Análise – Guilty Crown

Informação Global:

  • Episódios: 22
  • Ano: 2011-2012
  • Produtores: Production I.G, Aniplex, FUNimation Entertainment, Movic, Fuji TV, Fuji Pacific Music Publishing
  • Géneros: Acção, Drama, Ficção Cientifica, Super Poder
  • Idades: +17
  • Linguagem: Japones

Guilty Crown, inicialmente um Anime promissor, acabou por se tornar numa desilusão para a maior parte dos fãs. Não quero com isto dizer que Guilty Crown é um mau Anime e que não vale a pena ver, muito pelo contrário, tendo nomes famosos como Production I.G, Redjuice e Supercell, acabou por criar falsas expectativas de que um Anime épico viria a caminho. Confrontados com uma história cliché e uma exploração atrapalhada da mesma, Guilty Crown acabou por levar uma notas bem abaixo daquilo que merece.

A história relata Tokyo no ano 2039, após o Apocalypse Virus ter incidido sobre a Terra e ter ficado conhecido como o dia Lost Christmas de 2029, sendo que o Japão é agora controlado por uma organização multinacional chamada GHQ. Ouma Shu, o nosso protagonista, um rapaz de 17 anos obtém por engano um grande poder, o The Right Hand of the King, que consegue extrair Voids em formato de ferramentas ou armas através da manifestação do coração das pessoas. A sua vida muda para sempre quando conhece uma rapariga chamada Yuzuriha Inori, membro de um grupo rebelde chamado Undertakers, que tem como objectivo a restauração do antigo governo Japonês.

Cliché e banal, a história não é o seu forte e é frequentemente referido como um rip-off de Code Geass, muito criticada por isso, tornando-se na principal razão das inúmeras más notas a Guilty Crown. Pessoalmente achei a história interessante, agarrou-me desde o início (tanto que vi tudo em apenas 2 dias), mas complexa, inconstante e sem sentido. Pondo isso de parte, admito os seus erros mas acho que não é razão suficiente para se deixar de ver Guilty Crown.  Não se deixem iludir pela maioria das análises e comentários que andam a circular na Internet e nunca julguem um Anime pela sua aparência.

Ao início, a história e o seu desenvolvimento é rápido e um pouco difícil de compreender. Guilty Crown pode ser dividido em duas partes, uma parte inicial mais acelerada e uma parte final mais demorada e fora de contexto. Os criadores tentaram dar duas diversidades à história, quase independentes, mas tendo sempre como base de exploração a “confiança”. O desenlace pareceu forçado, uma reciclagem do que já tinha acontecido antes e deixou muitas questões em aberto.

As personagens mostram  personalidades distintas, sendo que as relações inter-pessoais são complexas e bem exploradas. Ouma Shu é um rapaz focado em ser normal, é cobarde, tímido e reservado enquanto Yuzuriha Inori é uma moça misteriosa, serena, forte e incerta a passo que Tsutsugami Gai é um líder forte, rígido e responsável. À medida que o Anime vai evoluindo, são-nos apresentadas revelações e várias facetas opostas de todas as personagens. Estamos constantemente a ser surpreendidos pelo negativo de forma a impedir o espectador de criar laços ou favoritos.

O ponto mais forte de Guilty Crown é sem dúvida a animação. A expressividade, o traço, o estilo futurista dos fundos, edifícios, robôs,  armas, poderes e batalhas ganham um brilho próprio  novo e detalhado. Chega a dar pena ver uma animação ao nível cinematográfico a ser desperdiçada numa história fútil e sem sentido… O trabalho entre a artwork de Redjuice e a adaptação da Production I.G foi uma grande revelação  que pelo menos levou grande crédito da parte dos fãs de Anime.

O som, que a maior parte das vezes as pessoas não toma atenção, é um dos pontos cruciais “salvadores” de Guilty Crown. A utilização e o encaixe das músicas nas cenas do Anime consegue transmitir magia e força dando um gostinho mais épico às cenas de batalha ou até mesmo emocionais. Num estilo digital com rock, os Supercell deram força e vida à abertura do Anime com uma voz mais poderosa, enquanto que o encerramento levou um tratamento mais sereno e calmo com uma voz mais suave.

A nível de trabalho vocal temos o cantor e actor Yuki Kaji/Shu (Konekomaru de Ao no Exorcist, Lyon de Fairy Tail e Finnian de Kuroshitsuji), a nossa ainda em crescimento Kayano Ai/Inori (Meiko de Ano Hi Mita Hana no Namae wo Bokutachi wa Mada Shiranai, Millia de Last Exile: Ginyoku no Fam e Muginami de Rinne no Lagrange) e os nossos já famosos na sua área laboral Hanazawa Kana (Shiemi de Ao no Exorcist, Nadeko de Bakemonogatari e Mayuri de Steins;Gate) e Nakamura Yuuichi (Muramasa de Bleach, Gray de Fairy Tail e Greed de Fullmetal Alchemist Brotherhood).

Quem tem grandes expectativas sobre Guilty Crown, provavelmente ficará desiludido, mas quem pelo contrário não espera muito da série, terá um aproveitamento muito melhor e não será de todo uma má experiência. Sendo fã da arte de Redjuice e fã da música dos Supercell, admito que eu própria criei grandes expectativas para Guilty Crown e fiquei triste em saber o porque das más notas em geral. Vendo o Anime é mais fácil compreender ambos pontos de vista mas, continuo a achar que poderiam ter feito um trabalho muito melhor a nível da essência e conceito desta experiência. Não penalizo a forma final de Guilty Crown, foi uma experiência agradável, a qual não me arrependo de o ter visto. Aconselho a quem não tenha qualquer tipo de expectativa relativamente  ao trabalho dos criadores.

Positivo:

  • Desenvolvimento complexo, negativo e positivo das personagens
  • Animação em estilo futurístico com um brilho único, novo e detalhado
  • Excelente escolha e manuseamento musical
  • Aposta em actores de voz ainda em crescimento

Negativo:

  • História pobre e cliché
  • Difícil compreensão do contexto em geral
  • Desenlace apressado e reciclado
  • Muitas questões por responder
  • Expectativa causada pelos Artistas envolvidos no projecto