Análise – Halo 4

 

343 Industries tomou as rédeas da série FPS Halo há poucos anos, e o lançamento de um novo jogo que irá gerar uma nova trilogia para a série é sem dúvida uma das maiores provas de sempre para a companhia, que até agora apenas produziu o remake de Halo: Combat Evolved. Eis que surge então Halo 4, um jogo que foi apresentado na E3 de 2010, e que saiu recentemente na Xbox 360. Este novo jogo irá apresentar a trilogia de nome Reclaimer, onde Master Chief volta a ser o enfoque principal desta nova enorme aventura.

Halo 4 começa alguns anos após os eventos de Halo 3 – isto se acabaram o jogo na dificuldade máxima – onde a inteligência artificial e companheira de guerra de Master Chief, acorda-o do sono criogénico. Durante este espaço de tempo, os dois estiveram durante 4 anos à deriva no espaço nos destroços da nave Forward Unto Dawm, à espera que fossem encontrados por algo ou alguém. Este súbito despertar de Master Chief deve-se ao facto da nave estar a entrar em órbita num planeta desconhecido. Como se não fosse confuso o suficiente para os nossos heróis, enquanto entram em órbita, a nave é ataca pelos muito conhecidos Covenant.

Assim que aterram, descobrem que chegaram a um planeta de uma raça anciã, os Forerunners. O planeta de nome Requiem irá servir como palco para um tipo de história bastante similar ao que se pôde ver dos jogos da série, mas com uma ligação interessante entre as duas personagens principais, Master Chief e CortanaCortana encontra-se em estado de rampancy, ou seja, a idade fez com que esta entrasse em estado de declínio, e Master Chief conseguirá salvá-la se este for rápido o suficiente para conseguir levá-la à sua criadora.

Este dilema consegue oferecer uma vertente mais interessante no que toca a histórias da série Halo, sendo que será possível ver uma interacção muito mais humana entre os dois, levando ao despertar de sentimentos que antes eram poucos vistos em Master Chief. No seu estado de declínio, Cortana irá exibir comportamentos mais estranhos como loucura e fúria, e será possível ver até no capacete de Master Chief algumas interferências. O enfoque no enredo gerou bons frutos, mas isso também fez com que a nossa interacção no jogo ficasse um pouco esquecida, tornando uma boa parte das missões enfadonhas.

Os Promethean são a nova raça deste jogo, e os habitantes de Requiem. Apesar de estarem divididos em vários tipos e poderem ser comparados aos Covenant, os Promethean possuem características únicas e isso pode ser visto também nos seus comportamentos. Por exemplo a raça mais inferior, os Crawlers, podem ser considerados como a “carne para canhão” no jogo, mas a sua movimentação rápida e capacidade de trepar paredes irá deixar os jogadores muito atrapalhados em certas situações. Os Promethean Knights são inimigos muito difíceis de derrotar, e sem falar que irão lançar um sentry das suas costas para não só disparar contra nós, mas também para criar uma armadura que os protege.

As armas dos Promethean são semelhantes às armas que já podíamos encontrar nos anteriores jogos da série, mas como seria de esperar, oferecem pequenas adições que as tornam únicas. Nesse sentido vamos poder ver armas com ataques secundários como uma simples pistola que carrega potência durante alguns segundos e liberta um tiro fatal para inimigos bem próximos, ou então uma arma semelhante ao Rocket Launcher que liberta pequenas granadas após o tiro principal ter colidido.

Halo 4 continua a ser o mesmo FPS que nós conhecemos. Master Chief continua a ter o seu mítico escudo que o impede de morrer rapidamente e alerta o jogador que necessita de procurar abrigo, e isto misturado com a alguma dificuldade de matar certos inimigos irá colocar o jogador na posição delicada de pensar bem antes de agir. Um pequeno aspecto que foi agora incorporado de raiz no jogo é a capacidade de fazer sprint, sendo possível fazê-lo agora com o simples premir de um botão. O facto de não ser possível escolher botão a botão o nosso layout do comando poderá deixar alguns jogadores frustrados – como foi o meu caso – visto que agora o sprint poderá fazer com que se altere radicalmente de layout.

343 Industries estava perfeitamente ciente que o aspecto que seria mais notado neste jogo, é sem dúvida alguma o multiplayer, e em Halo 4 foram feitas decisões radicais que acabaram por correr bastante bem e só provaram que o dito modo conseguiu crescer e manter-se relevante após 10 anos de existência. Estas mudanças radicais passaram por uma fórmula inteligente que permitiu implementar elementos mais conhecimentos de FPS muito populares do momento como Call of Duty, e aquilo que torna o multiplayer de Halo tão conhecido hoje em dia.

A partir do momento que entrarem no multiplayer de Halo vão reparar que este mantêm-se extremamente fiel ao que já fomos habituados hoje em dia, e isto quer dizer que continuamos a conseguir separar um jogo mais fun de algo mais sério e que necessita de muito mais skill. Se querem algo mais divertido e com um número considerável de jogadores, existem modos para isso e que servem mais para oferecer umas boas gargalhadas e um bom momento entre amigos. Para os mais profissionais, continuam a encontrar o jogo tão táctico e skill friendly como sempre foi, onde os grandes duelos de um contra um de BR – sim, a mítica Battle Rifle está de volta – e DMR põem a prova os mais astutos, e as equipas mostram em jogo tudo aquilo que praticaram e sabem fazer. Como podem imaginar, os noobs serão rapidamente cilindrados pelos mais experientes.

