Análise – LEGO DC Super Villains

  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, Switch, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Mais um ano mais um jogo da LEGO diria eu, excepto que este não é o primeiro jogo LEGO a sair este ano, e estes têm vindo para as prateleiras a uma velocidade incontrolável. Se por vezes os fãs queixam-se das séries anuais, então o que irão eles dizer de séries que lançam mais do que um jogo por ano, onde a fórmula já começa a ficar gasta e a necessitar de uma pausa ou de uma grande mudança?

LEGO DC Super Villains é assim. Se jogaram jogos antigos da LEGO então este não apresenta nada de novo na vossa experiência para além das pequenas coisas com as quais está a experimentar mas que ainda não faz bem. Após a trilogia LEGO Batman estamos de regresso ao mundo da DC em formato LEGO, onde desta vez vamos controlar os vilões da história e não só.

Uma versão alternativa da Liga da Justiça surge vinda de outra Terra e faz com que os nossos heróis desapareçam do mapa, cabendo então aos vilões tratar da saúde a estes impostores com uma ajuda extra. Logo de início a premissa vai pelo cano abaixo, se esperavam alguma história onde controlavam Joker na sua batalha contra Batman ou algo semelhante, então podem esquecer porque em LEGO DC Super Villains ninguém é realmente mau e tudo não passa de partidas e brincadeiras.

É verdade que a série LEGO hoje em dia está mais virada para as crianças, mas lembro-me de na altura dos primeiros jogos LEGO como os de Harry Potter, Star Wars e semelhante, que os mesmos faziam óptimas paródias dos filmes que todos conheciam. Há que louvar a ideia de uma história original, mas esta não é realmente excepcional e qualquer oportunidade que existisse de uma paródia LEGO sobre algo como “The Killing Joke” não passa de um sonho.

A outra novidade deste jogo é o facto de o jogador poder criar a sua própria personagem (e mais do que uma até), mudando não só o seu aspecto mas também os poderes que a mesma possui (isto após completarem o jogo) e mais. As possibilidades de personalização são poucas, em especial devido a metade ser baseada em personagens DC, mas quer tenha sido intencional ou não, lá vi opções que dessem para criar a minha personagem semelhante a Conan O’Brien ou Mr. Monopoly, sendo que no final decidi criar a entidade conhecida como Bob.

Para minha tristeza Bob não foi tão importante como esperava. A personagem tem o seu papel na história do jogo, mas a mesma não estava presente na maioria deles, e quando a tinha em jogo apenas era útil de vez em quando, com o jogo a obrigar-me a mudar para outro vilão para poder completar um puzzle e assim avançar no nível. Esta ideia é ainda mais desperdiçada a partir do momento em que várias personagens servem para o mesmo fim em termos de habilidade, e quando que ao longo do jogo (e mesmo após o completarem) a vossa personagem original pode obter pelo menos metade dos poderes que as outras personagens possuem.

A certa altura os jogos LEGO adaptaram um hub em formato sandbox e LEGO DC Super Villains continua a fazer proveito do mesmo. Os jogadores podem visitar as cidades de Metropolis e Gotham durante a sua aventura e completar vários objectivos adicionais que encontrarem, ou então prosseguirem para o próximo capítulo da história. Seria mais interessante se ambas as cidades não fossem tão grandes, pois grande parte do tempo apenas existe a sensação de o mundo estar um pouco vazio em termos de actividades extra devido a estar estarem demasiado espalhadas num território tão grande.

Uma solução ideal seria a de o jogo contar com várias zonas dedicadas para cada vilão, com o jogador a poder explorar cada canto com os mesmos e assim completar as actividades extras dedicadas a cada um, dando mais tempo de antena à nossa personagem na história principal e tornar o hub num local mais amigável aos exploradores.

Em relação à jogabilidade, um grande problema que se encontra com a nossa personagem original é o facto de estar ter imensas habilidades que se sobrepõem nos controlos. Os botões de ataque, mudança de personagem e também de acção contam com mais do que um comando, enquanto que existem dois botões diferentes para desviar de ataques e até um segundo botão para mudar de personagem. Com tantos comandos repetidos e acções extra, o jogo podia ter um melhor mapeamento no que toca ao que cada botão faz.

Em termos técnicos encontrei pequenos glitches que na maioria das vezes estavam ligados às animações das personagens, com as mesmas a ficarem presas enquanto a cena avançava, não afectando só as personagens controláveis mas também os NPCs. Em relação aos gráficos e banda sonora não existe muito a destacar, a música não é algo a recordar e os gráficos continuam iguais com o seu aspecto lego.

No geral não existe muito a realçar sobre LEGO DC Super Villains. A fórmula continua igual, estando agora a tentar acrescentar algo novo ao baralho mas ainda com dificuldades em fazê-lo. Talvez seja um problema com a licença ou por estarem a criar algo original, mas a história não tem um grande impacto, faltando lá algo que fazem os jogos LEGO ser jogos LEGO. A ideia de ter uma personagem criada pelo jogador que está a interagir com outras personagens já conhecidas é interessante, mas a mesma está ausente durante grande parte do jogo, fazendo com que esta nova adição seja quase desnecessária.

Por esta altura a série LEGO está a necessitar de uma pausa, uma mudança radical ou então de regressar às raízes. A fórmula que os recentes jogos têm apresentada não tem oferecido grandes diferenças, e o constante lançamento dos mesmos apenas faz com que um esgotamento se comece a sentir. LEGO DC Super Villains é afectado por isso, não sendo uma grande fonte de entusiasmo para quem está a par com a série de jogos, e mesmo quem está de regresso após alguns anos irá sentir que está perante mais do mesmo.

Positivo:

  • Possibilidade de criar uma personagem
  • História original

Negativo:

  • Premissa da história não é a mais emocionante
  • Demasiadas personagens com as mesmas habilidades
  • Hub demasiado aberto e vazio
  • O jogo é mais do mesmo

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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