Análise – Judgment

Enquanto muitos penavam a ausência da série Shenmue, ao longo de muitos anos, a SEGA foi dando aos mais atentos o mesmo estilo de jogo com a série Yakuza. Durante todos esses anos, Yakuza teve vários Spin-offs, mas nenhum fugiu exactamente da série principal.

Judgment é diferente. Esta é uma nova série, com novas personagens, motivos e estilo. Apesar de tudo isso, o ADN de Yakuza está aqui bem presente e todos aqueles que jogaram algum dos jogos anteriores, vão perceber logo que embora a história seja diferente, Judgment não caiu muito longe da mesma árvore que lhe deu origem.

Desta vez, em vez de sermos um membro da máfia, somos um advogado que se vê envolvido numa história de morte e traição, com um serial-killer a ser o centro de todos os acontecimentos. A história segue os mesmos moldes de Yakuza, com muitos momentos recheados de conversas que podem demorar uns bons minutos a serem concluídas. Existem muitas personagens e ligações, pois isso é recomendado que presentem bem atenção ao que está a acontecer.

A próxima grande diferença entre Judgment e Yakuza é a introdução de alguns elementos típicos de um jogo de investigação com o tema de detectives. Existem muitos momentos em que temos de perseguir suspeitos, vigiar pessoas, recolher pistas e investigar provas. Embora faça bastante sentido dentro do tema do jogo, estes segmentos nem sempre são divertidos e mesmo que sejam introduzidos novos elementos, como o Drone, raramente me senti empolgado.

Por outro lado, o combate é um dos momentos altos do jogo e explora ainda melhor o que foi feito em Yakuza. Judgment é rápido e mais intuitivo que o seu irmão mais velho. A personagem principal pode recorrer a uma série de movimentos dinâmicos e até usar o cenário como forma de se posicionar melhor. É raro o inimigo conseguir rodear a personagem e existe uma boa recompensa e risco associada ao combate, especialmente com a introdução das feridas fatais que precisam de ser curadas. O combate fica ainda mais estratégico e não apenas uma coisa de bater até ganhar.

Existe todo um mapa aberto para explorar que está cheio de coisas para fazer. Existem várias missões secundárias para encontrar e um bom rol de actividades extra, desde jogar setas até jogar o glorioso Fighting Vipers nas arcades. Infelizmente algumas missões alternativas são um pouco repetitivas no seu tema, mas o jogo consegue compensar com momentos divertidos e uma série de caricaturas engraçadas.

A nível visual, Judgment não evolui muito do que foi feito em Yakuza 6. O motor visual parece exactamente o mesmo, o que não deixa de ser bom, já que conseguem ser criados personagens bastante detalhados e cenários muito bons. As animações e expressões são bastante imersivas e dentro do que a equipa já nos habituou. Para este lançamento foi feito um esforço para oferecer vozes em inglês e japonês para o lançamento ocidental. Tenho a dizer que experimentei em inglês e fiquei bastante bem impressionado com a localização. Claro que os puristas podem sempre jogar em japonês para ter o resultado esperado.

Judgment é um jogo vasto que tenta trazer algo novo com as bases de algo que já existia. O resultado é um jogo bastante familiar e com alguns elementos que não vão ser do agrado de toda a gente. Posto isto de parte, quem gosta de Yakuza ou de um bom jogo de acção com história vai adorar Judgment.

Positivo:

  • Boa história
  • Combate
  • Vozes em inglês bem feitas
  • Diversões alternativas

Negativo:

  • Algumas investigações mais aborrecidas
  • Elementos repetitivos
  • Continua a ser muito parecido com Yakuza

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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