Análise – Hakuoki: Edo Blossoms (PS Vita)

Hakuoki: Edo Blossoms é um otome game visual novel e uma sequela directa de Hakuoki: Kyoto Winds, que saiu no ano passado para a PS Vita e PC, via Steam. A personagem principal, Chizuru Yukimura, uma Oni (Demon),ainda se encontra na sua saga para encontrar o seu pai desaparecido, e, ao mesmo tempo, ainda é uma aliada dos Shinsengumi – uma polícia militar composta por vários ronin. O jogo passa-se numa altura temporal entre os fragmentos decrescentes do antigo Shogunate e a maré crescente do Nacionalismo Imperial.

Aquando o início do jogo, pode-se seleccionar uma das treze diferentes histórias e cada uma tem uma narrativa muito diferente da anterior. Cada route tem um prólogo único que relata o que aconteceu no jogo anterior entre Chizuru e o rapaz da história escolhida. Embora este prólogo seja um resumo dos eventos passados, é massudo e bastante longo, assim que é recomendado começar com Hakuoki: Kyoto Winds antes de jogar Hakuoki: Edo Blossoms.

Este jogo tem 30 finais diferentes, que joga entre o romance, o drama, traições e suspense com plot twits arrojados, envolvidos em animação fluída, arte vibrante e CG detalhado. As vozes japonesas dão ainda mais credibilidade por terem um elenco tão bem seleccionado e diversificado.

Hakuoki: Edo Blossoms tem como principal objectivo desenvolver um relacionamento amoroso com um dos rapazes à escolha, mas acaba por ser muito mais do que apenas um romance: a narrativa passa-se numa era fascinante da história japonesa, com membros dos Shinsengumi que lutam para defender os seus princípios num período de rápida mudança social. O Japão encontra-se numa época em que começou a abrir as portas para o resto do mundo, e isso traz muitas coisas novas, como as modas ocidentais, ciência, tácticas militares e atitudes políticas e sociais. É neste contexto que Chizuru e seu escolhido tentam sobreviver, o que significa que serão influenciados por muito mais do que apenas o seu amor um pelo outro.

O jogo não é historicamente preciso, e existe uma quantidade saudável de fantasia à mistura – como demónios e outras criaturas -, no entanto, os elementos históricos e de fantasia relacionam-se muito bem, o suficiente para criar uma história atractiva, com muita intriga política, batalhas sangrentas e, obviamente, muito romance.

Independentemente da escolha sobre o rapaz, a história é sempre muito empolgante e emotiva. Todos os rapazes têm a sua própria personalidade e narrativas únicas, mas há pontos de argumento comuns que ocorrem em cada história. A visualização destas perspectivas diferentes adiciona profundidade à narrativa no decorrer do jogo. Em certos pontos da história, Chizuru terá que fazer escolhas de diálogo, e isso influenciará drasticamente a forma como certos eventos decorrem.

A história que mais gostei foi a do rapaz que não é tão popular na franchise: Heisuke ToudouHeisuke é o líder da equipa da oitava divisão e o mais jovem entre os Shinsengumi. Este personagem é altamente inspirado no samurai Heisuke Toudou (1844-1867), que morreu na batalha de Aburakoji, com apenas 22 anos. É um jovem alegre e um pouco tsundere, próximo de Chizuru em idade e altura: embora pareça ter cerca de 15 ou 16 anos, na realidade, Heisuke tem 19 anos. Tem olhos verdes e longos cabelos castanhos, que mantém num rabo de cavalo, que, ainda no primeiro capítulo do jogo, é-lhe cortado, de forma a adoptar uma aparência mais ocidental.

No entanto, Heisuke esteve às portas da morte e optou por tomar Ochimizu (Water of Life): conseguiu recuperar da sua condição de quase morte, mas por outro lado, tornou-se num Rasetru (Fury). Quem bebe Ochimizu torna-se num Rasetsu: os Rasetsu não são imortais, pois podem sofrer ferimentos e até mesmo morrer (apenas por meio de decapitação ou apunhalados no coração). São referidos pelos Oni como fakes, por terem capacidades semelhantes a esta raça, mas também por perderem a sua capacidade lógica quando se tornam sanguinários.

Na sua forma Rasetsu – como todos os RasetsuHeisuke fica com os olhos vermelhos e cabelos brancos. Os seus dentes caninos também se tornam mais profundos e aguçados.

Sendo uma visual novel, todas as coisas típicas que se espera de um jogo deste género estão presentes, como ignorar o texto que já se leu, que é bastante útil quando se repete histórias para ver finais diferentes. Também se pode reverter o tempo, ou seja, se foi escolhida uma opção de diálogo em que a resposta dada não foi a mais desejada, é possível retroceder e escolher uma opção diferente para tentar obter uma reacção diferente.

Quanto ao visual, a versão PS Vita do jogo é muito apelativa, contando com fundos detalhados e character design cuidado, fazendo um óptimo trabalho para mostrar um Japão histórico. A vozes japonesas, como já referido, foram alvo de um casting extremamente bem feito. Todos os actores de voz encaixam perfeitamente nos personagens, trazendo-os à vida. A música do jogo também merece muitos elogios, pois produz um ambiente incrivelmente adequado, ajudando na imersão na história.

Hakuoki: Edo Blossoms conclui de uma forma muito satisfatória o conto de Hakuoki. Com uma narrativa fascinante, cheia de batalhas sangrentas e intriga política, completada com muitos personagens visualmente agradáveis e romances profundos e significativos, este é um jogo fácil de recomendar a quem gosta de uma boa história e de sentir borboletas na barriga.

Não se esqueçam que Hakuoki: Edo Blossoms vai sair para PC via Steam no dia 13 de Março, e para a PlayStation Vita no dia 16 de Março.

Positivo:

  • Todas as histórias são diferentes entre si, conferindo uma nova experiência a cada novo jogo
  • Personagens inesquecíveis, com bastante carisma
  • Banda sonora remete à época feudal
  • Argumentação não é aborrecida nem parva
  • Vozes em japonês com legendas em inglês

Negativo:

  • Prólogo chato e longo
  • É difícil decorar o nome de todos os personagens por serem tantos

Ana Beatriz Varela

Vinda do Espaço Sideral, interessa-se pelo fenómeno da Cultura Pop em todas as suas vertentes. Ainda não percebeu o conceito "sociedade".

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