforma lentamente em amor. O melhor, é que ao contrário dos outros elementos cliché, este tema é tratado com pés e cabeça, não com motivos pensados para satisfazer quer os apoiantes da liberdade sexual, ou os aqueles que desejam ver fan-service lésbico pela piada da coisa. Por esse mesmo motivo, há que dar os parabéns à Gust.

A jogabilidade de Nights of Azure está dividida em dois segmentos, de forma a não parecer tão linear. De um lado temos a interação que é feita com outras personagens, seja em localizações como o hotel, ou áreas específicas, depois, existem as áreas de jogo/masmorras, que funcionam um pouco ao estilo de Dynasty Warriors, tanto em exploração, como em jogabilidade.

Quando partem para as missões, vão visitar estas áreas que podem ter diversos modelos, mas são constantes corredores e salas disfarçados de “mundo”. Quando limpam uma sala de inimigos, seguem para a outra e matam tudo o que está nessa zona para abrir as “portas” e passar para a zona seguinte. É um sistema já bastante antigo de progresso, mas que já foi feito de forma melhor e até menos repetitiva, pois Arnice não é uma guerreira dada a uma grande versatilidade de ataques, mesmo que se possa transformar numa mulher demónio cheia de poder.

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A parte mais interessante dos combate são efectivamente os Servan, criaturas de diversos tipos que podemos contratar para serem nossos companheiros de armas. Existem vários tipos de Servan, como os que atacam, os que curam e os que fazem com que os inimigos fiquem mais fracos, por isso é importante escolher a combinação de quatro que mais se adequa ao estilo de jogo. No meu caso, andei sempre com um de cura, enquanto os outros eram sempre mais virados para a pancadaria.

Além do mais, os Servan são personagens interessantes, pois cada um tem uma personalidade e falas próprias. É verdade que ainda se conseguem repetir um bocado quando estão no terreno, mas é interessante ver como a Gust se deu ao trabalho de criar vários tipos de dialecto para estas criaturas.

Embora tenha sido lançado na Europa apenas para a PS4, é bem visível que Nights of Azure começou o seu desenvolvimento na geração anterior. Tanto os cenários como as personagens parecem apenas versões aprimoradas do que estamos habituados a ver em trabalhos desta geração. De qualquer forma, tenho a dizer que os desenhos e pormenores de roupa das personagens são muito bons e que a sua cor ajuda a criar todo um contraste bastante bom frente a todos os cenários cinzentões e com muito menos detalhe.

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Um grande louvor vai para a banda sonora, que tem várias músicas de grande qualidade. Não sou um fã acérrimo de algumas músicas de combate mais simplórias, mas as de boss e todas as outras que são tocadas em situações mais calmas, são de grande qualidade. As vozes também estão bastante boas, estando todas apenas em japonês.

Em muitos momentos, Nights of Azure fez-me lembrar Pandora’s Tower, um dos jogos que mais gostei na Wii. É um jogo com muito boas ideias, que nos deixa interessado, mas ao qual temos de desculpar algumas falhas e fechar os olhos a certos problemas, para conseguir ver o que há de bom no fundo. Com essa paciência, descobri aqui um jogo que vale a pena.

Mesmo que pareça mais um RPG japonês banal, Nights of Azure não é para todos os jogadores. Todos os outros vão encontrar aqui um jogo que tem bem mais conteúdo e profundidade do que seria de esperar. Dúvido que atinja o estatuto de culto de um Nier, mas está lá próximo.

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Positivo:

  • Temas bem desenvolvidos
  • Design das personagens
  • Boa banda sonora
  • Sistema de Servans

Negativo:

  • Jogabilidade repetitiva
  • Visual da geração anterior
  • Cinemáticas bastante rígidas

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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