Análise – Final Fantasy XII The Zodiac Age

Este é um dos poucos Final Fantasy da linha principal que ainda não tinha jogado, como tal esta versão melhorada do original é totalmente nova para mim e é essa a perspectiva que vos posso oferecer. Desde logo o aspecto do jogo foi aquilo que mais me deixou de pé atrás, tudo parece muito generalista e o sentimento que se instalou em mim durante as primeiras 8 horas de jogo foi a de estar a jogar um MMO mas offline.

O estilo artístico do jogo tenta ser realista, mas claro está, não era algo que a PS2 conseguisse transpor da melhor forma e o resultado fica muito aquém daquilo que seria de esperar. As cores utilizadas apesar de variadas parecem esbatidas nos cenários, as personagens parecem bastante genéricas e pouco ou nada salta à vista, mesmo a história tem um início bastante cliché. Por esta altura já devem estar a prever que o tempo que passei com Final Fantasy XII não foi o melhor mas estão enganados.

Após a introdução ao mundo de Ivalice, o que demora cerca de 8 horas, o jogo acabou por me ir conquistando aos poucos. Pouco a pouco vão surgindo detalhes e a história vai adensando, aquilo que a início parecia genérico consegue ganhar alguma profundidade e acaba por entregar momentos interessantes. Por outras palavras, foi preciso arrastar-me durante as primeiras horas de jogo mas Final Fantasy XII The Zodiac Age acabou por se revelar como uma boa experiência.

Este JRPG começa então com uma descrição dos eventos  que levaram a uma guerra que resultou na conquista de Dalmasca por parte do Império de Archadia. De modo a facilitar a compreensão dos eventos, começamos por estar na pele de um soldado num momento crítico da história onde o rei de Dalmasca iria assinar o documento de rendição. Como seria de esperar as coisas não correm bem e é então que começamos a jogar com Vaan, aquela que é a suposta personagem principal de Final Fantasy XII, e digo “suposta” pois todas as personagens que se juntam à nossa equipa me parecem ter um peso igual na história.

Existem 6 personagens que se mantém na nossa equipa durante todo o jogo, cada uma tem a sua personalidade e apesar de continuar a achar que todas elas têm um aspecto demasiado generalista lá me habituei à ideia. Vaan acaba então por formar equipa de forma forçada com dois piratas: Balthier e Fran. Estes dois funcionam como um dos 3 pares do jogo e são os “fixes” da equipa. Depois temos Penelo que é amiga de infância de Vaan e consequentemente estes formam outro par. Finalmente Ashe e Basch são duas personagens com passados relacionados através dos acontecimentos do início do jogo e acabam por formar o par com uma missão nobre a cumprir.

Apesar de sermos livres de escolher os 3 elementos activos da equipa e podermos ter a combinação que desejarmos, em termos de história vemos perfeitamente que os pares são uma realidade e de certa forma acabam por fortalecer a história. A interacção entre todos acaba por ser uma relação que a início se baseia na necessidade e vai evoluíndo a partir daí.

Os locais que visitamos vão variando o ambiente, mas a início existe um excesso de deserto. Não é fácil passar grande parte das primeiras 12 horas de jogo com areia em todo o lado. As cidades por sua vez estão repletas de vida com npc’s a percorrer as ruas e uma grande parte deles têm algo a dizer sobre a actual situação do mundo. Não existe aqui propriamente o sistema de side quests no sentido tradicional mas há algumas coisas para fazer, nomeadamente as caçadas.

Os locais mais abertos à exploração decorrem em diversas áreas, quer seja campo aberto ou ruínas com corredores intermináveis. Muitas vezes sinto que tanto as cidades como os locais de exploração são grandes demais, pois as nossas personagens não são propriamente rápidas, e após a 1ª vez que exploramos um local este acaba por se transformar num corredor gigante que temos de percorrer lentamente. Felizmente a Square Enix apercebeu-se disso e colocou uma nova função nesta versão, a possibilidade de fazer o jogo correr ao dobro ou quadruplo da velocidade. Esta acção que está à distância de um botão faz com que tudo seja mais rápido, quer estejamos a falar de percorrer distâncias ou grinding; assim torna-se bastante fácil irmos até aos locais que precisamos sem nos sentirmos cansados só de pensar em ter que percorrer 3 ruas e uma avenida.

Em adição ao mini-mapa que está presente no canto superior direito, podemos também ver o nosso caminho num mapa com dimensões bastante superiores e que mostra muito mais do caminho com o pressionar de um botão. O mapa de que falo aparece de forma transparente por cima da gameplay e pode ser activado ou desactivado a qualquer altura o que é bastante cómodo. Existe ainda o mapa tradicional no menu que nos permite ver tudo o que está em dada área. Opções não faltam e todas elas são úteis e rápidas de utilizar.

O sistema de combate de Final Fantasy XII The Zodiac Age é bastante completo e é possível transformar os membros da nossa equipa com qualquer combinação de classes e fazer com que sigam certos padrões de ataque através de clausulas, o muito falado gambit system. Existe um total de 12 trabalhos e as nossas personagens podem aprender o trabalho que bem entenderem, no entanto a vossa decisão é final sobre qual dos trabalhos elas escolhem, mais tarde podem escolher um outro trabalho e combinar os 2 para uma personagem bastante poderosa.

