Análise – JoJo’s Bizarre Adventure

  • Episódios: T1 – 26
  • Temporada: Outono 2012 (Outubro)
  • Produtores: David Production ; Yomiko Advertising, Warners Bros., KlockWorx
  • Géneros: Acção, Aventura, Supernatural, Shounen, Vampiros
  • Idades: +17
  • Adaptação: Manga

Finalmente chegou a altura de meter as mãos na massa e tratar de analisar o anime de JoJo’s Bizarre Adventure. E que aventura vai ser, pois apesar da série, tanto a manga como o anime serem bastantes populares as mesmas não são perfeitas, digo isto como sendo um fã da série, existem vários momentos bons, mas também existe momentos ou personagens que não são bem trabalhadas. É preciso olhar para além do fanboyismo e observar tanto os pontos fortes como os pontos fracos que a série possui.

Para começar, caso sejam novos ao conceito de JoJo aconselho a lerem o artigo “Em Destaque – JoJo’s Bizarre Adventure” que fiz de maneira a apresentar a série aos novatos que estejam interessados. Irei assumir que assim o fizeram e aproveito para dizer que nesta análise vou cobrir apenas a primeira temporada do anime, que adapta os eventos da “Part 1: Phantom Blood” e “Part 2: Battle Tendency” da manga JoJo’s Bizarre Adventure. Isto porque acaba por ser mais fácil assim, tendo em conta que existem mais 3 temporadas de JoJo pela frente e num todo apenas quatro partes foram adaptadas, já para não falar da mudança que a série faz na terceira parte.

Indo então para a história do anime, é curioso como esta é iniciada ao mostrar o vilão em primeiro plano e indo fazendo contraste com a vida do herói, basicamente mostrando as personalidades e ambições de ambos. Dio tendo vivido uma vida inteira apenas a receber ordens e a ser maltratado acaba por se tornar numa pessoa que joga sujo e com ambição, Jonathan [Kazuyuki Okitsu] por outro lado foi criado num ambiente que acabou por o tornar um pouco mimado mas ao mesmo tempo recebeu educação suficiente para ser um cavalheiro e honesto.

A história tem lugar em 1880 na Inglaterra, com Dio Brando [Takehito Koyasu] a ser acolhido na família Joestar devido a um favor que o pai de Jonathan devia ao pai de Dio. E logo de imediato Dio começa a torturar mentalmente Jonathan, de forma a arrumá-lo do seu caminho para herdar a herança da família Joestar. É interessante ver uma história que trata o herói de forma diferente nos seus momentos iniciais, normalmente daria-mos com o protagonista a receber um poder (ou já a possuir um), ou a encontrar um desastre que mudaria a sua vida. Mas neste caso Jonathan tem de conviver com Dio debaixo do mesmo teto, enquanto Dio faz de tudo para atormentar Jonathan. O que torna tanto o protagonista como o antagonista desta história bem mais interessantes.

Jonathan acaba por crescer numa personagem digna de se chamar herói, a criança mimada que nos é apresentada a início torna-se confiante e ciente das coisas que são realmente importantes. Já Dio acaba por ser um caso mais complicado, a personagem não sofre grandes mudanças a nível mental, mas as suas acções e respeito em conta para com Jonathan tornam-no num vilão aceitável para a história. Tendo em conta que Dio é quem leva Jonathan ao limite e que o faz crescer enquanto personagem, algo que é o que se procura num vilão e que acaba por ser um bom contraste com outros animes onde o poder dos amigos resolve a maioria dos problemas.

O percurso da história com Jonathan acaba por ser bem pequeno, para além dos momentos iniciais que focam-se em Jonathan e Dio a série acaba por introduzir o que todos os animes do género possuem, os tais poderes especiais que neste caso tem o nome de Hamon. Tendo em conta a direcção que o anime já havia tomado na altura esta introdução a poderes sobrenaturais não é de todo descabida, o problema em si é o facto de devido a esta introdução ao Hamon a história achar que é necessário recorrer às habituais lutas de 1 contra 1 apenas para o espectador ficar familiarizado com o conceito.

Tendo em conta o rumo que a história teve, estas batalhas que apenas servem para atrasar/testar o herói acabam por quebrar o pacing da mesma. As personagens presentes nesses confrontos não oferecem muito à história para além daqueles momentos de luta e dar oportunidade para o protagonista usar o seu novo poder. Como disse anteriormente, não seria mau, apesar do facto de estas personagens acabarem por quebrar o pacing da história num momento importante.

A conclusão da história “Phantom Blood” acaba por ser algo que oferece reacções mistas. O final tanto foi bom no que toca ao confronto e interação entre as personagens como deixa o sentimento de que algo melhor podia ter ocorrido para ser um climax ainda maior. É um momento marcante mas apenas devido aos resultados que oferece uma vez que a sua execução parece ser um pouco apressada apenas com o fim de terminar a história de Jonathan.

Caso tenham decidido em não ler a pequena introdução a JoJo’s Bizarre Adventure que fiz com o outro artigo, fiquem a saber que ao fim de um par de episódios o protagonista muda de Jonathan Joestar para o seu neto Joseph Joestar [Tomokazu Sugita], iniciado assim a “Part 2: Battle Tendency” que vai ocupar a maioria desta primeira temporada. E tenho a dizer que apesar de Jonathan ser um protagonista respeitável, Joseph é um dos melhores protagonistas da série JoJo’s Bizarre Adventure devido à sua atitude desafiadora e pretensiosa.

