Análise – Fire Emblem: Awakening

Apesar da Nintendo ser muito mais reconhecida pelos seus inúmeros jogos bem sucedidos de plataformas, a verdade é que a marca japonesa já explorou vários estilos e vertentes de jogo distintas. Desde jogos de acção a jogos de aventura e até corridas, a Nintendo sempre soube oferece qualidade e variedade. Porém, um dos géneros mais apetecíveis é também aquele que passou mais ao lado de quem conhece a marca.

No que toca a RPG, é difícil associar a Nintendo a uma série forte que não seja produzida a nível externo (como acontece com Dragon Quest ou os jogos da Monolith). Mas os mais atentos sabem que existe Fire Emblem, e que este não é um jogo que possa ser ignorado.

Mesmo passando ao lado de muitos, a Nintendo resolveu que Fire Emblem teria de regressar com a Nintendo 3DS, e após alguns longos meses de espera, a chegada de Fire Emblem Awakening prova que o gigante japonês também consegue dar cartas no género.

Fire Emblem Awakening volta a dar vida ao RPG de estratégia com combates por turnos. Tudo isto passado num mundo de fantasia, recheado de intrigas políticas, humor bem disposto e um número bastante vasto de personagens carismáticas.

Em Fire Emblem Awakening começam o jogo com a criação da vossa personagem, a qual pode ser homem ou mulher e pode ainda ter uma maior aptidão em determinadas características. Assim que a história arranca, a vossa personagem vai ser encontrada sem memória pelos Shepherds de Ylisse e após algumas aventuras, acaba por se juntar ao exército da região combatendo ao lado de Chrom, o príncipe, assim como a sua irmã e uma série de outros bravos guerreiros.

Tal como no passado da série, também aqui vão poder interagir com as outras personagens e a confiança ganha através de vários diálogos ou pelo auxílio em combate pode dar origem a verdadeiras alianças ou grandes amizades, as quais, em alguns casos, podem acabar em casamento e até mesmo em filhos. Esta adição vem dar ainda mais importância ao sistema clássico de morte permanente da série, pois a morte de um aliado no campo de batalha corresponde a uma morte definitiva e ao fim de uma relação que podia resultar em novos soldados.

Embora mantenha muito dos sistemas clássicos de Fire Emblem, Fire Emblem Awakening tenta agradar a gregos e troianos e para isso, existe um novo modo casual onde podem jogar toda a aventura sem a penalização de ver uma personagem morrer em combate. Mesmo que pareça injusto para um jogador veterano, esta opção é muito bem vinda, e a meu ver, até bastante justa, pois algumas das missões oferecem cenários de combate algo injustos e tive algumas situações onde uma personagem mal colocada ou uma mecânica mal explicada transformavam uma das minhas personagens favoritas num passador, o que é tudo menos justo.

Tal como todos os bons RPG de estratégia, vão ter imensas opções e mecânicas para explorar e aprender a tirar o melhor proveito, como combinar duas personagens em combate para poder mover mais casas, ou colocar aliados ao lado da personagem que vai atacar ou defender para que esta possa ganhar mais força, pontaria ou defesa. Pensar de forma estratégica recompensa de forma imensa o jogador que assim aumenta também a afinidade das personagens e ganha vantagem em combate.

Passando então para o combate, este decorre ao estilo dos jogos tácticos onde observam o mapa de uma perspectiva aérea e movem as personagens por casas num sistema de grelha. A proximidade entre as personagens dita o raio de alcance e consoante as armas equipadas, podem atacar ou não à distância. Cada arma representa também uma força e fraqueza dando uma série de vantagens à personagem que usa a arma mais eficaz consoante aquela que está equipada no inimigo.

Cada vez que entram em combate, a câmara muda da perspectiva área com os bonecos vistos em sprites, para combates por turnos em 3D onde cada personagem ataca à vez. É uma transição algo estranha a início, mas à qual se vão habituar bastante depressa.

O combate é realmente divertido e viciante e a quantidade de personagens que podem usar em classes distintas (soldado normal, arqueiro, cavaleiro, curandeiro), exigem um posicionamento bem pensado e uma aproximação cuidada a cada confronto, especialmente ao jogar no modo clássico com a presença das mortes permanentes.
Vão sentir sempre que cada vitória é merecida e até vão desejar por vezes que os combates fossem mais longos.

Apesar de ter alguma concorrência pesada, Fire Emblem Awakening é seguramente um dos melhores jogos em termos visuais da Nintendo 3DS. Quem vir a vista área das arenas de combate pode torcer o nariz à apresentação simplista, mas tudo o que vai além disso, seja cinemáticas, diálogos ou até sequências de luta, mostram um trabalho soberbo e grande atenção ao pormenor. As cinemáticas em especial são realmente belas e no geral, o 3D da consola até funciona bem com todos os elementos visuais.

O departamento sonoro consegue corresponder à fasquia elevada do visual com uma banda sonora de grande qualidade, bons diálogos e até a presença das vozes originais em japonês.

Se gostam de jogos longos, então Fire Emblem Awakening é uma vez mais uma boa aposta, pois além de englobar uma campanha bastante longa, ainda existem várias missões secundárias para realizar, outros soldados para recrutar e inúmeras missões para fazer que vão ser lançadas de forma gradual por DLC. Só é uma pena que algumas venham com custos adicionais.

2013 está a ser um dos anos mais fortes no que toca a lançamentos de RPG ao estilo japonês e depois de Ni No Kuni e Persona 4 Golden, Fire Emblem Awakening vem provar novamente que este é um género que merece toda a nossa atenção. Existe aqui uma forte vontade de inovar sem destruir o espírito original, o que é algo de louvar.

Fire Emblem Awakening não é apenas um jogo para os fãs de RPG tácticos ou JRPG. É uma excelente aposta para todos os donos de uma Nintendo 3DS que queiram jogar aquele que é para já um dos melhores jogos portáteis deste ano.

Vejam também a nossa vídeo-análise a Fire Emblem: Awakening!

Positivo:

  • Visual carismático e apelativo
  • Criação de personagem própria
  • História interessante e bem contada
  • Sistema de combate táctico viciante
  • Interacção entre as personagens

Negativo:

  • Algumas mortes injustas
  • Algumas mecânicas são explicadas muito tarde
  • Os diálogos mais importantes podiam incluir vozes

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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