Análise – Get Even

É curioso como um jogador que nunca foi grande fã de jogos de terror, tenha um fascínio por universos negros como Dark Souls. Também é curioso que esse mesmo jogador consiga ser fã de histórias complexas, mas não consiga encontrar entusiasmo em coisas mais psicológicas.

Como já devem ter percebido, estou a falar de mim e estas dúvidas são apenas um exemplo daquilo que eu pensei e senti a jogar Get Even, um novo jogo de acção e aventura que tem elementos de suspense e alguns sustos pelo caminho.

Rapidamente pensei que Get Even não era bem o meu estilo de jogo e estava mais que pronto para o passar alguém, mas depois de jogar as primeiras horas em Livestream, fazia sentido continuar, mesmo que não tivesse ainda ficado totalmente convencido.

Get Even conta a história da forma como eu gosto. Desde que o jogo começa, as perguntas surgem em maior quantidade que as respostas, o que nos deixa curiosos e com vontade de saber mais, no entanto, dá para perceber bastante cedo que o jogo nos prepara um twist daqueles mais que previsíveis relacionados com a personagem principal. Nada disto é um spoiler, pois ao jogar é natural que comecem logo a juntar os pontos mais cedo.

Apesar de começar ao estilo de um Silent Hill, Get Even ganha contornos de um Thriller, com a passagem frequente entre cenários mais tenebrosos para coisas mais “arranjadinhas”. Um exemplo prático disso mesmo é a mudança entre uma espécie de asilo para as salas de uma grande empresa de tecnologia. É interessante, mas longe de ser avassalador.

No entanto, a parte menos interessante de todo o jogo é a sua jogabilidade. Mal começam, percebem que é um jogo na primeira pessoa do mais banal que existe e nem armas especiais como a que permite disparar por cima da cobertura ou pelas esquinas faz com que o combate seja divertido. Na maior parte das vezes, foi mais rápido e vantajoso correr na direcção dos inimigos e aplicar um golpe directo. Para piorar, a detecção de colisão e animações dos inimigos é francamente má.

Existem pelo caminho algumas sequências com puzzles que podem ir de interessantes a confusos e não ajuda nada que na maior parte das vezes não se saiba o que andamos a fazer. É verdade que temos um telemóvel que consegue recolher pistas, dar luz e até ver o mapa da zona, mas não ajuda na maior parte dos casos em que nos sentimos perdidos.

A nível visual, Get Even é um jogo com um visual misto que vai entre o bom e o fraco. Existem alguns cenários com detalhes e elementos aceitáveis, mas outras zonas são do mais básico que esta geração já ofereceu em termos de cuidado visual. A banda sonora por seu lado conseguiu mostrar bastante qualidade e as vozes também não estão nada más.

No que toca a longevidade, Get Even chega às 8 horas de jogo, mas pode demorar um pouco menos caso não se deixem prender em certos puzzles, ou perder em zonas sem saber por onde ir a seguir.

No fim de contas, Get Even fecha tal como começou, por ser um jogo que passou pelo radar de grandes lançamentos e por motivos óbvios, afinal é um jogo mediano que consegue fazer algumas coisas boas, mas que fica aquém daquilo que podia ser. Os fãs do género vão encontrar aqui conteúdo suficiente para justificar uma viagem a este mundo, todos os outros vão saltar depressa para outro jogo.

Positivo:

  • Formato da narrativa
  • Uso do telemóvel
  • Banda sonora

Negativo:

  • Visual datado
  • Detecção de colisão
  • Bugs notórios
  • Combate desinteressante
  • Ficar perdido sem saber o que fazer

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

  • Silver4000

    Do que vi do jogo, que foi a primeira hora, pareceu-me bastante interessante e até deu um pouco a impressão de ter uns caminhos alternativos, embora não ache que isso acabe por ter tanto impacto na história. Mas também vi que quando larga a parte thriller passa a ser mais um fps e sem grande coisa para nos manter agarrados.

    Ainda assim fiquei curioso o suficiente para o querer experimentar.