Tal como a história anterior, Battle Tendency começa de imediato a apresentar os vilões da história, mas talvez o maior problema é de a Part 2 talvez basear-se imenso no seu nome “Battle Tendency”, pois esta tem uma tendência para o combate. Isto é, não existe grande história por detrás da aventura de Joseph, os vilões são introduzidos e a única coisa a fazer é impedir que eles alcançam o seu objectivo. Não existe um motivo maior e se o tempo não está a ter lugar em batalhas então é em sessões de treino ou a introduzir personagens.

Talvez começando com o quarteto de vilões conhecidos como “Pillar Men“, é pena que apenas um deles tenha desenvolvimento suficiente para se tornar numa personagem interessante. Metade do grupo existe apenas para o pretexto de criar situações de confronto com os heróis, e apesar de receberem um pouco de exposição sobre o seu passado, isso não ajuda a moldar as personagens pois a única coisa que ficamos a saber é que todos gostam de combater.

Referi mais acima que Jonathan cresceu enquanto personagem devido a Dio, e aqui acontece exactamente o oposto, os vilões crescem devido aos seus encontros com Joseph, uns mais que outros mas a verdade é que todos acabam por ficar afectados. Quanto a Joseph, acaba por ser a sua interação com os seus companheiros que criam uma mudança em si. Ou para ser mais exacto, é a presença dessas pessoas que fazem com que Joseph actue da maneira que o faz, mas é a rivalidade amigável entre Joseph e Caesar [Takuya Satou] que cria aquelas situações em que a personagem cresce. Quanto às restantes personagens, estas pelo menos sempre recebem mais atenção que as que fazem parte de Phantom Blood.

Curiosamente, e até tendo em conta que esta é a premissa de Battle Tendency, a segunda metade do anime JoJo’s Bizarre Adventure está cheia de confrontos, mas ao contrário da primeira metade, nenhum destes confrontos tem como objectivo abrandar a história. Muito pelo contrário, são os confrontos contínuos com os Pillar Men que tornam esta parte bastante interessante, sendo possível observar as habilidades e os planos rápidos que os heróis conseguem criar durante essas batalhas, bem como as habilidades interessantes dos Pillar Men.

Uma vez que Battle Tendency volta a pegar num dos temas introduzido em Phantom Blood para de certa forma expandir o assunto, é pena ver que no final não acaba por o fazer. O que faz com que a história em termos de continuação não tenha grande força, mas se for levado como um caso isolado até que acaba por ser bastante satisfatório. No entanto, tendo em conta que esta é uma adaptação anime que segue de imediato os eventos de ambas as partes, é isso que irei levar em conta para a análise, uma vez que basicamente se está a ver a história de um protagonista e depois a de outro onde apenas algumas personagens são relacionadas.

Chegou a altura de abordar as partes técnicas do anime, começando tanto pelas openings como os endings que dão que falar. A primeira abertura faz um excelente trabalho ao retratar o formato manga no qual a série se baseia, contendo até alguns momentos que parecem ser retirados da manga mas tudo em formato animado, já para não falar da música que acompanha a abertura que acaba por ser um embelezamento dos acontecimentos de Phantom Blood. A segunda abertura não adapta o mesmo estilo mas decide abordar um estilo extravagante que é a cara de Joseph, e ao mesmo tempo conta de forma subtil os eventos de Battle Tendency que apenas vão ser notados após o espectador ter assistido a essas mesmas cenas, e a música tal como a primeira opening acaba por ditar o que Joseph terá de enfrentar.

O tema de encerramento que muito provavelmente alguns devem ter ouvido a partir do meme “To Be Continued“, ou então da banda YES de 1971, não podia ser melhor. A animação de ambos os encerramentos acaba por contar uma história que está registada em pedra como se fosse algo bem antigo, acompanhada das silhuetas das personagens que vão aparecendo, mas o destaque acaba mesmo por ser a música.

Em termos de animação o anime não está mau, as formas anatómicas e as poses que por vezes são impossíveis são a marca registada da série, e o estúdio fez uma das melhores decisões de sempre ao decidir manter os SFX que aparecem na manga, tornando-se noutra marca da série (e noutro meme). A banda sonora durante a primeira parte consegue reflectir o ambiente do que anda a acontecer, enquanto que na segunda metade reflecte mais as personagens em sim.

Basicamente, a primeira temporada de JoJo’s Bizarre Adventure é apenas o início de uma história com mais de trinta anos. Contendo os seus pontos altos e baixos, incluíndo os momentos marcantes quer pelas razões mais parvas de sempre como por ser a melhor coisa que já viram, e acreditem quando vos digo que ainda não viram nada, mas tanto a Part 1 como a Part 2 que foram adaptadas nesta temporada não ficam atrás do resto que a série apresenta, pois tal como o nome indica, vai ser uma aventura bizarra.

Positivo:

  • Rivalidade entre Jonathan e Dio
  • Joseph Joestar é um dos melhores protagonistas da série
  • Confrontos interessantes

Negativo:

  • Phantom Blood perde um pouco o ritmo a meio
  • Pillar Men podiam estar mais desenvolvidos
  • Battle Tendency funciona melhor como história isolada