Análise – Final Fantasy XV: Multiplayer Expansion Comrades

  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: DLC. Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Um ano mais tarde, a prometida expansão multijogador para Final Fantasy XV finalmente chega até às nossas mãos. Trazendo consigo o primeiro Final Fantasy numeral (excluindo as entradas online da série) que tem um modo multijogador. Abrindo assim a porta para imensas questões, curiosidades e receios para com o que poderá vir a partir desta nova experiência tanto para o jogador como para o futuro da franquia que já conta com 30 anos de existência.

Apesar de ser uma expansão multijogador, o jogador continua a necessitar do jogo base para poder usufruir deste DLC. Com a história a ter lugar durante a ausência de Noctis, e a nossa personagem a aventurar-se pelo mundo de Eos que está a ser coberta pela escuridão e os Daemons que a mesma trás consigo. Sofrendo de amnésia, somos encontrados por Libertus, que rapidamente coloca-nos a trabalhar para defender os vários sobreviventes deste desastre, enquanto esperam pelo regresso do Rei.

A minha impressão inicial desta expansão não foi a melhor tendo em conta a beta que teve lugar uns meses antes. A maioria do que foi apresentado na beta manteve-se, nomeadamente a ideia de “Monster Hunter” que a expansão Comrades adapta e nos apresenta. Mas a experiência geral acabou por ser melhor, apesar de haver uns quantos problemas e coisas em falta que tornariam este DLC numa das melhores experiências de sempre.

Começando pelo esperado modo de criação de personagem, não existe muito por onde escolher a início. A aparência da personagem é gerida automaticamente através da escolha dos nossos antepassados, tal como em Grand Theft Auto Online, sendo que o jogador tem de fazer o seu trabalho a partir daí, como por exemplo as estruturas faciais, cabelo, altura da personagem e por aí adiante.

Não é a solução ideal para quem nunca se dedica a esse tipo de coisa, ou para quem não quer desperdiçar muito tempo e quer saltar logo para a acção, felizmente é possível alterar a personagem por completo a cada altura, e criar até 8 avatares. No que toca à minha pessoa, eu gosto sempre de controlar tudo até ao mais intimo detalhe, e após um pouco mais de meia hora finalmente criei a minha personagem com uma aparência diferente da inicial que obti.

A expansão podia oferecer um pouco mais de possibilidades, em especial para aqueles que não conseguem dar-se bem com as várias barras que por vezes parecem não mudar nada. A início também não existe grande escolha no que toca a penteados e tatuagens, sendo necessário comprar mais opções ao longo da aventura para as desbloquear. O mesmo aplica-se à roupa, que surpreendentemente tem várias camadas de cor que é possível alterar para tornar a personagem ainda mais única. Num todo, o modo de criação de personagem deixou-me satisfeito, mas poderá não ser amigável para quem não está habituado a estas andanças e prefere ter várias opções pré-definidas em vez de barras.

Lestallum funciona como a nossa base de operações, onde é possível comprar armas, roupa, melhorar o nosso equipamento, aceitar missões e distribuir energia pelo continente de Eos, sendo esta a parte mais importante. O modo multiplayer conta com a sua própria história, onde o jogador tem de proteger os sobreviventes e ajudar a espalhar energia (electricidade) pelas várias bases presentes no mapa.

Ao completar uma missão, para além de receber experiência e dinheiro o jogador também obtém energia que depois pode usar para desbloquear novos locais que irão oferecer as mais variadas recompensas, novas missões, armas, ou até um novo local para visitar. O jogo não conta com free roam, sendo que a nossa personagem está presa em Lestallum ou nas várias bases que desbloqueia ao longo do caminho, onde pode comprar vários produtos. Com as únicas oportunidades de esticar as pernas serem quando vamos numa missão.

As missões estão divididas por níveis, sendo recomendável não aceitarem uma com um nível bem maior do que o vosso. Após aceitarem uma missão, são transportados para um acampamento onde os jogadores podem preparar-se para poder avançar para o local da mesma. Caso não encontrem outros jogadores, também é possível participar apenas com a AI, não sendo necessário qualquer tipo de subscrição para o modo offline.

O tipo de missão que encontram é diferente mas acaba por seguir o mesmo padrão. Existe as hunts onde é necessário matar um determinado número de inimigos até o boss aparecer, missões onde os jogadores precisam de proteger um alvo (onde por vezes surge um boss), e basicamente acaba por ser sempre esse padrão. Não oferece muita diversidade, mas infelizmente neste tipo de jogo não podia haver muito mais por onde pegar, não ser que a Square Enix tenha a ideia em adicionar pesca e corridas de Chocobo à expansão Comrades..

