Análise – How To Get Away With Murder T2

Existem várias fórmulas para agarrar o espectador, no entanto todas elas baseiam-se em criar algo que prenda a nossa atenção. How To Geat Away With Murder escolhe fazê-lo através da criação de uma situação completamente alucinante. Colocando-nos na cena do crime, revela as personagens envolvidas mas demora o seu tempo até revelar como lá chegámos. Esta foi a fórmula da primeira temporada e a primeira parte da segunda usa-a mas a uma escala ainda maior.

A início esta temporada concentra todos os seus esforços em entregar um encore da primeira no que toca à fórmula e só com o desenvolvimento é que nos apercebemos do quão mais profunda se torna. Com a apresentação das personagens de fora está na altura de as aprofundar e que melhor maneira de o fazer do que mostrar como as personagens estão relacionadas?

O caso que desencadeia toda uma sucessão de desgraças é um caso cliché mas capaz de surpreender. Imaginem que os filhos adoptivos de um casal endinheirado são acusados pela tia de terem morto os pais para herdarem o dinheiro, naturalmente os irmãos refutam as acusações mas facilmente se vêm formalmente acusados de tal. E é assim mesmo que começa, no entanto e até ao último episódio foi-me impossível ter certezas de quem cometeu o crime, se este fosse um jogo de Cluedo eu teria deixado o assassino(a) escapar.

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De forma a aguçar a história são inseridas novas personagens que enriquecem a narrativa, desde velhos amigos a possíveis assassinos vemos um pouco de tudo. As personagens que já conhecemos têm as suas próprias agendas durante algum tempo mas rapidamente voltam a tornar-se o epicentro de um crime. Este tem desenvolvimentos mais perigosos e coloca os protagonistas entre a espada e a parede, tanto que pelo fim da temporada começam a levantar-se dúvidas quanto à possibilidade de saírem ilesos.

A prestação dos actores melhorou no geral, as personagens sentem-se mais carismáticas do que na primeira temporada mas algumas acabam por ter atitudes repetitivas e irritantes que são apenas comparáveis a birras de crianças de 3 anos. No meio disto tudo destaco a prestação de Viola Davis que lidera o núcleo central da história e mostra uma grande adaptabilidade a diferentes “Annalises“.

How to Get Away With Murder vive muito dos cortes abruptos na sua narrativa, é comum começarmos a falar de um tema e saltar para outro que parece não ter nada em comum, mas no fim tudo se liga. Esta incoerência no diálogo ajuda ao mistério mas também implica que o espectador não perca nem um segundo da acção, pois os detalhes são muitos e o que num minuto é tido como uma verdade pode mudar drasticamente nos momentos seguintes.

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O visual da série está bastante bom assim como o guarda roupa que nos consegue transportar para diferentes realidades.  No que toca ao aspecto geral da série diria que tende a representar um lado cor-de-rosa da vida em excesso. Nunca seria possível alunos de um curso de advocacia terem tanto tempo livre e isso é algo constante nesta série, que foi agravado quando tentam inserir a pressão sobre o grupo de estudantes com os exames universitários, mas falham em capturar esses momentos devidamente.

How To Get Away With Murder teve direito a uma segunda temporada espectacular que aumenta em muito a fasquia para a vindoura terceira temporada. Esta é superior à sua antecessora em todos os aspectos e coloca-nos situações interessantes e que nos prendem até ao último momento. Não existem tempos mortos nesta série, tudo aquilo que vemos enriquece a história e até os momentos mais pacatos têm algo a dizer. Se querem ficar agarrados a uma série do inicio ao fim, não procurem mais e vejam How To Get Away With Murder.

Positivopn-recomendado-2016

  • Prestação dos actores
  • História envolvente e viciante
  • Mistérios ficam-nos na cabeça

Negativo

  • Algumas birras de certas personagens

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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