Análise – Kong: Skull Island

Realização: Jordan Vogt-Roberts
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, John Goodman, Brie Larson, John C. Reilly
Género: Ação, Aventura, Fantasia, Sci-Fi
Duração: 1h 58min

Depois de Godzilla (2014), chega a vez do reboot de King Kong em Kong: Skull Island. Este é o segundo filme do MonsterVerse da Legenday Pictures, mais um universo cinemático que vai incluir monstros clássicos como Mothra, Rodan e King Ghidorah, e já está confirmado Godzilla vs. Kong para 2020. Mas antes que me entusiasme demasiado com a ideia de voltar a ver estes dois à porrada no grande ecrã, vamos focar-nos no novo filme de Kong.

Ao contrário da maioria dos filmes do King Kong, Kong: Skull Island não é um remake da mesma história do filme original de 1933. Desta vez, a narrativa decorre em 1973, logo após os Estados Unidos declararem a retirada das suas tropas do Vietname. Seguimos um grupo de cientistas e militares que partem numa expedição para uma ilha nunca antes explorada no Pacífico Sul, chamada Ilha da Caveira.

Pouco depois de chegarem à ilha, são atacados por Kong, um gorila gigante que destrói os seus helicópteros e deixa os sobreviventes perdidos no meio da selva. A única chance de serem salvos é chegarem à zona norte da ilha em menos de 3 dias onde se vão encontrar com uma equipa de reabastecimento.

Falando no Kong em si, a versão de Skull Island é capaz de ser a maior e mais poderosa do primata até agora. É estabelecido bem cedo que Kong consegue lidar mais facilmente contra os militares, assim como contra outras criaturas na ilha. Ele caminha normalmente sobre duas patas, e alcança aproximadamente os 30 metros de altura. Não chega a ser tão alto como o Godzilla, que tem uns 100 metros na versão mais recente, mas é mencionado no filme que Kong ainda é jovem, portanto é possível ele crescer mais um pouco antes de enfrentar o Rei dos Monstros.

Existem pequenas alusões ao filme original com Kong a formar uma pequena ligação com uma humana (neste caso, Brie Larson), mas nunca chega a ser um elemento relevante da história, por isso não estejam à espera de vê-lo a subir um prédio qualquer no fim do filme. Caso não tenham gostado das curtas aparições do Godzilla, fiquem descansados que Kong tem mais tempo de antena. Até chegamos a vê-lo em momentos mais calmos fora de lutas, como a relaxar no seu covil ou a comer sushi.

No entanto, já sabemos que o foco não é só no monstro. Seguimos grande parte do tempo diferentes personagens humanas, e este filme tem bastantes. O elenco incluí diversos atores reconhecíveis como Tom Hiddleston, Samuel L. JacksonJohn Goodman, e até atores que não sabia que participavam no filme como Toby Kebbell. Não existe propriamente um ou dois protagonistas principais, quase todas as personagens relevantes têm o mesmo nível de importância e destaque. Pessoalmente, até gosto que seja assim, mas isto acaba por criar alguns problemas.

Não houve nenhuma personagem em particular que tenha detestado, é só que o guião não permite haver um grande desenvolvimento da maioria das personagens. Tom Hiddleston e Brie Larson não têm grande evolução para além de serem introduzidos e darem a conhecer as suas backstories, e alguns atores como John Ortiz e Marc Evan Jackson têm participações tão insignificantes que não fariam falta se não estivessem no filme.

Surpreendentemente, a personagem que teve mais desenvolvimento foi a do John C. Reilly. Quando o vi nos trailers, eu tinha receio que ele fosse estragar o tom do filme com momentos cómicos, mas isso não chegou a ser um incómodo. Primeiro porque o próprio filme não se leva muito a sério, e segundo porque a personagem dele já é meia maluca por passar tanto tempo na ilha, por isso alinhei com as parvoíces que ele dizia. Talvez a única parte que não gostei foi a piada sobre o nome dos Skullcrawlers que aparece num dos trailers, mais devido à reação das outras personagens.

Por falar nos Skullcrawlers (recuso-me a chamá-los caveiras rastejantes), eles são essencialmente os antagonistas do filme e os principais adversários de Kong, um pouco como os M.U.T.O. no Godzilla. Eles são monstros horripilantes e cumprem o seu propósito ao fornecer boas sequências de ação contra os humanos e o Kong. Na verdade, existem várias outras criaturas na Ilha da Caveira. Em vez de mostrarem novamente dinossauros como nos filmes anteriores do King Kong, são apresentadas criaturas novas que tornam o mundo de Kong: Skull Island ainda mais distinto. Temos um búfalo marinho, pequenos pterodáctilos, e até uma aranha gigante que podia ter o seu próprio filme e recordou-me um pouco a Kumonga de Son of Godzilla (1967).

Um dos pontos altos de Kong: Skull Island é sem dúvida a cinematografia, e só por isso valeu a pena ver em IMAX. O diretor de fotografia foi Larry Fong, que já trabalhou em diversos filmes do Zack Snyder, como 300 e Batman v Superman: Dawn of Justice. O filme tem um estilo visual muito bom, com vários planos que chegam a dar vontade de tirar screenshot e usar como wallpaper.

Como mencionei no início, Kong: Skull Island pertence à mesma continuidade de Godzilla. Não é necessário ver o filme anterior para entender este, já que não existem grandes ligações entre os dois, para além da presença da Monarch, a organização que anda a vigiar a aparição destas criaturas maciças. O momento mais evidente de que decorre num universo comum é na cena pós-créditos, cujo o início pode ser entendido como uma quebra da quarta parede o que gostei bastante.

Kong: Skull Island não precisava de muito para me convencer. Basta ter monstros gigantes e eu já fico interessado. Não se leva demasiado a sério e Kong tem uma boa presença, por isso pode ser mais do agrado para quem não gostou do Godzilla. Sofre um pouco pelo excesso de personagens, mas compensa pelos visuais, prestação dos atores, e sequências de ação. Agora só tenho que esperar três anos até ver o Kong a meter árvores na boca do Godzilla outra vez.

 

Sérgio Batista

Escolhido da ‘pug life’ que gosta sempre de arranjar jogos novos para a PS2.
Cosplayer casual, tira fotos em demasia nos eventos.

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Sérgio Batista

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Cosplayer casual, tira fotos em demasia nos eventos.

  • Marco Correia

    Gostei bastante do filme, e quanto mais penso no que vi mais me agrada.
    É um filme que sabe bem o que é mas sem nunca se tornar estúpido, pelo menos achei.
    Fui ver única e exclusivamente pela fotografia do Larry Fong que é divinal ( o laranja no Mad Max, neste filme, e nos posters da WW pode muito bem me comer a peida).

    Eu curti a cena de não ter bem um personagem principal (quem me dera que os disaster movies fizessem o mesmo), mas ye ficou a faltar mais algo com o Hiddleston e Brie.

    Um dos meus momentos preferidos entre personagens foi o Sam Jackson e o John Reilly a encontrarem-se pela primeira vez, o personagem do Sam a fazer logo grande “salute” todo cheio de honra.

    Os momentos pseudo-comedicos são lindos!

    Só não gostei mesmo da piada dos Skullcrawlers de resto nada me irritou.

    Provavelmente daria um Muito Bom, recomendo a ver e se possível em IMAX (feat. Dunkirk Prologue)