Análise – L.A. Noire

  • Versão de análise: PS4
  • Lançamento: 14 Novembro 2017

Tendo sido originalmente lançado em 2011 para a anterior geração de consolas, o jogo foi aplaudido pelo seu charme e expressões faciais, pelo menos foi essa a ideia que me foi transmitida na altura. Apesar de tudo o que ouvi sobre o jogo, acabei por nunca chegar a experimentar L.A. Noire, no entanto a oportunidade proporcionou-se agora com a chegada das versões para PS4, Switch e XBox One.

Desde logo nota-se que estamos perante um port do jogo original, parece não existir qualquer tipo de melhoria mas elas estão lá. O meu primeiro impacto com o jogo foi estranho, pois o normal nestes casos é o jogo sofrer um remaster. Visualmente é uma experiência que encaixa perfeitamente na passada geração de consolas mas que mantém uma performance bastante estável e mostra alguns traços possiveis na actual geração de consolas, como é o caso de alguns efeitos de luz. No entanto esta mistura entre texturas fracas e alguns efeitos melhorados é bastante estranha. Felizmente no que diz respeito à banda sonora esta assenta que nem uma luva.

Nesta história controlamos Phelps um polícia que é promovido a detective e ao longo da sua carreira vai-se deparando com vários casos em vários departamentos. Cada caso que temos pela frente é único e se realmente querem chegar à verdade é melhor que prestem atenção. No entanto acabam por existir alguns factores extra e depressa irão perceber que a verdade não é tudo em L.A. Noire.

Normalmente começamos os casos na cena do crime, procuramos por objectos que possam ser de interesse durante a investigação e depois de passar-mos o local a pente fino, (podem não o fazer mas vão arrepender-se) acabamos por ter uma pista que nos leva a um local ou a um interrogatório para dar seguimento ao caso.

A estrutura a partir daqui é sempre a mesma, novo local, novas pistas, novo interrogatório. Existem alguns casos que acabam por ter variantes como uma perseguição de carro ou a pé de um suspeito, quebrando assim a monotonia e conforme avançam no jogo começam também a existir objectivos secundários que não são tão evidentes e será mesmo necessário serem bons detectives para os concluir.

Os interrogatórios sofreram uma modificação nesta nova versão do jogo. Na versão original tínhamos 3 formas de resposta, “truth“, “lie” e “doubt“, estas foram substituídas por “good cop”, “bad cop” e “accuse”. São exactamente a mesma coisa e dão origem aos mesmos eventos, mas com outro nome e percebe-se o porquê. Good cop é o equivalente a acreditar no suspeito, Bad cop pressiona o suspeito para dizer a verdade e accuse deve ser usado apenas quando temos provas de que o suspeito está a mentir, lembram-se dos objectos das áreas de investigação? Estes são necessários aqui, como provas.

O segredo para ser bem sucedido nos interrogatórios está na atenção a todos os detalhes. Antes de entrar nestas secções é importante ler os documentos que encontramos e prestar atenção ao que ouvimos em alguns comentários, depois de começar o interrogatório temos que avaliar o suspeito o melhor que conseguirmos. Pela minha experiência não é muito complicado de perceber se estes estão a dizer a verdade ou a mentir, basta juntar o tom da fala da personagem com as expressões faciais e claro está, associar sempre as provas que já recolhemos. No entanto existem quebras constantes no ritmo do interrogatório no que diz respeito à nossa personagem. Dependendo do que pretendemos obter com o interrogatório, tão depressa estamos a falar calmamente a apoiar a veracidade das informações que estamos a recolher como estamos a ameaçar o suspeito e a gritar, por vezes as falas parecem uma linha contínua, outras são tão díspares, tornando-se complicado continuar a acreditar no que estamos a ver.

Durante os interrogatórios e as secções de investigação podem obter algumas ajudas. Conforme progridem no jogo vão sendo dados pontos de intuição ao jogador. Estes pontos podem ser trocados por dicas. Por exemplo num interrogatório podemos utilizar um destes pontos para retirar umas das 3 opções de escolha, ou consultar a percentagem das decisões de outros jogadores, no fundo as ajudas do “Quem quer ser Milionário”. Já nas secções de investigação estes pontos podem ser utilizados para revelar o local das pistas.

Apesar de existir uma história que rodeia a nossa personagem, o jogo dá mais ênfase aos casos que vamos encontrando. O resultado acaba por ser uma temporada do CSI à época em que o jogo se passa. Casos isolados com fracas linhas condutoras das personagens que estão presentes ao longo dos vários casos. É um esquema que funciona bastante bem e acaba por nos agarrar à história, mas sem compromissos. Existem dois tipos de história que acompanham a narrativa, o passado de Phelps enquanto militar e alguns jornais que dão um vislumbre em forma de cinemática sobre alguns crimes. São adições que como já disse são interessantes mas em nada essenciais.

Onde o jogo falha redondamente, seja nesta ou na passada geração de consolas é nas secções de acção. Estas secções envolvem lutas corpo a corpo ou momentos de troca de tiros. Nas lutas corpo a corpo o sistema é básico mas funciona, já nas secções que envolvem armas de fogo a história é outra. Os controlos são maus, não tenho outra forma de descrever aquilo que sinto nestas secções. Seja uma troca de tiros num descampado ou num local mais complexo este é sem dúvidas o aspecto mais fraco de L.A. Noire. Sempre que uma destas cenas tem início o jogo parece entrar em terreno incerto e claramente necessitava da mais trabalho neste departamento.

Uma outra parte da jogabilidade de L.A. Noire é a condução. Podemos conduzir vários carros e apesar de terem comportamentos ligeiramente diferentes, o estilo de condução arcada não encaixa muito bem com o resto do jogo. A cidade é bastante grande e enquanto conduzimos entre cenas de investigação podemos ouvir no rádio alguns incidentes locais no rádio da polícia e podemos responder a estes. Estes casos são secundários e normalmente são pequenos distúrbios isolados, o problema é que praticamente não há mais nada para fazer nesta cidade.

A cidade está repleta de peões e veículos mas serve apenas como pano de fundo para a aventura principal, existe muito pouco para fazer fora dos casos. Felizmente podemos pedir ao nosso parceiro para conduzir para o próximo local de investigação e isto actua como uma mecânica de fast-travel que honestamente é muito bem-vinda depois da primeira hora a conduzir pela cidade.

Existem alguns extras disponíveis para utilizarmos enquanto jogamos. Para além de um filtro que nos coloca a jogar a preto e branco e cria uma atmosfera que encaixa bastante bem com o jogo também existem alguns fatos extra para a nossa personagem.

L.A. Noire é um jogo cheio de charme e é por aí que tenta chegar até nós. Se gostarem da época que o jogo retrata é bastante provável que gostem de L.A. Noire. Cada caso que exploramos é diferente e mostra vários lados da sociedade da época. Em adição aos casos disponíveis no jogo original, todos os casos que foram lançados posteriormente como DLC fazem parte desta versão do jogo pelo que existe imenso conteúdo neste. Eu gostei bastante de L.A. Noire mas é um jogo que exige bastante atenção por parte do jogador para este ser bem sucedido assim como uma boa percepção daquilo que é pretendido da nossa personagem, pois como referi no início da análise a verdade só importa até certo ponto.

Positivo

  • O charme da época
  • Expressões faciais
  • Liberdade quase total durante os casos
  • Todo o conteúdo extra do original está disponível
  • Casos mostram vários lados da sociedade da época e contem histórias interessantes

Negativo

  • Secções de tiroteio
  • Torna-se aborrecido conduzir pela cidade entre secções

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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