Análise – Ghost in the Shell

Quando saiu pela primeira vez o manga de Ghost in The Shell (1989), o mundo era um lugar extremamente diferente do que é hoje em dia.

Muita gente ainda nem tinha internet (podemos chamar a esta época de era pré-internet) e era visivelmente mais inocente.
Ghost in the Shell, com a sua história cyberpunk sobre a migração de almas humanas para máquinas fez com que discussões iniciadas por Blade Runner e em literatura fossem renascidas, e penso que muitas pessoas não imaginavam que o futuro se fosse tornar tão semelhante.
Após praticamente três décadas, a tecnologia tornou-se algo bastante reconhecido e familiar entre nós.
Um claro exemplo disso é o facto de cada vez mais reparar em pessoas agarradas ao telemóvel, mesmo quando estão em família ou a almoçar com o namorado ou uma amiga. A necessidade de ter o modelo mais recente, de estar sempre atento às redes sociais. Hoje em dia já existe Realidade Aumentada, se não vemos o telemóvel de tempo a tempo ficamos nervosos, e os memes são usados para categorizar situações que vivemos, constantemente.
Resumidamente, estamos ligados a tudo, mas no entanto não estamos ligados a nada. Estamos desligados do próximo, da realidade à nossa volta, obcecados com a tecnologia.
Ghost in the Shell: Agente do Futuro é baseado na franquia original e de grande sucesso a nível mundial, tanto no manga como no anime.

É uma adaptação live-action e um pouco americanizada, tendo Scarlett Johansson como Major, a protagonista.
Esta é uma agente de operações especiais, sendo um robô/andróide (fora o seu cérebro) e é a única da sua espécie.
Por isso mesmo, é o soldado perfeito e tem como sua missão parar criminosos bastante perigosos.
Um dia, quando a Major persegue um hacker homicida, que usa humanos “melhorados” (usam tecnologia para serem melhores, por exemplo têm um braço mecanizado) começa a ter falhas no seu sistema que consequentemente fazem com que viva uma crise de identidade, levando-a a querer descobrir o seu passado.

Os fãs estavam seriamente preocupados (é compreensível) tendo em conta a fama de Hollywood e dos seus live-action mas felizmente podem ficar mais ou menos descansados, pois a adaptação não estraga o original e consegue passar para o ecrã muitos dos seus momentos icónicos sem os arruinar.

Parte do seu sucesso é o facto de ser metade adaptação, metade reinterpretação (pois consegue recriar os momentos mais icónicos com precisão) , e combina temas filosóficos modernos e questões morais, que juntamente com o visual do filme (feito em 3D) faz com que seja uma óptima combinação,e embora o visual da cidade seja um pouco exagerado, faz com que nos sintamos imergidos dentro do filme.

A cidade é recheada de hologramas néon, com mensagens de marketing gigantes e que chegam a alturas incríveis, sendo uma cidade deslumbrante mas fria, sem alma e futurista.

A narrativa deixa um pouco a desejar, houve coisas que foram simplificadas e eram bastante importantes para o enredo , já que seguimos a história de Major e como ela procura o seu lugar num mundo bastante difícil e ao mesmo tempo é nos mostrada a dependência humana na tecnologia e como tudo está relacionado.
Há cenas que perdem o impacto devido à sua sobre-exposição, que prometem mas não passam disso.
Depois existe também a falta de um compromisso emocional, de nos conseguirmos relacionar com as personagens, coisa que não consegui apesar de me ter interessado bastante.

As cenas de acção são típicas de Hollywood, mas apesar disso posso dizer que me agradaram e estavam bem inseridas no filme, como a cena da Geisha (não posso dizer muito mais porque é considerado spoiler).

Scarlett Johansson foi sem dúvida a escolha perfeita para a Major, tendo um ar etéreo, que nos atrai bastante. É fria , destrutiva, mas humana e adorei o trabalho que ela fez.

Fora a Major, posso dizer que adorei o Aramaki e o Batou e que os artistas que os interpretaram fizeram um excelente trabalho, destacando-se bastante durante todo o filme.

A banda sonora do filme é excepcional e é uma mistura de techno com remixes e afins, e não me sai da cabeça. Posso dizer que é das melhores bandas sonoras de filmes que ouvi até hoje, e que o filme está muito bem equilibrado, não me senti aborrecida durante todo o filme e pareceu-me passar a correr (o que foi bastante curioso).

Ghost in the Shell é uma adaptação live-action muito boa, talvez das melhores que vi até hoje e não desilude. Recomendo vivamente que a vejam, não se irão arrepender.

Positivo

  • Visual bastante trabalhado e dentro do ambiente do original
  • Major está muito bem caracterizada
  • Aramaki e Batou são personagens fantásticos
  • Banda sonora excelente
  • Filme bastante equilibrado

Negativo

  • Apesar do bom visual, é um pouco exagerado e demasiado evidenciado durante o filme todo
  • Falta de um compromisso emocional

Adriana Silva

Fã de videojogos, especialmente RPGs, Visual Novels e jogos de ritmo. Gosto de anime, light novels e séries de televisão. Devido à escolha de Steins;Gate, vim parar a esta linha temporal. Cosplayer de coração, aspiro ser uma grande treinadora de Pokémon. (pelo menos melhor que o Ash…) Se isso não der certo, contento-me com governar Hyrule ao lado do Link.

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Adriana Silva

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