As novidades passam pelo mudança de nome no modo. Multiplayer passou a ser War Games, a aqui iremos criar e personalizar o nosso Spartan para o multiplayer. Isto já era possível em Halo: Reach, mas agora e para além da estética visual, vamos poder configurar o nosso loadout de armas muito ao estilo Call of Duty, sendo possível pré-definir todo o equipamento que queremos levar para combate desde arma primária, arma secundária, até granadas e novas habilidades especiais que nos favorecem em alguns pormenores. Tudo isto será possível com os Spartan Points, pontos estes que são dados no final de jogo, e que irão variar consoante a nossa prestação.

Os modos estão agora fragmentados e dão hipótese de escolher rapidamente aquilo que os jogadores pretendem, com os míticos Capture the FlagKing of the Hill ou Oddball. Outros modos sofreram alteração no nome e em pequenos pormenores dentro de jogo como é o caso de Free-for-All, que agora é chamado Regicide, e Infection, agora chamado Flood, e um dos melhores e mais divertidos modos deste jogo. Infinity Slayer e Team Slayer Pro são os modos que irão chamar mais a atenção, onde agora focam-se mais num sistema de pontuação que premia um maior número de acções do jogador, como assistências, headshots, ao invés de se focarem apenas em kills. Team Slayer Pro fornece isso tudo, mas torna o jogo muito mais interessante retirando o radar, ordinances e não só. Seja de sublinhar também a existência de kill cams que mostram como é que o nosso inimigo nos matou.

Pessoalmente, sinto que o multiplayer de Halo 4 consegue ser o melhor que já pude jogar da série. Esta foi a altura perfeita para vermos uma evolução significativa, e não podia ter corrido em melhor altura e de uma maneira tão positiva. Sim, está bastante Call of Dutyzado, mas isso não quer dizer que seja algo mau, basicamente conseguir adaptar-se ao que é mais popular mas sem perder todo aquele charme e jogabilidade fácil de aprender, mas difícil de dominar. Que venha agora o modo de jogo MLG!

Como seria de esperar, Forge continua presente para podermos criar os nossos mapas, personalizar outros já existentes e até usar a nossa imaginação em criações completamente loucas. Apesar de não haverem mudanças radicais, foram adicionadas pequenas opções que melhoram ainda mais o nosso processo criativo.

Com a remoção do modo Firefight, a 343 Industries decidiu inaugurar um novo de nome Spartan Ops. Neste modo vão poder continuar a história de Halo 4 nos olhos de outros Spartan em pequenas missões que estarão divididas por capítulos. Estes capítulos serão disponibilizados gratuitamente e semanalmente via Xbox Live, e irão oferecer aos jogadores a oportunidade de experimentar conteúdo novo durante bastante tempo.

A apresentação em Halo 4 possui os seus altos e baixos, sendo que um dos pontos altos é o facto de ser o primeiro jogo da série a correr na resolução 720p de uma forma nativa. A direcção artística é simplesmente fantástica. O planeta de Requiem possui um aspecto tecnológico típico de instalações dos Forerunners bem como zonas mais semelhantes ao planeta terra, brincando mais uma vez com o tema do homem-máquina. Foi tudo muito bem pensado e concebido na sua totalidade, mas quando olhamos mais de perto, aí é que o caldo fica entornado.

É verdade que Halo 4 é um jogo bastante apelativo na vertente visual, mas a idade da consola já começa a fazer das suas, e certos pontos como as texturas deixam muito a desejar. Fraqueza é a palavra certa para descrevê-las, onde o detalhe é bastante pouco, e certas partes do cenário podem parecer bastante complexas, mas quando olhadas de outra perspectiva vê-se que estão pouco trabalhadas. Não gostei particularmente das explosões no jogo, parecendo bem mais fracas e tirando um pouco da espectacularidade que estas forneciam em jogos anteriores. Nem todo o jogo é assim, e essa falta de detalhe não está de qualquer maneira presente na totalidade do grafismo, e dessa forma não prejudica de uma maneira grave o jogo.

O enredo é forte e interessante, e é dessa mesma maneira que a sonoplastia complementa o jogo da 343 Industries. As actuações de voz mantêm o grau de qualidade simplesmente impressionante, e apesar de Master Chief ser um soldado bastante formatado e certinho, conseguimos sentir as palavras que ele transmite neste jogo. A banda sonora é mais outro aspecto que se encontra soberbo, onde cada música encaixa perfeitamente com o momento em questão, tornando assim o jogo ainda mais épico.

Halo 4 não foi um passo em frente, mas sim um salto em frente da série. Esta foi a prova que a 343 Industries teve que dar aos fãs sobre o futuro da série, e conseguiu sem qualquer dúvida superar as expectativas  Destaque para o multiplayer altamente viciante, e para o enredo bem conseguido. Certos aspectos podiam estar melhores, mas mesmo assim é um jogo a não perder por parte dos possuidores de uma Xbox 360.

Positivo:

  • Enredo cativante
  • Multiplayer excepcional
  • Direcção artística
  • Prometheans
  • Apresentação mostra limite da consola…

Negativo:

  • …mas não esconde a velhice
  • Missões da campanha por vezes enfadonhas

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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