Análise – Mighty No.9

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Depois de ter saído da Capcom, o criador de Mega Man, Keiji Inafune, não ficou propriamente parado e fundou um novo estúdio de nome Comcept para a criação de novos jogos. O primeiro projecto a sair deste estúdio foi Mighty No.9, um jogo que gerou grande hype por ser considerado como o sucessor espiritual de Mega Man. A campanha no Kickstarter foi um grande sucesso e Mighty No.9 foi financiado com a ajuda dos fãs.

Mighty No.9 apresenta-nos o protagonista de nome Beck e que chega então às lojas para trazer aquilo que prometeu: um run-and-gun que invoca o espírito dos clássicos Mega Man e uma panóplia de inimigos para derrotar em níveis únicos para cada boss. Mas será que isto é o suficiente para fazer jus ao herói azul, ou as promessas cairão em saco roto?

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Tal como Mega Man, vamos percorrer os cenários bem ao género side-scroller e disparar contra os inimigos pelo caminho. Temos também várias armadilhas que o jogo preparou para nós portanto teremos uma panóplia de situações no qual teremos que ter cuidado. Uma das grandes novidades deste jogo é a inclusão do Dash, uma investida de Beck que irá derrotar os inimigos e absorvê-los.

Este sistema funciona de uma maneira bastante meticulosa, pelo que temos uma maneira precisa de acertar nos inimigos. Se acertarmos logo após a eles ficarem fracos, conseguimos absorver a sua energia e ativar poderes secundários que nos irão ajudar na travessia dos níveis. Esta funcionalidade está bem trabalhada e dá um certo gozo de usar e abusar. Não só podemos acabar com um inimigo dessa maneira, como podemos fazer combos e acabar com alguns deles simultaneamente numa velocidade estonteante.

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Apesar do sistema de dash estar bem implementado, começamos a deparar-nos com alguns problemas no jogo, principalmente com o design dos níveis, sendo que estes possuem uma estética algo desinspirada e aborrecida. Não ajuda também o facto de alguns desses níveis estarem desenhados por forma a prejudicar o jogador de uma maneira injusta.

Ao acabarmos cada nível somos então apresentados aos bosses de cada cenário, e que oferecem um bom desafio aos jogadores. Este foi um dos aspectos que me trouxe uma grande satisfação, porque os inimigos possuem um estilo de combate variado e bastante desafiante. Os poderes que vamos poder absorver serão úteis para usarmos enquanto atravessamos os vários níveis, mas existe um grande desiquilíbrio no que toca à utilidade de cada um.

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A apresentação deixa também um pouco a desejar na sua grande parte. Apesar de apostarem um estilo desenhado com um toque mais moderno, muitos dos cenários e modelos das personagens são demasiado genéricos. Para piorar isto tudo, o jogo é por vezes pragado por uma framerate horrível que conseguiu enervar-me facilmente.

Mighty No.9 é um jogo que poderá agradar alguns fãs de Mega Man, mas que fica muito longe de ser considerado o sucessor espiritual do mesmo. A Comcept perdeu aqui uma boa oportunidade de conseguir criar uma série e cativar os fãs que se sentem órfãos dos clássicos Mega Man.

Mighty No.9 é uma experiência medíocre que foi severamente afectada pela falta de ambição por parte da Comcept em explorar ideias interessantes ou até refinar outras que havia desenvolvido. Mesmo assim, não deixa de ser um jogo mau e que vale a pena experimentar nem que seja na casa de um amigo.

Positivo

  • Dashing é uma ideia interessante
  • Bom momento de nostalgia
  • Bons desafios dos bosses

Negativo

  • Design dos níveis demasiado básico
  • Problemas de framerate irritantes
  • Torna-se bastante repetitivo
  • Elementos da apresentação como os inimigos são bastante genéricos e desinspirados

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