Análise – Life is Strange Before the Storm

Vindo das mãos da Dontnod (os criadores de Remember Me), Life is Strange trouxe ao mundo dos videojogos um novo estilo de jogo de aventura que conseguiu cativar vários géneros de público. É certo que os seus elementos naturais traziam algo de estranho a este universo, mas faziam parte da jogabilidade.

Life is Strange Before the Storm surge como uma prequela para o original, que conta os principais acontecimentos que antecedem os eventos do original, dando mais profundidade e história a este enredo. As rédeas foram entregues à Deck 9 que faz um trabalho bastante bom, mesmo com um conteúdo que nem sempre é o mais divertido.

Leiam aqui a nossa análise de Life is Strange

Apesar de gostar do original, Life is Strange Before the Storm faz algo que eu não estava à espera. A história carrega todo um rol de personagens que estão na idade do armário, como tal, Chloe (que é bem mais ponderada no primeiro), é uma autêntica miúda irritante que quer ser fixe e rebelde. O resultado está bem conseguido, pois só tinha vontade de a deixar morrer caso houvesse hipótese.

Em termos de narrativa, Life is Strange Before the Storm está melhor quando a história se centra nos acontecimentos principais ou, curiosamente, quando nos permite ser demasiado focados em coisas secundárias. Um dos melhores momentos que encontrei foi poder participar num jogo de Dungeons e Dragons no pátio da escola, tendo as minhas próprias decisões recriadas. Foi giro, simples, mas muito bem executado.

Quando o tema fica mais adulto e em espaços, mais sério ou relevante, é mesmo quando fiquei agarrado a Life is Strange Before the Storm, embora o final perca um pouco o seu impacto pelo facto de já se saber onde vai dar. Os diálogos estão bem construídos e quase tudo recorre a explicações ou comentários, o que é normal no género. Algumas personagens passam demasiado depressa ou estão lá para encher, mas nada que puxe o resto para baixo.

A jogabilidade é bastante mais simples que no original, fazendo lembrar muito mais um jogo de aventura típico dos últimos anos. O enredo está dividido por episódios, embora esta versão já os inclua a todos e um episódio extra que inclui mais um pouco de história e algumas explicações extra. Entre outros extras, é possível ainda vestir Chloe com uma série de roupas que ajudam a dar um pouco mais de personalidade.

No global podem contar com cerca de 12 horas de jogo, mais duas ou três adicionais com as distracções que vão aparecendo pelo caminho. Depois de terminado, não existe muitos motivos para cá voltar, a não ser daqui a uns anos para reviver a história quando a memória estiver a ficar já turva.

Visualmente, Life is Strange Before the Storm não é um jogo bastante impressionante e os modelos das personagens estão mais próximos de caricaturas altamente pinceladas do que de humanos a sério, mas já é algo que tinha sido feito no primeiro jogo. No global, o jogo corre bastante bem e até a nível sonoro tem um desempenho bastante positivo, com vozes bem escolhidas e uma boa banda sonora.

Quando comparado com o primeiro Life is Strange, Before the Storm parece bem menos ambicioso e mais contido, mas também é o que tem mais espaço para deixar crescer as personagens e perceber algumas motivações de cada uma, especialmente de Chloe. A forma como aborda alguns temas mais sensíveis também está bem feita, não parecendo exactamente forçado ou apenas porque sim.

Se gostaram do original ou se gostam de jogos com história, Life is Strange Before the Storm é uma boa aposta, especialmente na sua versão física. Todos os outros podem encontrar coisas mais alegres ou pesadas num dos vários jogos da Telltale Games.

Vejam aqui o nosso unboxing do Press Kit de Life is Strange Before The Storm.

Positivo:

  • Tema bastante terra-a-terra
  • Boas interacções entre personagens
  • Momentos alternativos bem construídos
  • Lida bem com temas mais sérios

Negativo:

  • A rebeldia irrita
  • Vários momentos enrolam um pouco mais
  • Falas nem sempre estão sincronizadas com os lábios
  • Saber para onde a história vai

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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