Análise – Fire Emblem Fates: Revelation

Fire Emblem é uma série com bastantes títulos, muitos deles nem sequer saíram do Japão. Durante alguns anos a série entrou em declínio e o grande sucesso de Fire Emblem Awakening em 2013 fez com que esse jogo não fosse a despedida de uma série bastante amada. No entanto depois de dar nas vistas como um dos jogos mais vendidos da 3DS nesse ano seria complicado não ter uma sequela e é assim que nos chega Fire Emblem Fates.

Assim que este formato foi anunciado a minha primeira ideia foi equiparar Fire Emblem a Pokémon, temos um jogo baseado numa mesma região com personagens comuns e alguns deles exclusivos de uma versão que podem ser obtidos através de lutas online, mas será que esta ideia de dividir um jogo em 3 é mais do que um “cash grab“? Existem 3 versões de FE Fates e todas elas diferentes e completas. Esta é a análise à versão Revelation, a derradeira aventura de Fates.

Tendo em conta que as 3 histórias partilham os primeiros 5 capítulos na íntegra e de já terem saído as análises tanto da versão Conquest como da versão Birthright vou mesmo começar pelo capítulo 6. Neste capítulo onde somos obrigados a escolher um lado, escolher não lutar contra nenhuma facção é a escolha mais arriscada e mais complicada. Sendo eu um rapaz bastante casmurro e não querer dar ouvidos aos que me rodeiam decidi ir em frente com o meu orgulho e começar a jogar Revelation no modo Lunatic com mortes permanentes(Classic). Ora em Awakening consegui fazê-lo por isso aqui não deverá ser complicado… estava enganado, foi complicado, muito complicado!

fire emblem fates revelation ana pn 1

Em contraste com as duas outras escolhas que nos levam a aliar-nos com Hoshido ou Nohr estar por nossa conta não é fácil desde a primeira batalha. Com a vossa personagem vão estar Azura e o vosso mordomo/criada dependendo do sexo da vossa personagem, e são estes os elementos do vosso exército inicial. Agora desenrasquem-se e derrotem os generais das duas famílias em 5 turnos. Este foi o meu primeiro desafio, derivado ao modo de dificuldade que escolhi senti-me bastante apertado e sem espaço de manobra mas lá acabei por dar com uma solução. Posteriormente fiz uma passagem pelo jogo na dificuldade Hard sem mortes permanentes e posso afirmar que o desafio se manteve nesta luta inicial mas acaba por ficar tudo muito mais fácil daí em diante. No fundo este primeiro desafio para mim consistiu num puzzle de ataque rápido.  Ainda assim e dadas algumas situações que nos vão sendo colocadas nunca me senti numa posição injusta, existe sempre uma solução para tudo desde que vão bem preparados. Para mim a parte mais complicada foi mesmo o início dada a falta de unidades.

A verdadeira diferença entre dificuldades está no dano, nas probabilidades e no facto de as unidades inimigas utilizarem estratégias avançadas em Lunatic que me apanharam totalmente desprevenido nas primeiras batalhas. Felizmente Fire Emblem Fates: Revelation permite que façam o grinding que acharem necessário, tanto em lutas que encontram no mapa como através dos castelos de outros jogadores. Sendo que nas lutas contra os exércitos de outros jogadores mesmo que as vossas personagens morram elas voltam sempre, independentemente se têm as mortes permanentes activadas ou não. Assim sendo entre o capítulo 7 e o capítulo 8 fui obrigado a treinar bastante as minhas 3 personagens para derrotar exércitos de 20. Este meu problema foi sendo atenuado com o passar dos capítulos e rapidamente cheguei a um ponto em que já não sabia o que fazer com as unidades a mais. Tanto as que recrutei de outros jogadores que venci como as que vão aparecendo durante a história.

Estes combates são feitos através do nosso castelo ou base que é em grande parte moldada por nós. Podem escolher o local onde colocar as várias instalações, estátuas e objectos assim como personalizar com os elementos do vosso exército quem defende o castelo durante os ataques. Como esta é a versão Revelation podem construir instalações tanto de Nohr como de Hoshido o que vos permite ter um armamento extremamente variado. Estas funcionalidades da vossa base conseguem tornar-se bastante viciantes e é aqui que vão desenvolver as vossas relações tendo por base a forma como utilizam as personagens em batalha, quanto mais fizerem personagens interagir entre si maior será o nível de amizade, ou quem sabe amor, entre elas. Recomendo que vão evoluindo as relações pois os bónus que daí advém facilita em muito o trabalho, para além disso quando casam personagens têm direito a mais tarde ir buscar o vosso filho(a) que por norma é um lutador exímio.