Caso decidam jogar online, primeiro precisam de escolher uma missão, o que quer dizer que a sessão irá ser criada exclusivamente para aquela missão, e assim que a terminarem irão regressar para a vossa base. Podem escolher entre trazerem a AI convosco, “quick match”, que funciona como a forma mais rápida de juntar os jogadores, ou podem criar uma sala. A criação de uma sala é aconselhável quando andam a jogar em grupo, pois podem adicionar uma palavra passe e distribuir para os vossos amigos (máximo de 4 pessoas por grupo), porque caso contrário não é possível jogar com quem conheçam, e terão de repetir este processo todas as vezes (com ecrãs de loading pelo meio).

Este é um dos maiores problemas que o modo multijogador encontra neste momento. É necessário atravessar vários ecrãs de loadings e de criar salas específicas todas as vezes que jogador conclui uma missão e quer continuar a jogar com amigos. Caso o encontro seja com estranhos, as coisas costumam correr bem quando estão todos a um nível decente, e a experiência até é bastante agradável. Ao contrário do que é encontrado com a AI que simplesmente não está ao nível de jogadores humanos ou dos três compatriotas que acompanham Noctis durante a sua aventura.

A jogablidade sofre algumas mudanças tal como tem acontecido com os outros DLCs, a maioria mantém-se igual, mas existe algumas diferenças e adaptações para fazer uso do modo multijogador. O gatilho R2 por exemplo passa a ser o botão de chat, onde é possível selecionar frases pré-definidas para poder comunicar com os outros, enquanto que L1 deixa-nos marcar os nossos colegas para rapidamente fazer warp até eles e ajudar caso estejam em perigo. Mas existe mais para além dos controlos que acaba por afectar a jogabilidade de Comrades. L2 por sua vez é dedicado à magia curativa e ofensiva, havendo uma magia para cada que pode ser alterado com a melhorarão das armas, mas podia haver mais opções.

Caso o jogador morra durante o combate, a personagem poderá levantar-se novamente caso possua um ingrediente consigo, oferecendo esse ingrediente em troca, substituindo assim os Phoenix Downs, bem como todos os outros itens que simplesmente desapareceram. No entanto existe algo novo, tal como Noctis andou à procura do poder dos antigos reis durante a sua aventura, os mesmos irão oferecer a sua ajuda aos Glaives, sendo possível equipar um desses poderes, como a possibilidade de aumentar o alcance do feitiço de cura, ou até a possibilidade de fazer multicast.

Os ingredientes recolhidos durante as missões são usados para um almoço no acampamento que oferecem um buff temporário, mas mais importante é a recolha de itens. Que podem ser usados para aumentar o nível das armas que o jogador possui, bem como oferecer novas habilidades num sistema semelhante a Final Fantasy X. Cada arma pode ter 2 habilidades como por exemplo mudar o tipo de magia para Fira, ou ter uma maior resistência contra danos elementares, mas para além disso as armas também aumentam as estatísticas da personagem como a força, magia e por aí adiante, sendo muito importante prestar atenção a esta parte do jogo.

A nível de performance os servidores estão bastante bons. Das várias vezes que joguei com outras pessoas, incluíndo as vezes em que a equipa era composta inteiramente por jogadores humanos, nunca encontrei problemas de ligação nem lag. No entanto dei de caras com outros problemas que não cheguei a encontrar no jogo base. Algumas vezes a minha personagem ficava para trás no acampamento, outras vezes os inimigos desapareciam e a missão não dava para continuar, ou outros problemas semelhantes que acabam por tirar o entusiasmo com o jogo.

A história deste DLC é pequena, mas o progresso ao ver mais pessoas juntarem-se às várias bases restauradas é satisfatório, no entanto o jogo podia adicionar um pouco mais para prolongar a expansão multijogador. O mesmo se aplica à roupa e opções para alterar a personagem, que mesmo ao comprar mais opções continua a ser pouco, sendo que ao jogar online torna-se normal ver personagens com looks semelhantes. No que toca a novidades técnicas, surpreendentemente Comrades vem com uma nova banda sonora no que toca a tudo, incluíndo o combate, que está ao nível da banda sonora original.

Final Fantasy XV: Multiplayer Expansion Comrades é uma experiência agradável e uma adição interessante para Final Fantasy XV. Este novo DLC apresenta potencial para se tornar em algo maior e quem sabe talvez mudar o futuro da franquia, mas existe uns quantos problemas técnicos e de AI, bem como a necessidade de conteúdo mais variado para manter o interesse e o jogo fresco. Por outro lado a adição de um modo de história, modo de criação de personagem e experiência ao jogar com outros jogadores é um dos pontos altos desta adição multijogador para Final Fantasy XV.

Positivo:

  • Divertido de jogar online mesmo com estranhos
  • Servidores estáveis
  • Possibilidade de jogar com ou sem outros jogadores

Negativo:

  • AI não está ao nível de jogadores humanos e acompanhantes de Noctis
  • Não existe a possibilidade de explorar o mundo e fazer várias actividades com os outros jogadores
  • Vários loadings ao entrar e sair de uma missão
  • Necessidade de criar uma sala específica todas as vezes que se aceita uma missão com amigos
  • Alguns bugs e glitches acabam por estragar a experiência de jogo

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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