Análise – Homefront: The Revolution

Jogos no formato de mundo-aberto são uma constante e é isso que Homefront: The Revolution decidiu fazer, separando-se assim do primeiro jogo da série. O tema é praticamente o mesmo, a Coreia do Norte é vista como a primeira potência mundial tendo mesmo subjugado o povo americano e aquilo que vemos durante o jogo é uma mistura de guetos e cidades destruídas. A premissa é bastante interessante mas depressa se torna numa das maiores desilusões que já tive com um videojogo.

Vamos começar pelo facto de estarmos a jogar como um protagonista silencioso, sabem aquilo que é necessário numa revolução, ficar calado. Mas aquilo que mais apreciei foi o facto de logo a inicio o jogo decidir que seria engraçado interrogar Brady, a nossa personagem silenciosa, e responderem por nós. Por esta altura estou verdadeiramente encantado pela narrativa, não só não tenho voz numa revolução como as personagens que encontramos têm diálogos e ideias verdadeiramente brilhantes e casmurras, mais valia dizerem que somos um robot que cumpre missões humanamente impossíveis, sempre seria mais fácil de digerir.

Os problemas de Homefront: The Revolution começam a revelar-se bastante cedo, em adição a uma narrativa bastante fraca temos também tempos de loading exageradamente longos, problemas de frame rate constantes, sempre que o jogo precisa de gravar automáticamente simplesmente congela durante alguns segundos, os cenários não foram construídos com cuidado existindo imensos locais onde é possível ficar preso, e a inteligência artificial já me proporcionou momentos de comédia nos quais me ri do jogo e não com o jogo. Mas vamos também elogiar o pouco que este jogo faz de bom. Para começar as armas podem ser modificadas a qualquer momento, num momento temos uma metralhadora e no outro um lança chamas, diria que é apenas uma forma de transportar várias armas em simultâneo de uma forma disfarçada não fosse pela hipótese de também modificar-mos o tipo de mira entre outros aspectos da arma.

HomefrontTheRevolution PN ANA 1

A construção da cidade de Philadelphia é uma mistura de zonas vermelhas e amarelas. Nas zonas vermelhas encontramos locais totalmente destruídos onde as ruas ostentam apenas entulho e soldados inimigos, os edifícios estão destruídos e dentro destas zonas normalmente existem caminhos subterrâneos ou aéreos entre alguns edifícios, as missões dentro destas áreas envolvem capturar pontos para facilitar o trabalho da resistência e conforme vão capturando território a proporção de soldados “Norks” (Norte Coreanos) vai sendo reduzida tendo em conta o aumento de soldados da resistência. Estas zonas são também patrulhadas por naves aéreas e drones que se encarregam de nos enfernizar o juízo enquanto nos tentamos esconder.

Por outro lado as zonas amarelas são aquilo a que eu chamo Guetos, locais altamente controlados pelos soldados que abusam do poder explorando os cidadãos dessa mesma zona. Aqui para além de capturar certas zonas, também temos que nos misturar com a população para nos deslocar-mos, são zonas onde a movimentação nos consegue impor bastantes desafios especialmente durante os primeiros momentos da nossa estadia. O jogo dá-nos uma arma para facilitar a distração dos guardas, uma espécie de bombinhas de carnaval, elas funcionam e é melhor que consigam passar despercebidos, porque se forem detectados têm uma só opção, esconderem-se, se lutam ou não antes de o fazer é com vocês, no entanto e tendo a poupança de tempo em mente recomendo que se fujam e se escondam de imediato, só precisam de quebrar a linha de visão, o que pode não ser nada fácil, e depois basta esconderem-se num caixote do lixo ou numa casa de banho pré-fabricada.

Ainda assim uma das mecânicas principais deste jogo é o combate e apesar de existir uma habituação devido à estranheza derivada da forma como as armas interagem, aliás tendo em conta que estamos em 2029 e a arma mais letal que temos é uma besta, cálculo que isto diga muito acerca do arsenal. A besta permite-nos eliminar inimigos silenciosamente e reduzir a IA dos inimigos que rodeiam a vítima, não foram poucas as vezes que ao eliminar um soldado que estava ao lado de outro, esse mesmo soldado decidiu olhar para o lado investigar o corpo e manter-se em vigia sem tentar ver o que o rodeava. Mas se tivermos sido detectados o caso muda de figura e não param de nos procurar enquanto existirem soldados na área como é suposto. No fundo falta polimento às mecânicas do jogo como um todo, não consigo deixar de pensar no que poderia ter sido conseguido com mais algum tempo de desenvolvimento.

HomefrontTheRevolution PN ANA 2

Neste mundo aberto de Homefront: The Revolution existem também missões secundárias que podem ser aceites pelo jogador, existem 2 ou 3 tipos de missões que são repetidas pelas várias zonas. Existe também um modo cooperativo online que nos leva a criar uma personagem com passados questionáveis, no fundo uma espécie de aptidão que modifica alguns stats da nossa personagem. Este modo cooperativo tem apenas meia dúzia de missões que não são nada de especial e que se quiserem evoluir a vossa personagem terão que as repetir vezes sem conta. Se quiserem ser pacientes ficam a saber que durante o próximo ano vão chegar mais missões para este modo de forma gratuita mas actualmente é um modo que acaba depressa e dependendo dos vossos companheiros de equipa pode ser uma experiência positiva ou extremamente irritante.

Homefront: The Revolution teve um desenvolvimento conturbado e infelizmente o jogo reflecte isso mesmo, desde um mundo aberto que é na verdade um mundo segmentado, problemas de frame rate constantes, um aspecto deslavado com imensas texturas de fraca resolução, alguns inimigos que aparecem e desaparecem quando lhes apetece, uma história desinteressante e um produto final que se torna repetitivo e cansativo. No fundo o exemplo de um jogo com boas ideias que foram mal executadas e onde os melhores pontos do jogo ficam aquém dos aspectos negativos.

Positivo

  • Sistema de conversão de armas
  • Zonas vermelhas costumam ser interessantes para explorar
  • Modo cooperativo…

Negativo

  • …extremamente curto
  • História fraca
  • Problemas de fluidez
  • Aspecto comparável à anterior geração
  • Bugs
  • IA geralmente fraca
  • Experiência extremamente repetitiva e repleta de problemas

pn-fraco-2016

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