Análise – Greedy Guns

O cenário criativo português está a ficar cada vez mais recheado de boas propostas no que toca a videojogos. Longe vão os tempos em que se pensava em formato pequeno e os horizontes eram curtos e locais apenas.

Esse foi claramente o espírito em que os Tio Atum viveram para criar Greedy Guns. O primeiro jogo português a ter a aprovação no Kickstarter e acumular uma série de louvores da indústria nacional e internacional.

Quando o joguei pela primeira vez num dos vários eventos em que estiveram presentes, Greedy Guns parecia uma boa ideia e corria lindamente. Desde então ficou debaixo do meu radar. Com o lançamento agendado para o início de Setembro, foi finalmente altura de saber se Greedy Guns estava ao nível das expectativas e pronto para ser uma referência.

Se viram a nossa livestream de jogabilidade pré-lançamento, viram certamente que a equipa gostou bastante do que experimentou, no entanto, Greedy Guns é uma enxurrada de horas de boa disposição e carnificina cooperativa mais do que recomendada.

Greedy Guns vai beber a inspirações mais que claras. Existe aqui muito de Metroid, Castlevania, Metal Slug e Contra, nomes sonantes que não foram nada mal aproveitados para este universo. Existe aqui um misto de exploração, plataformas, melhoria de personagens e claro, vagas de inimigos para destruir. Para isso podem até comprar novas armas que oferecem abordagens diferentes à forma como disparam contra tudo.

Um dos pontos altos de Greedy Guns é a possibilidade que oferece de poderem convidar um amigo para umas sessões de jogo local. Se são fãs de Metal Slug como eu, vão sentir que regressaram aos cafés de antigamente onde havia sempre aquela máquina à espera com um qualquer Metal Slug. Felizmente, aqui não é preciso gastar uma enormidade de moedas e o jogo é longo o suficiente para compensar o valor investido nele. Além do mais, mesmo que o amigo seja um azelha, o jogo vai dar sempre o papel principal ao que morrer menos, criando menos frustração.

Apesar de seguir os modelos clássicos, Greedy Guns não dispensa elementos actuais que lhe dão ainda mais vida. Por exemplo, quando um colega morre podem sempre ajudar a reviver, existe uma loja para comprar coisas e existe uma narrativa com piada para acompanhar (embora não seja o foco do jogo claro). Como sempre existem salas com bosses para derrotar, existindo alguns bastante interessantes com formas de derrotar que fazem todo o sentido.

Todo o visual do jogo também é bastante agradável. Gostei do estilo de desenho e cores usadas, os efeitos das armas também estão bastante bons e é interessante ver como a fluidez consegue aguentar quase sempre bem quando o cenário está recheado de inimigos. A música também é bastante agradável e acompanha a acção de forma positiva.

Apesar de estar apenas no PC, Greedy Guns funciona tanto com teclado como comando, embora a segunda opção seja claramente a melhor. Quanto mais joguei, mais cresceu a vontade de o ver em outras plataformas, algo que devia acontecer no futuro.

Durante as sessões de jogo, apenas me posso queixar de alguns momentos mais mortos na área da exploração, um ou outro bug e as tais quebras de fluídez em situações mais caóticas, que mesmo assim não foram assim tão gravdes. De resto, para um primeiro grande projecto desta dimensão, correu bem melhor do que seria de esperar.

Vários anos depois de o ter experimentado pela primeira vez, fico contente por Greedy Guns ter sido lançado e estar ao nível das expectativas que criou. É um jogo que pensa em grande e procura fazer o mesmo que os grandes da indústria, mesmo tendo noção das suas próprias limitações. Por tudo o que oferece e o preço que pagam por ele, é um jogo que vale bem a pena, especialmente se tiverem com quem jogar em cooperativo.

Positivo:

  • Visual apelativo
  • Mescla de géneros bem feita
  • Cooperativo à moda antiga
  • Boas composições musicais

Negativo:

  • Momentos de exploração mais mortos
  • Alguns bugs ocasionais

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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