Análise – Kingsman: The Secret Service – Kingsman: Serviços Secretos

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Chegou finalmente aos cinemas o novo filme de Matthew Vaughn, o realizador que nos trouxe Kick-Ass e X-Men: First Class (na minha modesta opinião, o melhor filme com super-heróis até à data).

Desenvolvido a partir da banda-desenhada de Mark Millar e Dave Gibbons, Kingsman: The Secret Service é a nova aposta da 20th Century Fox, que volta a produzir uma longa-metragem inspirada numa banda-desenhada com grafismo e conteúdo maduro, para um público diferente de uma grande massa, habituada a um género de acção específico.

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O filme narra a odisseia de Eggsy (interpretado por Taron Egerton), um jovem órfão de pai, inserido numa família disfuncional, com especial tendência para arranjar confusões. A vida de Eggsy irá mudar quando conhecer Harry Hart/Galahad (interpretado pelo oscarizado Colin Firth), que conduzirá o jovem britânico na direcção da mais perigosa entrevista de emprego do mundo, onde poderá tornar-se num dos cavaleiros modernos ao serviço da coroa britânica.

O elenco conta com alguns dos melhores actores que a Grã-Bretanha pode oferecer, nomeadamente: Mark Strong, Jack Davenport, Samantha Womack, Michael Caine e a promissora Sophie Cookson. Contudo, há destaque para Mark Hamill (é sempre um prazer) e Samuel L. Jackson, que consegue oferecer uma prestação ao nível do que tem atingido nas colaborações com Tarantino.

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Tecer considerações sobre a realização de Matthew Vaughn é uma tarefa complicada, porque irá soar sempre a fanboy histérico. Sinceramente, se a escolha de Matthew Vaughn para realizador do reboot do Homem-Aranha passasse por abdicar de 20 minutos trancado numa casa-de-banho de uma estação de serviço com Margot Robbie, no mínimo, eu iria hesitar por breves instantes… antes de optar pela decisão óbvia.

A dinâmica visual, criada por Matthew Vaughn nos filmes mais recentes, preenche as minhas medidas: é rápida, em continuidade, repleta de informação coreografada e com imensos detalhes discretos, que só são apreciados após uma segunda visualização. Nos domínios técnicos, confesso que tudo pareceu assim-assim. Efeitos visuais fraquinhos, design de produção okzito, tal como a edição sonora.

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Embora haja grande qualidade no produto final, nem tudo são rosas. O filme acaba por ser “pequenino”, fechado numa receita usada, com poucos personagens e raras surpresas, alimentadas por diálogos inteligentes que contornem em parte essa fatalidade. Há a realçar a fantástica dinâmica entre Taron Egerton e Colin Firth (um actor de comédia, que passou pelo drama e experimenta o cinema de acção), a sagacidade em evitar o protagonista reguila que descobre o valor da amizade a dada altura, e um vilão tão rico e divertido, que ficará no imaginário do género.

Kingsman: The Secret Service é um filme complicado de catalogar. É uma película de acção, é certo, mas os vários géneros que montam a jornada de Eggsy e Harry proporcionam uma maciça dose de entretenimento. Ora pelo humor, ora pela forma como o guião conduz o espectador a interessar-se pelos personagens, mas sobretudo pelo maremoto de acontecimentos, encadeados de forma divertida. Kingsman é um dos filmes de princípio de ano que abre as hostes para os grandes blockbusters de 2015.

 

Positivo

  • Jogos de interação entre actores com qualidade
  • Realização
  • Evolução do personagem principal

 

Negativo

  • Sucessivo product placement
  • Fraco em epifanias morais
  • Nem todos os actores deram o litro
  • Estava à espera de uma relação professor/aluno ao estilo de Foxcatcher ou Whiplash

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