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As vossas personagens vão evoluindo e vão obtendo habilidades novas assim como melhorando o manuseamento de certas armas enquanto os stats aumentam com os níveis. Quando chegam a um nível máximo com uma certa classe podem utilizar vários items para trocar a classe o que dependendo do item pode resultar na perda de alguns pontos nos vossos stats ou aumentar todos os stats, no fundo depende se vão trocar completamente a classe ou evolui-la.  No que toca a jogabilidade podem contar com as mesmas mecânicas que as outras duas versões sendo que os objectivos tendem a ser maioritariamente derrotar o general inimigo e apoderarmos-nos do objectivo, existem poucos mapas que difiram no objectivo. Continuam a ter as Dragon Veins espalhadas pelos vários mapas e os mapas por vezes trocam-nos as voltas todas. Existe um mapa em particular que é uma das piores experiências que já tive, uma vez que empurra algumas personagens para outro local do mesmo separando assim certas formações e resultar em mortes. Por outro lado há um outro mapa do qual eu gostava de ter visto mais versões, utiliza uma mecânica que pega naquilo que a história oferece e coloca-nos à prova.

A história contada em Revelation separa-se de imediato das outras duas versões mas acaba por ainda ter parte nas lutas entre famílias, após alguns capítulos começa realmente a derradeira aventura e infelizmente a história não supera aquilo que já vimos anteriormente. Para além de algumas revelações que fortalecem a história, senti que o verdadeiro inimigo de Fire Emblem Fates não passa de algo genérico enfraquecendo assim a narrativa como um todo, irão sentir-se mais envolvidos nas narrativas de Conquest e Birthright. O fim de Revelation é também ele bastante genérico, no fundo esta versão do jogo sofre por não conseguir surpreender em nada, parece ter sido elaborada às 3 pancadas e não consigo deixar de pensar o quão melhor teria sido se o 3º acto de Revelation fosse a conclusão de Birthright ou de Conquest numa consequência directa desses mesmos jogos. O que quero dizer com isto é que esta 3ª versão utiliza a seu favor o facto de funcionar como um ponto comum a várias personagens de lados diferentes das barricadas mas falha em tudo o resto, falhando mesmo em prender o jogador a personagens principais, algo que não aconteceu comigo em Birthright.

Os diálogos entre as personagens, para além de falas esquisitas que parecem ter sido redigidas por pessoas que não interagem com outro ser humano à anos, muitas vezes não correspondem ao som feito pela personagem. Ou seja enquanto existem cinemáticas que utilizam vozes existem outras que adoptam o sistema de fazer um som a início enquanto lemos uma parede de texto. Muitas vezes esse som é completamente desajustado como ouvir um grito de surpresa enquanto falam do que se comeu ontem.

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A apresentação do jogo está separada em 3 partes. Primariamente temos as cinemáticas e diálogos, as cinemáticas são verdadeiros regalos para a vista e os diálogos enquanto arte são bastante bons também. Depois temos a vista aérea que consiste em ver as nossas personagens em forma de sprite e um mundo relativamente básico, serve o seu propósito mas já vi jogos com uma melhor apresentação neste departamento. Finalmente as lutas que são opcionais, podem mesmo escolher ver a luta a partir da vista aérea por sprites, no entanto se optarem por ver os combates a desenrolarem-se em 3D as opções são muitas e variadas. Podem optar por ter uma vista em primeira pessoa, ou em terceira, podem pausar a acção ou acelerar a mesma, no fundo existem aqui várias opções que estão bem exploradas. Falando finalmente do 3D da consola cabe-vos a vocês escolherem utiliza-lo ou não durante os combates, na minha opinião está bem implementado e em muitas ocasiões dá bastante profundidade ao que está a acontecer nas cinemáticas, recomendo que se poderem o utilizem durante as cinemáticas.

Quanto à banda sonora existem músicas que vos ficarão na cabeça, outras músicas e efeitos que estão presentes na série e que regressam para este jogo e outras que acabam por desaparecer da nossa memória assim que terminam. Ainda assim destaco o tema principal que toca várias vezes durante a aventura e em momentos oportunos sendo esta uma das poucas vezes em que um tema musical serve um propósito num jogo para além de “parecer fixe” o que me agradou bastante.

No fundo Fire Emblem Fates: Revelation é um bom Fire Emblem no que toca a jogabilidade mas peca pela história. Sendo esta a derradeira versão do jogo não consigo deixar de sentir que merecia muito mais quanto à narrativa, quando terminei o jogo senti-me desiludido pela falta de originalidade, é certo que a batalha final tem a melhor música alguma vez oferecida por um Fire Emblem e é desafiante, mas a história em si deixa muito a desejar. Existe aqui imenso conteúdo se for bem explorado. Se depois de terminarem Fire Emblem Fates: Birthright ou Conquest quiserem mais Fire Emblem, Revelation é uma boa opção e serve como resposta a algumas questões que ficam por responder nas outras versões, só não esperem pelo fim épico que Fire Emblem Fates merecia.

 

Positivo

  • Imenso conteúdo
  • Dificuldades bem ajustadas
  • Construir o nosso castelo e interagir com os castelos de outros jogadores
  • Banda sonora
  • Imensas personagens para formar uma Dream Team
  • Responde a perguntas deixadas por Birthright e Conquest

Negativo

  • … mas em termos de história deixa imenso a desejar
  • Alguns sons de personagens são desajustados às falas que se seguem
  • Conclusão medíocre a um grande jogo

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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