Análise – Kingdom Hearts HD 1.5 ReMIX

A nostalgia é um sentimento bastante forte e bem mais fácil sentir do que explicar. Em qualquer momento na nossa vida, existem acontecimentos, pessoas, locais e coisas que nos marcam ficando guardadas na nossa memória. Isto serve tanto para momentos maus como bons, mas são os bons que merecem ser recordados.

Com a actual enxurrada de colecções HD, muitos conseguiram reviver ou jogar pela primeira vez clássicos de gerações anteriores com uma roupagem nova e algumas modificações. Entre todos estes lançamentos, o de uma colecção de Kingdom Hearts sempre foi a mais requisitada.

Kingdom Hearts HD 1.5 ReMIX chegou finalmente após muito tempo de espera impaciente por parte dos fãs e apesar de ser apenas a primeira parte de uma colecção que ainda será expandida com Kingdom Hearts HD 2.5 ReMIX, existem poucas dúvidas que esta é uma das colecções HD mais fortes lançadas até hoje.

No seu todo, Kingdom Hearts HD 1.5 ReMIX inclui o primeiro Kingdom Hearts na sua versão Final Mix, Kingdom Hearts Re:Chain of Memories (conversão em 3D para a PS2 de Chain of Memories lançado originalmente no GameBoy Advance) e uma versão cinemática de Kingdom Hearts 358/2 Days. Resumindo, os dois primeiros foram concebidos para jogar e o terceiro apenas para ver.

Começando então por Kingdom Hearts Final Mix, este surge nesta colecção de uma forma bem similar ao que temos memória. O jogo é exactamente o mesmo que foi lançado na PS2, embora com algumas novidades e alterações de jogo que nunca chegámos a experimentar, pois a versão Final Mix nunca foi lançada na Europa. As mudanças não são de todo expressivas e não são elas que justificam a quem já terminou o original, uma nova passagem por esta aventura.

O incentivo surge de outra forma, pois por si só, Kingdom Hearts Final Mix incentiva o jogador a repetir a história apenas pela sua qualidade e sentimento de nostalgia, mas não se fica por aqui. A passagem para o HD é realmente sentida e a qualidade de imagem em HD rivaliza facilmente com muitos jogos digitais lançados na PSN ou Xbox Live. O traço está bastante sólido e claro e a definição de imagem dá uma nova vida a este jogo que usa também o poder desta geração para oferecer uma fluidez ainda melhor que antigamente.

Quanto a Kingdom Hearts Re: Chain of Memories, a experiência já foi mais difícil de comparar, pois esta versão nunca foi lançada na Europa e a versão GameBoy Advance é realmente diferente. A qualidade visual deste jogo também está bem próxima da qualidade de Final Mix, embora seja penalizado de certa forma pelos cenários mais claustrofóbicos e lineares que englobam menos detalhe no geral.

Curiosamente, a jogabilidade de Kingdom Hearts Re: Chain of Memories é bastante diferente do primeiro jogo, misturando a movimentação normal pelos cenários com um sistema de cartas que devem ser usadas em combate e/ou para prosseguir no cenário. Confesso que este sistema cativou o meu interesse de imediato, mas a sua utilização acaba por se mostrar cansativa e demasiado tecnicista para combates onde somos rodeados de inimigos e rapidamente ficamos sem cartas e tempo livre para as recarregar.

Kingdom Hearts Re: Chain of Memories acaba por ser uma aposta sólida no geral, mas em nenhum momento chega a ser tão bom como o primeiro, servindo o propósito de contar uma parte da história que tinha sido privada ao longo de todos estes anos dentro do universo dos videojogos à maioria dos jogadores (em tempos acabei por a ler em Manga antes de jogar a versão GBA).

Por fim, temos Kingdom Hearts 358/2 Days, que surge apenas em formato de filme segmentado. Mesmo que já tivesse plena consciência desta decisão, não deixo de ficar de certa forma triste com esta decisão. As cinemáticas apresentam um visual bastante bom e sólido e tirando alguns segmentos escritos, toda ela está narrada ou falada pelas personagens, mas não consegui não imaginar a possibilidade de jogar Kingdom Hearts 358/2 Days com o tratamento HD dos dois restantes.

De qualquer forma para aquilo a que se compromete a fazer, esta versão de 358/2 cumpre o seu objectivo e é bastante agradável de ver ao longo de quase 3 horas de vídeo.

Apesar de muitas outras colectâneas HD serem lançadas com trilogias totalmente jogáveis, não é por isso que Kingdom Hearts HD 1.5 ReMIX tem menos valor. A nível visual esta é certamente a melhor compilação HD lançada até hoje, o tratamento sonoro é de alta qualidade e só peca por não ter grandes extras a nível de menu principal. Uma galeria de imagens ou making-off para cada jogo era bem-vindo.

Sejam fãs de Kingdom Hearts ou simplesmente um jogador interessado na série, então Kingdom Hearts HD 1.5 ReMIX é uma colecção HD que merece o vosso dinheiro. A nostalgia é um elemento muito forte, mas é ainda melhor quando o conteúdo envolvido continua a ser mágico depois de tantos anos.

Positivo:

  • Kingdom Hearts Final Mix é um autentico clássico
  • Excelente conversão para HD
  • Chegada de Final Mix e Re:Chain à Europa
  • Passagem para filme de 358/2 bem realizada

Negativo:

  • Kingdom Hearts 358/2 não jogável
  • Kingdom Hearts Re:Chain não consegue manter a fasquia elevada de Final Mix
  • Compilação podia incluir extras desbloqueáveis para os fãs

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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