Os combates decorrem em tempo real naquilo que foi apelidado como “Active Dimension Battle System“. Para iniciar uma batalha basta seleccionar o inimigo no menu e atacar se estiverem próximos o suficiente. Durante os combates controlamos apenas uma das personagens e as restantes podem atacar livremente, utilizar o Gambit System ou ainda podemos escolher os ataques manualmente; enquanto estiverem nos menus o tempo pára, mesmo nos menus de combate. Este sistema permite então escolher várias cláusulas e colocá-las por uma ordem prioritária. A início nem tudo estará desbloqueado pois necessitam de comprar as clausulas mas conforme vão avançando será possível adaptarem o comportamento dos restantes membros do grupo para aquilo que pensam ser o mais acertado.

No que diz respeito ao desenvolvimento das personagens existem dois pontos muito importantes. Os EXP, pontos de experiência, aumentam o nível da personagem mas depois temos os LP, estes License Points são aquilo que permite desbloquear novas habilidades e licenças para utilizar novos itens. Cada classe/trabalho tem um tabuleiro que deve ser preenchido usando os LP e são livres de evoluírem da forma que queiram desde que vão utilizando os pontos em casas adjacentes. Para ganhar estes pontos e desbloquear algumas habilidades poderão ter que fazer algum grind, até porque o jogo gosta de nos prender em alguns locais mais complicados de vez em quando, e aí o nosso melhor amigo é mesmo o poder fazer com que o jogo corra ao dobro ou quadruplo da velocidade.

Tudo isto em conjunto com a compra de itens faz o combate de Final Fantasy XII The Zodiac Age algo especial e que acaba por ser bem construído. Pessoalmente não troco os combates por turnos ou os combates de acção total por nada; ainda assim sistema acaba por ser uma boa mistura, e penso que da minha parte é o melhor elogio que lhe posso tecer.

Gráficamente este remaster não é nada de especial, como já referi o realismo da PS2 era fraco e a resolução não mudou isso, mesmo na PS4. É um remaster bem executado em todos os campos mas visualmente o jogo não é nada apelativo nos dias que correm. Mesmo as paisagens deixam imenso a desejar com a excepção das cinemáticas pré renderizadas que acabam por conter alguns planos que deixam o mundo brilhar. Para a época do jogo original este foi provavelmente um grande feito, mas hoje em dia não ganha pontos com isso.

A nível de som não encontrei qualquer problema e até podem escolher ter o áudio em japonês ou inglês. A banda sonora no geral passa bastante ao lado e os sons a que estamos habituados a ouvir na série Final Fantasy só se fazem sentir em certos momentos o que acaba por tornar esses momentos em algo mais especial. No geral a banda sonora está lá mas acaba por não se destacar.

Final Fantasy XII The Zoadiac Age é uma boa experiência. É uma aventura que custa a arrancar, um estilo generalista mas com certos pontos de referência que aos poucos nos vai conquistando. O que nos espera aqui é uma grande aventura, um sistema de combate bastante bom e incrivelmente superior ao seu sucessor, sim estou a falar de Final Fantasy XIII, e uma história que brilha através das personagens. São ainda imensas horas de aventura e mais algumas se realmente quiserem tirar partido de tudo aquilo que o jogo tem para vos oferecer. Na minha opinião Final Fantasy Xii The Zoadiac Age passou de um desconhecido a um dos Final Fantasy que mais gostei. É uma aventura e uma experiência que fazem valer a pena o tempo do jogador.

Positivo

  • Gambit System
  • Combate
  • Personagens
  • Possibilidade de aumentar a velocidade da Gameplay
  • Total liberdade ao escolher trabalhos

Negativo

  • Visualmente envelheceu mal
  • História demora bastante a arrancar

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.
  • Guilhathorn

    Deixei este jogo a meio há quase 8 anos…ainda estou na dúvida se volto a jogá-lo na PS2 ou se espero para jogar isto no PC. Na última steam sale cedi e comprei o X/X-2 remake, nunca os joguei, apesar de já os ter para a PS2 há alguns anos, mas tinha interesse em jogar pela primeira vez em japonês. No caso do XII gostei bastante da dobragem, ainda não vi sequer como é na versão original.

    • Lfo

      O melhoramento visual não é de todo o ponto alto deste update. Apenas os personagens levaram um upgrade e o aspeto passou de 4:3 para 16:9. As outras adições é que tornam esta versão aquela que se tem de jogar, eu não consigo voltar ao original. Diria até que este remaster estragou o original para mim.

      Posso mudar como giro a câmara (no og só podia jogar em inverted e eu jogo todos os jogos com a camara normal, era um atrofio, nem sei como na altura me habituei), posso aumentar a velocidade de jogo (para grinding é a melhor coisa e para andar pelos vastos de batalha e até mesmo nalgumas batalhas boss), posso definir os jobs que quero nas personagens que quero (posso até repetir os jobs e até mesmo meter todas as personagens com os mesmos 2 jobs, mas sinceramente n vale a pena.) Zodiac Age é sem duvida a versão ultimate deste jogo, recomendadissimo.

      Se não tens PS4, então vais ter de esperar até 2018, para que a SE o meta na Steam.

      Eu prefiro sempre as o jap voice over, mas neste jogo prefiro muito mais jogar com o dub inglês.

      • Guilhathorn

        Também estava a par desses melhoramentos todos, quando referi o visual foi numa perspectiva geral dos remasters que têm saído. Disse de seguida que o ponto alto destes remasters de FF, para mim, é a possibilidade de ouvir as vozes originais. No caso específico deste jogo, ainda joguei umas 40 horas na PS2 e não tenho razão de queixa, daí ter dúvidas se vou ou não comprar isto quando sair no PC. Não são razões que me levem, neste jogo específico, a comprá-lo novamente.