Análise – Need for Speed Heat

A série Need for Speed tem vindo a percorrer um percurso bastante sinuoso, as ideias surgem um pouco em todos os formatos, mas o resultado final acaba por ficar sempre aquém das melhores referências da série. Durante muitos anos, os fãs continuam a pedir por um Need for Speed Underground 3 ou um sucessor para os primeiros jogos. Tal como nos outros anos, a EA e a Ghost Games resolveram seguir por um caminho diferente.

Need for Speed Heat é a novo jogo de Need for Speed e apesar de ter um nome diferente, parece que foi feita uma tentativa de trazer alguns dos elementos dos jogos antigos para este novo. Afinal, Heat funciona como um best-off que pode ser jogado de duas formas diferentes.

Tal como seria de esperar, Need for Speed Heat tem como base um mundo aberto onde vão viver uma história relacionada com os vários estilos de corridas de rua. O jogo tem como base uma diferença entre correr à noite e de dia, havendo corridas legais durante o dia e corridas ilegais durante a noite. Só é uma pena que a história seja o típico do género. Não existem personagens marcantes e quase todos são os estereótipos típicos, cheio de pessoal com atitude, conversa cheia de gíria da “street” e uma certa falha até na escolha do nosso Avatar. Eu que prefiro sempre ir com uma personagem mais “default”, não sabia o que escolher entre tantos opostos de “diversidade”.

Felizmente a história serve apenas como pano de fundo, mas mesmo assim é complicado livrar de toda a conversa fiada que estamos sempre a ser alvo cada vez que fazemos alguma corrida ou melhoramos o nosso ranking de respeito. Curiosamente, a melhor personagem, o dono da garagem onde compramos o primeiro carro, é até das que menos tem tempo de antena no jogo e isso é uma pena, pois passamos algum tempo na garagem deste a equipar o carro num sistema que funciona muito bem. Mesmo que não seja a referência no que toca a equipar e modificar carros, Need for Speed Heat é um dos melhores neste departamento que foi lançado nos últimos anos.

A Ghost Games construiu uma nova cidade para Need for Speed Heat e há que dizer que é um cenário bastante bom. O mesmo não posso dizer de alguns circuitos, que são demasiado confusos ou recheados de armadilhas que não fazem muito sentido no ambiente de jogo, ou seja, enquanto os nosso adversários conduzem de forma perfeita e sempre com boas velocidades, dei por mim a colidir muitas vezes contra barreiras e afins, especialmente por culpa do horrível sistema de derrapagem. Ao contrário de todos os jogos onde se usa o travão para fazer Drift ou o travão de mão, Heat resolveu que fica tudo no botão de acelerar. É um sistema que não funciona bem e que cria mais problemas do que ajuda a inovar.

A condução é tipicamente arcade, o que é uma mais valia para a forma como os carros se controlam e ajuda a tapar algumas das questões duvidosas da condução. Dependendo dos carros, vão ter reacções diferentes, mas nada que chegue ao nível do que foi feito em GRID ainda este ano.

Uma das melhores coisas de Need for Speed Heat é sem dúvida o sistema dia e noite. Gostei bastante de ter as duas vertentes e jogar à noite até faz lembrar bastante Need for Speed Underground, não só pela forma como as estradas estão barradas em matéria reluzente, como o próprio estilo de apresentação segue o mesmo conceito. Os trajectos às vezes são um pouco confusos e senti que apareciam demasiados carros de condutores casuais à minha frente vindos quase do nada. Parece que Heat tenta ao máximo obrigar-nos a repetir as provas de início…

Além de tudo isto, existe ainda um modo multijogador, o qual me pareceu bastante básico e com poucas coisas que puxem pelo jogador, nem existe a possibilidade de criar corridas personalizadas em lobbies privados. Também é uma pena que a presença da polícia seja tão pouca no online além do normal, pois fugir à polícia neste jogo é verdadeiramente empolgante e construir um nível de procura durante a noite e conseguir fugir a cada uma das perseguições é sempre recompensador.

Agora, a nível visual, há que dar os parabéns a Need for Speed Heat, pois esta é uma cidade bonita com condições climatéricas fantásticas. Desde os efeitos de chuva, até ao vento a bater nas árvores, assim como a iluminação, este é um jogo com uma forte componente visual. A coisa só se perde um pouco quando entram os humanos em cena e os seus modelos e expressões parecem mais mecânicos que os próprios carros. Falando neles, podem contar com uma boa série de carros bem trabalhados e com um detalhe visual impressionante.

Por outro lado, tenho uma grande queixa em relação à música. É verdade que gostos são subjectivos, mas a maioria da música de Need for Speed Heat fica dentro do hip-hop, rap e trap e o pior é que não existe uma zona de selecção de música tal como nos antigos jogos da EA. Resultado, o meu jogo tinha uma bela banda sonora apenas dos sons dos carros, pois reduzi o volume da música para zero.

Felizmente, Need for Speed Heat não tem qualquer qualquer coisa de microtransacções e tudo pode ser comprado directamente com dinheiro e reputação do jogo. É suposto ser lançado DLC mais tarde com novos carros, mas por agora é bom ver que o que existe no jogo pode ser desbloqueado a jogar apenas.

Need for Speed Heat é uma evolução bastante positiva para a série e um jogo que se revela mais à medida que a história segue e começa a oferecer mais liberdade. A condução não é perfeita e existem várias coisas que são mais incomodativas do que bme-vindas, mas o resultado final é melhor do que a soma de todas as partes e consegue ser uma experiência bastante boa para quem gosta de jogos de corrida arcade.

 

Positivo:

  • Palm City é um bom palco de jogo
  • Sistema de corridas de dia e noite
  • Lutas contra a polícia
  • Boa personalização dos carros
  • Muito bom visual

Negativo:

  • Tão “street” que se torna embaraçoso por vezes
  • História e personagens básicos
  • Condução sofre bastante com metodo de drift
  • Não podem seleccionar as músicas que querem ouvir

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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