Análise – Mad Max: Fury Road – Mad Max: Estrada da Fúria

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Rebootsremakes e franchises. Tudo isto tem muito que se lhe diga. Confesso que não acho que existam “vacas sagradas” que devam ficar virgens e imaculadas para todo o sempre. Embora existam obras originais que dificilmente serão ultrapassadas, a arte não pode estar impune a novas roupagens e novas visões. Não digo que façam um bigode à Mona Lisa no quadro de Da Vinci, mas a questão da qualidade é paralela, porque uma nova obra é diferente, e diferente pode acender novas emoções.

Normalmente, quando uma franchise é recuperada, é uma proposta de uma nova equipa, de um novo artista, mas no caso de Mad Max é o autor da obra original (George Miller) que mostra o caminho para o cenário apocalítico, de uma realidade em que as pessoas renderam-se à loucura e são capazes de tudo por um copo de água e um bidão de gasolina. Será que os efeitos visuais e o novo contexto social/demográfico agradecem o regresso?

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Mad Max: Estrada da Fúria narra a história de Max (interpretado por Tom Hardy), um renegado e sobrevivente do novo mundo, que é colocado numa situação de limite onde o objactivo é sobreviver.

O elenco conta ainda com Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Josh Helman, Nathan Jones, Zoë Kravitz e Rosie Huntington-Whiteley.

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Após a franchise de Mad MaxGeorge Miller notabilizou-se com filmes como Happy Feet e Babe… o que demonstra uma grande versatilidade artística do realizador australiano. Mad Max: Fury Road é um mimo visual, com acção frenética e dinâmicas constantes. George Miller sabe narrar uma história do ponto de vista visual, e as opções aplicadas são as exigidas (coreografias e duplos com a vida em perigo), rematando com algumas referências à trilogia original (respeito pelos fãs mais antigos).

Do ponto de vista técnico, há alguns disparates. Pese embora o orçamento nos 150 milhões de dólares e relativa simplicidade no manuseamento dos cenários (deserto), Mad Max: Fury Road peca em alguns departamentos, nomeadamente: edição sonora (não me refiro à banda-sonora, que mistura Metal e Música Clássica, nas às vozes dobradas) e os efeitos visuais (o pano verde não engana ninguém). Positivo é o guarda-roupa bem como a direcção de fotografia.

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Mad Max (1979) com Mel Gibson não é uma referência incontornável da Sétima Arte, mas é original, sujo e cru. Narra a odisseia de um anti-herói puro e duro, que recorre aos mesmos métodos dos antagonistas para sobreviver (um dos pioneiros do género). Infelizmente o estilo desencadeou Rambos e Chuck Norris, no entanto, a mensagem nas entrelinhas da acção de Mad Max era relativamente profunda e alertava para a crueldade da natureza humana em situações limite.

Sinceramente, tenho dificuldade em entender o facto de Mad Max: Fury Road estar a ser levado em ombros. O filme é excessivo em quase tudo, e insuficiente em elementos tão importantes como a construção dos personagens. As motivações podiam e mereciam ser trabalhadas de acordo com a demência da realidade criada, e as aclamadas cenas de acção não deveriam suceder ao sabor das coincidências, mas deveriam hierarquizar em momentos em que os personagens são colocados em situações de limite, nas quais revelam o verdadeiro caracter, culminados no clímax (há apenas uma excepção relevante no arco dos personagens). O resultado prático é um frenesim de acção e perseguições, com personagens ocos de personalidade (a prova disso é provavelmente o melhor momento do filme, em que pela primeira vez não vemos o que está a acontecer e, paradoxalmente, ficamos a conhecer melhor Max). A rigor, e mais fácil identificar-me com HAL 9000 em 2001: Odisseia no Espaço do que o leque de personagens no novo Mad Max.

 

Positivo

  • Para todos os efeitos, as sequências de perseguição são divertidas
  • Realização nas dinâmicas entre planos
  • Tom Hardy

 

Negativo

  • Comparação com o material original
  • Overdose de acção
  • Personagens com motivações pequenas
  • trailer elevou as expectativas em demasia

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