Análise – .HACK//G.U. Last Recode

Estamos finalmente numa era de aceitação de videojogos tão ampla, que alguns dos jogos japoneses menos conhecidos acabam por ter uma hipótese de ser alvo de localização. Se Final Fantasy, Shin Megami Tensei e tantos outros já são aparições praticamente garantidas, o mesmo não se pode dizer da série .Hack.

Ainda era eu um rapazote novito com uma PS2 já com bastante rodagem quando quis começar a coleccionar RPG. Na altura, uma revista da especialidade deu uma nota mediana ao primeiro .Hack, mas o facto de ser um jogo que simulava um universo online, foi o suficiente para me sentir obrigado a jogar. Este era um universo vasto, com livros e Anime, por isso havia de ser bom. Jogar os quatro primeiros jogos e ver as OVAs que os acompanhavam foi algo que me ficou marcado para sempre.

Infelizmente, a série não vendeu assim tão bem, como tal, .HACK//G.U. chegou apenas aos Estados Unidos e a Europa ficou de fora. Foi preciso esperar praticamente uma década para que eu pudesse jogar estes jogos perdidos, agora na PS4.

.HACK//G.U. Last Recode é uma compilação dos primeiros três jogos, com um quarto episódio novo e alguns extras. Cada um dos quatro jogos pode ser acedido livremente, mas é de esperar que joguem tudo pela ordem certa. Como a história é até surpreendentemente boa e contada gradualmente com algum mistério em redor, consegue manter a atenção de um bom fã de RPG.

Como seria de esperar, estes são jogos um tanto ou quanto envoltos em “japonesices”, por isso existem muitas personagens caricaturadas, conversas dentro do género e um rol de momentos que são um bocado embaraçosos. De certa forma, isto até ajuda a dar maior carisma ao jogo, pois existe toda uma construção bem feita em redor do mundo de jogo, com acesso a notícias do mundo real, emails, convites de amizade e tudo o que seria de esperar de um jogo que retrata um MMO.

Como já estava à espera, o facto de ser um fã dos originais fez com que ficasse imediatamente investido. O mesmo pode não acontecer ao início com quem nunca teve contacto com a série, mas alguns terão melhor capacidade para entrar neste mundo do que outros. Como o combate envolve acção em tempo real que mistura combos entre ataques normais e especiais, não é tão maçudo aos olhos de quem não jogou coisas deste género, como certos RPG por turnos.

Em termos de jogabilidade, .HACK//G.U. Last Recode faz com que visitem a cidade principal para ver mais história, comprar coisas e aceitar missões, seguindo depois para as muitas zonas aleatórias que servem como Dungeons. Estas são geradas por três palavras e podem englobar vários temas. Dentro das Dungeons o objectivo é abrir o baú na sala final e ganhar o tesouro. Pelo caminho encontram muitos inimigos, algumas armadilhas e alguns puzzles não tão divertidos que envolvem pontapear umas criaturas que habitam as masmorras.

Ao longo dos quatro jogos, .HACK//G.U. Last Recode vai ficando cada vez melhor em termos de história, mas também começa a ficar um pouco mais repetitivo (a ideia original era jogar cada um com algum tempo de distância), no entanto, não deixa de ser uma experiência divertida e recompensadora para quem gosta do género. Além do mais existem modos extra para ver mais coisas relacionadas com o mundo de .Hack e um modo paródia do jogo que aconselho a ver apenas quando chegarem ao fim da história. Um destes engloba até um resumo dos primeiros jogos, o que é útil para quem não os jogou.

Para a altura em que foram lançados, os jogos de .HACK já não eram os mais bonitos, como tal, o Remaster também não conseguiu fazer milagres, mesmo assim, os jogos ainda cultivam algum charme. As bocas não abrem na maioria dos diálogos e os cenários são bastante básicos, mas existe uma maior definição e uma fluidez limpa. As vozes estão em japonês e são o típico do género, com algumas bem agradáveis e outras mais irritantes. A banda sonora por outro lado é espectacular tal como os anteriores.

.HACK//G.U. Last Recode é um jogo perdido no tempo. O Remaster está bem feito, mas é um jogo que vai agradar apenas aos fãs de JRPG e quem gostou dos originais. Como fã da série, adorei jogar estes jogos e ver a forma como as sagas se juntam, isto claro está, muito motivado pela nostalgia. Pode não ser dos melhores remasters e um jogo que agrade a todos, mas é um dos melhores jogos que vai passar ao lado de quase toda a gente em 2017.

Positivo:

  • Quatro jogos num só
  • Vários extras interessantes
  • Mundo vasto e consistente
  • Novo episódio é muito bem-vindo

Negativo:

  • Visual preso no limbo
  • Masmorras bastante básicas
  • Certas vozes irritantes

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebook

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.
  • Ruben Correia

    Dá para mudar o idioma para inglês nas opções… não temos que ouvir propriamente as vozes japonesas.